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O Maio Laranja é uma campanha nacional de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. O tema chama atenção para uma realidade preocupante e muitas vezes silenciosa: a violência sexual contra crianças. Dados oficiais da campanha apontam que, a cada hora, três crianças são abusadas no Brasil. Metade das vítimas tem entre 1 e 5 anos de idade. Na maioria dos casos, a violência acontece dentro de casa ou é praticada por alguém próximo da vítima, o que torna ainda mais importante a atenção da família, da escola, da comunidade e de toda a sociedade.

Mas como perceber os sinais de abuso? Como orientar as crianças sobre proteção do corpo e limites? E como agir diante de uma suspeita? Para refletir sobre essas questões, a entrevistada deste Tema da Semana é Cecília Landarin Heleno, analista de projetos do Centro Marista de Defesa da Infância, em Curitiba (PR). Na entrevista, ela explica os diferentes tipos de violência sexual, os sinais que podem indicar situações de abuso, a importância da prevenção e os canais de denúncia. Você pode ler a entrevista abaixo ou ouvir o conteúdo completo no player de áudio desta página..

1800 saneamento basico entrevistadaCecília Landarin Heleno

Entrevista com Cecília Landarin Heleno, analista de projetos do Centro Marista de Defesa da Infância, em Curitiba, Paraná.

Quais sinais podem indicar que uma criança ou adolescente está sofrendo algum tipo de abuso?

CECÍLIA:

É importante dizer que essa experiência é muito subjetiva. A maneira como a criança vivencia a situação é que vai determinar os sinais que ela demonstrará

Quando falamos de violência sexual, podemos observar comportamentos. Qualquer mudança de comportamento muito brusca é sempre um sinal de que pode haver alguma coisa errada. Podemos falar, por exemplo, de comportamentos hipersexualizados, de conhecimento incompatível com a idade da criança, desenhos ou assuntos que ela não deveria conhecer ou presenciar. Tudo isso pode indicar que a criança está sofrendo algum tipo de violência sexual ou presenciando situações que também configuram violência sexual.

Também podem surgir mudanças de comportamento, como não querer mais se relacionar ou falar com algum homem ou mulher da família, não querer mais ficar sozinha, não querer voltar para casa, deixar de fazer atividades que antes gostava de realizar. Tudo isso são sinais de que alguma coisa pode estar errada.

Existem também sinais físicos mais evidentes, principalmente quando há toque físico. Pode haver lesões nas partes íntimas, machucados, dores, corrimentos, entre outras situações.

Cecília, como a família e a comunidade podem acolher as crianças e adolescentes que sofreram algum tipo de abuso sexual?

CECÍLIA:

Existem três formas de conhecer uma situação de violência, e isso não vale apenas para a violência sexual: por meio do relato de terceiros, pelos sinais apresentados pela criança ou pelo relato da própria criança

O acolhimento é fundamental quando a criança relata a situação. É importante dar crédito ao que ela está dizendo, sem desconfiar em nenhuma hipótese. Se ela escolheu falar com você, é essencial que você esteja disponível para ajudá-la, sem julgamentos ou juízo de valor, fazendo os encaminhamentos necessários.

O acolhimento precisa partir do afeto e do vínculo já existente com aquela criança, em uma relação de proximidade. O mais importante é que ela saiba que não está sozinha e que conta com ajuda para enfrentar aquela situação, que muitas vezes ela própria ainda não identifica como violência.

Muitas crianças relatam essas situações como se fossem algo banal. Por isso, é fundamental que família, comunidade e escola estejam disponíveis para ouvir, não transfiram a responsabilidade, acreditem no relato e busquem ajudar da melhor forma possível. Agora, se a criança não contou nada, não recomendamos fazer uma abordagem direta.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1807 - 11/05/2026 - Maio Laranja

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Como conversar com crianças sobre proteção do corpo e limites de forma adequada para cada idade?

CECÍLIA:

A forma adequada depende da linguagem utilizada. Quando falamos de prevenção à violência sexual, precisamos explicar que algumas partes do corpo são íntimas e que somente podem ser tocadas em situações de cuidado ou necessidade de ajuda.

Também é importante ensinar a criança a reconhecer seus sentimentos, compreender seus limites e aprender a se expressar. A educação baseada no respeito é a base de tudo isso.

Cecília, se alguém suspeitar de abuso quais são os canais de denúncia?

CECÍLIA:

Se a pessoa for um profissional, o mais adequado é comunicar a instituição onde trabalha, para que ela faça os encaminhamentos necessários.

Se não houver encaminhamento da instituição, ou se a pessoa não for um profissional — mas sim um vizinho ou familiar, por exemplo — existem alguns canais importantes. O Conselho Tutelar é uma possibilidade. Também existem o Disque 100 e o Disque 181. O Ministério Público também possui canais de denúncia anônima.

Esses canais funcionam da seguinte forma: a pessoa faz o relato da situação, inclusive de forma anônima, e a informação chega ao Conselho Tutelar para providências.

Em situações flagrantes, que exigem intervenção imediata, a polícia é o canal mais adequado.

(TESTEMUNHO) Sandralina Santos Miranda, Coordenadora Arquidiocesana da Pastoral da Criança de Feira de Santana, estado da Bahia.

Sandralina, como os líderes da Pastoral da Criança ajudam no fortalecimento das famílias para que elas vivam em harmonia e em paz?

SANDRALINA:

A Pastoral da Criança fortalece as famílias por meio das visitas domiciliares, levando orientações sobre saúde, nutrição, educação, paz e cidadania.

Nessas visitas, conversamos com os pais sobre o desenvolvimento integral das crianças de zero a seis anos, promovendo a convivência amorosa, a prevenção de riscos e o fortalecimento dos vínculos entre pais e filhos.

Leia a entrevista na íntegra

1807 - 11/05/2026 - Maio Laranja

 

45º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Igualdade de gênero”.

Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas

1616º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

"Paz, Justiça e Instituições Eficazes"

Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis

Dra. Zilda

“As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças.”

Papa Leão XIV

“Ninguém pode deixar de favorecer contextos em que a dignidade de cada pessoa é protegida, especialmente a das mais frágeis e indefesas.”