Acervo Pastoral da Criança.Além disso, é importante considerar que a obesidade não está ligada somente a hábitos individuais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o cenário socioeconômico em que a criança está inserida também é um fator determinante nos casos de obesidade infantil, também como questões políticas de agricultura, distribuição e comercialização de alimentos, educação, insegurança alimentar, acesso a alimentos saudáveis e as condições das comunidades.
A obesidade infantil já é considerada uma epidemia mundial. Dados mais recentes, divulgados em 2025, demonstram que 35 milhões de crianças de até 5 anos estão acima do peso. No Brasil, o cenário não é muito diferente: o Ministério da Saúde estima que 6,4 milhões de crianças de até 10 anos estejam na mesma condição.
Na entrevista a seguir, a nutricionista da Pastoral da Criança Caroline Dalabona esclarece dúvidas sobre a obesidade infantil, os problemas de saúde acarretados pela doença e como orientar os pais a prevenir o desenvolvimento da obesidade infantil, uma condição que cresce cada vez mais no Brasil e no mundo.
Neste conteúdo você encontrará:
- O que é obesidade e quais são os principais fatores que podem levar uma pessoa a desenvolver essa condição?
- Quais são os principais problemas de saúde que podem estar relacionados à obesidade e qual é a importância da prevenção?
- Quais fatores podem favorecer a obesidade infantil e como os pais ou responsáveis podem contribuir para sua prevenção?
- Qual é a importância das atividades físicas, brincadeiras, sono e redução do tempo de telas na prevenção da obesidade infantil?
- O que são as “canetas emagrecedoras” e por que não devem ser utilizadas por conta própria?
- As “canetas emagrecedoras” substituem uma alimentação saudável e a atividade física?
- Como uma alimentação adequada e de qualidade pode contribuir para prevenir a obesidade?
Caroline DalabonaEntrevista com Caroline Dalabona, nutricionista da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.
Caroline, o que é obesidade e quais são os principais fatores que podem levar uma pessoa a desenvolver essa condição?
CAROLINE:
A obesidade é uma doença e ela acontece quando há um excesso de gordura no corpo. E esse excesso pode trazer riscos para a saúde dessa pessoa. Ela é considerada uma doença crônica multifatorial. Existem fatores genéticos, hormonais, metabólicos, emocionais, comportamentais e, também, fatores relacionados ao ambiente onde essa pessoa vive.
Programa de rádio Viva a Vida – 1829 - 12/10/2026 - Boa alimentação e combate à obesidade
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
A obesidade é muitas vezes associada apenas à falta de força de vontade. Por que essa visão é simplista e pode até prejudicar quem vive com obesidade?
CAROLINE:
Porque ela coloca toda a responsabilidade sobre a pessoa e ignora todos os outros fatores envolvidos. O nosso comportamento alimentar não acontece isoladamente. Não é simplesmente a escolha da pessoa.
Ela é influenciada pela rotina desse indivíduo, pelo ambiente onde ela vive, pelo preço dos alimentos, pela disponibilidade dos alimentos, pela publicidade, pelo sono, pelo estresse e por tantos outros fatores.
Além disso, o próprio organismo possui mecanismos que regulam a fome e a saciedade e isso tende a dificultar a perda e a manutenção do peso. Por isso, uma pessoa com obesidade precisa de cuidado e acompanhamento ao longo do tempo e não de julgamento.
Quais são os principais problemas de saúde que podem estar relacionados à obesidade e por que é importante prevenir e tratar essa doença?
CAROLINE:
A obesidade é uma doença crônica e ela é caracterizada pelo excesso de gordura no organismo. E isso pode aumentar o risco de vários problemas de saúde, dentre eles diabetes tipo 2, pressão alta, doença cardiovascular, alterações no fígado, problemas nas articulações, problemas no sono, entre outros.
Quando falamos de crianças, quais fatores podem favorecer a obesidade infantil e como os pais ou responsáveis podem contribuir para sua prevenção?
CAROLINE:
A família é a primeira escola da espiritualidade. É no cotidiano que a criança aprende valores como respeito, honestidade, solidariedade, gratidão, perdão e cuidado com o próximo.
Mais do que ensinar por palavras, a família educa pelo exemplo. Atitudes de acolhimento, escuta, diálogo, celebração da vida e resolução pacífica dos conflitos deixam marcas profundas na formação espiritual das crianças. E não podemos esquecer a educação não violenta.
