
Líder Márcia Rosa, no Rio Grande do Sul, acompanha o menino Théo desde pequeno
Nesta semana, em que se comemora o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo (2 de abril), o tema em destaque é a importância do diagnóstico precoce, do tratamento terapêutico e do enfrentamento ao preconceito. Uma em cada 36 crianças é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme dados do CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. Diante desse cenário, torna-se essencial compreender melhor o que é o TEA e de que forma é possível apoiar o desenvolvimento de crianças com autismo. Diferentemente do que muitos imaginam, o autismo não é uma doença, mas sim um transtorno complexo do neurodesenvolvimento, cujas causas ainda são pouco conhecidas.
Para abordar o tema, a psicóloga Lara Helena de Souza Frasson, autista e atuante em Curitiba (PR), foi convidada a compartilhar seus conhecimentos e experiências.
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Crianças com diferença no funcionamento de seu organismo
e-Autismo
Pastoral da Criança - Material EAD

Lara Helena de Souza Frasson, psicóloga, autista, que trabalha em Curitiba, Paraná.
ENTREVISTA COM: Lara Helena de Souza Frasson, psicóloga, autista, que trabalha em Curitiba, Paraná.
Quais são os sinais de autismo que os pais podem perceber no bebê e que precisam procurar ajuda?
Nós nascemos autistas, não é algo que a gente passa a ter ao longo da vida. Então, desde bebê a gente consegue já perceber alguns sinais. O bebê autista, por exemplo, tem dificuldade de manter o contato visual. Ele tende a ficar menos receptivo aos sons do ambiente, a perceber os estímulos. Quando a gente conversa com o bebê autista, ele tende a não prestar tanta atenção, a não reagir tanto. Ele fica mais focado nas coisas que são ali do interesse dele. Então, a gente chama o bebê, ele não olha. Quando a mãe está amamentando, ele não faz tanto contato visual, não tem tanta essa conexão. A gente faz barulhos perto dele e ele não está responsivo, ele fica mais passivo. A gente já pode perceber alguns comportamentos repetitivos.
Como a família pode contribuir com os cuidados e estímulos necessários para o desenvolvimento da criança autista?
A família é essencial. A gente não tem avanços se a família não está engajada com a gente nas terapias. Então, é realmente a família que vai passar a entender o mundo através dessas lentes da mente do filho dela. É conseguir entender aquela sensação, o que acontece, como ele funciona, as coisas que dão crises, as coisas que ele gosta e que acalmam ele, conseguir adaptar o ambiente para que fique mais fácil essa trajetória, essa jornada com a criança. Então, toda intervenção que realmente é séria, é para que os pais saibam para o filho deles como eles precisam estar agindo.
Programa de rádio Viva a Vida 1749 – 31/03/2025 – Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Quais são os principais direitos e benefícios sociais do autista?
Bom, para efeitos legais, a pessoa autista é uma pessoa com deficiência e ela tem todos os direitos da lei brasileira para a pessoa com deficiência. A gente tem direito a ter fila prioritária, atendimento prioritário. A gente tem direito à isenção de alguns impostos, IPTU, IPVA, compra de carro. As famílias de baixa renda têm direito ao BPC - Benefício de Prestação Continuada, que é o benefício para pessoas com deficiência no governo. A gente tem direito a que os acompanhantes estejam conosco nos ambientes. Tudo isso não é privilégio. Isso é o direito de estarmos incluídos na sociedade de uma maneira com que a gente consiga estar bem, para que a gente possa conviver da mesma forma com que todas as outras pessoas, de ter lazer, diversão, saúde e educação. Infelizmente esses direitos são muito negligenciados e eu acho que a questão da inclusão escolar é uma das nossas prioridades na nossa luta, porque ela ainda é muito precária e a gente não pode deixar de lutar por isso.

Márcia Rosa, líder da Pastoral da Criança na Diocese de Frederico Westphalen, Paróquia Santo Antônio, Comunidade Vila Paraíso, em Palmeira das Missões - Rio Grande do Sul..
(TESTEMUNHO) Márcia Rosa, líder da Pastoral da Criança na Diocese de Frederico Westphalen, Paróquia Santo Antônio, Comunidade Vila Paraíso, em Palmeira das Missões - Rio Grande do Sul.
Márcia, como os líderes da Pastoral da Criança orientam as famílias que têm crianças com autismo?
Há quatro anos e nove meses acompanho Théo, menino autista, e sua família, oferecendo apoio espiritual e orientação para que encontrem sentido e propósito em sua caminhada. Além disso, estendo minha escuta e acolhimento para ajudá-los a enfrentar os desafios emocionais do autismo com mais serenidade e esperança. Minha missão também inclui auxiliar na busca por recursos e soluções que melhorem a qualidade de vida do Théo e fortaleça a sua família. Esse compromisso reflete o verdadeiro propósito da Pastoral da Criança, estar presente e compartilhar amor e levar fé e solidariedade a quem mais precisa.
Leia a entrevista na íntegra
1749 – 31/03/2025 – Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo
4º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.
4.5
Até 2030, eliminar as disparidades de gênero na educação e garantir a igualdade de acesso a todos os níveis de educação e formação profissional para os mais vulneráveis, incluindo as pessoas com deficiência, povos indígenas e as crianças em situação de vulnerabilidade.
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Dra. Zilda
“Na Pastoral da Criança, você é aquele anjo, ungido por Deus para a missão especial de garantir a vida e a dignidade das crianças em sua comunidade e no país”.
Papa Francisco
“Encorajo vocês a continuarem o seu trabalho caminhando junto às pessoas com autismo: não só para elas, mas antes de mais nada com elas".