Como a família deve agir quando percebe que uma criança está acima do peso?
CAROLINE:
A primeira atitude é procurar orientação de um profissional de saúde. Tem que fazer o acompanhamento de rotina dessa criança. Considerar idade, sexo, altura, peso, alimentação, hábitos de vida, tempo de sedentarismo, tempo de tela, tempo de atividade e toda a trajetória de crescimento ao longo do tempo.
Também é muito importante não fazer comentários depreciativos sobre o corpo da criança, nem transformar o momento de alimentação ou a alimentação em uma fonte de culpa, em promessas, em castigos, em até recompensas.
Caroline, além da alimentação, qual é a importância das atividades físicas, brincadeiras, sono e redução do tempo de telas na prevenção da obesidade infantil?
CAROLINE:
Bom, todos esses fatores fazem parte de um estilo de vida saudável. Para a criança, brincar é um direito, uma necessidade.
Então, brincar, correr, andar de bicicleta, dançar, praticar alguns esportes são formas importantes da criança se movimentar, também de se divertir e se desenvolver. Ela aprende muito com essas brincadeiras.
E o sono é fundamental para o crescimento dessa criança, para o desenvolvimento cerebral, desenvolvimento físico, cognitivo, emocional dessa criança, e também, para a saúde. Em relação ao tempo de tela, quanto menos tempo de tela, melhor. A ideia não é transformar a rotina dessa criança em regras rígidas, mas é preciso ter rotina.
Hoje fala-se muito nas “canetas emagrecedoras”. O que são e para quem podem ser indicadas e por que não devem ser utilizadas por conta própria?
CAROLINE:
Bom, realmente, as chamadas canetas emagrecedoras são, na verdade, medicamentos utilizados no tratamento de algumas condições de saúde, não simplesmente produtos para emagrecer.
A principal atuação deles é aumentar a saciedade e reduzir o apetite. E eles podem ser indicados para pessoas com obesidade, mas não para todo mundo. Não é qualquer pessoa que queira emagrecer que deve usar.
Esses medicamentos, essas canetas, não devem ser usados por conta própria. Eles causam efeitos colaterais e precisam ser indicados fazendo parte de um tratamento mais amplo, que vai incluir toda a parte da alimentação, atividade física, acompanhamento de saúde, ou seja, precisa ter um profissional de saúde indicando e acompanhando.
E, além disso, a gente precisa ficar muito atento, porque há medicamentos desses falsificados, de procedência duvidosa, que representam um risco grande para qualquer pessoa que os utilize.
Esses medicamentos substituem uma alimentação saudável e a atividade física?
CAROLINE:
De forma alguma, a gente sabe que esses medicamentos trazem um resultado muito bom, mas eles sozinhos não resolvem.
Eles devem fazer parte de um tratamento mais amplo, alimentação adequada, atividade física, sono e com acompanhamento dos profissionais de saúde. Tudo isso continua sendo muito importante.
Como uma alimentação adequada e de qualidade pode contribuir para prevenir a obesidade e por que é importante que alimentos saudáveis sejam acessíveis para todas as famílias?
CAROLINE:
Uma alimentação saudável não precisa e não deve ser complicada. A orientação do Ministério da Saúde é principalmente seguir as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira, que é valorizar os alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, o nosso arroz e feijão e outros alimentos tradicionais da nossa alimentação, do povo brasileiro e principalmente reduzir o consumo de ultraprocessados.
Tomar água é superimportante, valorizar as refeições preparadas em casa. E a gente sabe que ter uma alimentação saudável é uma questão de ter acesso, de ter aquilo disponível, próximo a você. As pessoas precisam ter condições de encontrar e comprar alimentos de qualidade.
Por isso, quando a gente fala de alimentação, é falar também da família, é falar da comunidade, é falar da agricultura e falar de políticas públicas e de segurança alimentar.
Leia a entrevista na íntegra
1829 - 12/10/2026 - Boa alimentação e combate à obesidade
2º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Fome zero e agricultura sustentável”
Erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável
3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Boa saúde e bem-estar”
Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
Dra. Zilda
“Quando você ensina as mães e famílias a cuidarem melhor dos filhos, você está construindo um mundo melhor, mais justo e fraterno para essas crianças.”
“É importante proteger verdadeiramente a infância e a adolescência como bens preciosos.”
