Acesso à mamografia no SUS foi ampliado para mulheres a partir de 40 anos. Foto: José Cruz / Agência Brasil

O Outubro Rosa chama a atenção para o câncer de mama e para a importância de cuidar da saúde da mulher durante todo o ano. Conhecer os sinais da doença, buscar orientação sobre a mamografia e ter acesso ao diagnóstico e ao tratamento são partes desse cuidado. Qualquer mudança na mama merece avaliação, mesmo quando não causa dor. 

O câncer de mama pode ser identificado antes de apresentar sintomas, e a detecção precoce, acompanhada do tratamento adequado, contribui para reduzir a mortalidade. Já no câncer do colo do útero, a vacinação contra o HPV e o rastreamento, com tratamento das lesões precursoras quando necessário, permitem prevenir o desenvolvimento da doença. 

Na entrevista a seguir, a médica pediatra Ana Lea Clementino, também líder da Pastoral da Criança, esclarece dúvidas sobre sintomas, fatores de risco, exames e qualidade de vida durante e após o tratamento. 

Para a Pastoral da Criança, informação e acolhimento caminham juntos, respeitando as necessidades de cada mulher e incentivando o acesso aos serviços de saúde.

Leia a entrevista completa abaixo ou ouça o áudio no player desta página.

Neste conteúdo você encontrará:

• O câncer de mama costuma causar sintomas logo no início ou pode se desenvolver silenciosamente?

• O câncer de mama acontece apenas por herança genética?

• Quais exames são utilizados no diagnóstico do câncer de mama e quando cada um é indicado?

• O Ministério da Saúde ampliou recentemente o acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos. O que mudou e por que essa medida é importante?

• Como a prevenção pode contribuir para a eliminação do câncer do colo do útero?

• Uma paciente em tratamento de câncer ou após a cura pode retomar sua rotina?

• Como a família pode ajudar a paciente? E como mulheres que estão longe da família podem ser amparadas?

• As mulheres no Brasil estão com os exames de câncer de mama e do colo do útero em dia?

Dra. Ana Lea Clementino

Entrevista com Dra. Ana Lea Clementino, médica pediatra e líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná.

O câncer de mama costuma causar sintomas logo no início ou pode se desenvolver silenciosamente?

DRA. ANA LEA:

Na maioria das vezes, o câncer de mama começa de forma silenciosa. Por isso, muitas mulheres não sentem dor nem apresentam sintomas nas fases iniciais. É justamente aí que está a importância dos exames preventivos.

Quando aparecem, os sinais mais comuns são nódulo endurecido na mama ou na axila, alterações no formato ou no tamanho da mama, retração da pele ou do mamilo, vermelhidão persistente, aspecto de casca de laranja na pele e saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente se for sanguinolenta.

É importante lembrar que a dor, sozinha, raramente é o primeiro sinal de câncer. Também vale conhecer o próprio corpo: perceber uma mudança diferente do habitual já é motivo para procurar um profissional de saúde.

Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de um tratamento menos agressivo e as chances de cura, que podem ultrapassar 90% nos casos diagnosticados precocemente.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1827 - 28/09/2026 - Outubro Rosa

 

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

O câncer de mama acontece apenas por herança genética?

DRA. ANA LEA:

Não. Esse é um dos maiores mitos. A maioria dos casos de câncer de mama não é hereditária. Apenas cerca de 5% a 10% estão relacionados a alterações genéticas herdadas, como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Os demais casos resultam da combinação entre envelhecimento, fatores hormonais e estilo de vida.
Manter um peso saudável, praticar atividade física regularmente, evitar bebidas alcoólicas, não fumar e priorizar uma alimentação equilibrada ajudam a reduzir o risco. A amamentação também exerce um efeito protetor para a mãe, principalmente quando acontece por períodos mais prolongados.

Mulheres com histórico familiar importante devem conversar com seu médico, pois podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo.

Quais exames são utilizados no diagnóstico do câncer de mama e quando cada um é indicado?

DRA. ANA LEA:

O primeiro passo é a avaliação clínica feita por um profissional de saúde. Se houver alguma alteração ou a mulher estiver na faixa etária indicada para iniciar o rastreamento, podem ser solicitados exames de imagem

A mamografia continua sendo o principal exame para detectar lesões pequenas, muitas vezes antes de serem palpáveis. Em mulheres mais jovens ou em situações específicas, o ultrassom complementa a investigação, principalmente porque as mamas costumam ser mais densas. Em alguns casos, também pode ser indicada a ressonância magnética.

Quando existe uma suspeita, o diagnóstico definitivo é feito por meio de uma biópsia, que retira um pequeno fragmento do tecido para análise em laboratório. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, as chances de cura são muito altas, o que reforça a importância de não adiar a procura por atendimento.

O Ministério da Saúde ampliou recentemente o acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos. O que mudou e por que essa medida é importante?

DRA. ANA LEA:

Essa é uma notícia muito importante para a saúde da mulher. O Ministério da Saúde ampliou a oferta de mamografia, buscando aumentar o diagnóstico precoce e reduzir a mortalidade por câncer de mama, já que 40% dos diagnósticos de câncer são feitos em mulheres com menos de 50 anos.

É importante destacar que as recomendações podem variar conforme o histórico individual e a disponibilidade dos serviços de saúde. Nenhuma recomendação substitui a avaliação individual feita pelo profissional de saúde.

O mais importante é que nenhuma mulher espere sentir algo para procurar orientação. Detectar o câncer ainda pequeno aumenta as possibilidades de cura e pode evitar tratamentos mais complexos.

Como a prevenção pode contribuir para a eliminação do câncer do colo do útero?

DRA. ANA LEA:

O câncer do colo do útero é um excelente exemplo de que prevenir funciona. Praticamente todos os casos estão relacionados à infecção persistente pelo HPV, um vírus muito comum.

Temos duas estratégias extremamente eficazes. A primeira é a vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos na faixa etária recomendada, de 9 a 14 anos.

A segunda é a realização de exames preventivos, como o Papanicolau e, cada vez mais, o teste molecular para HPV, que consegue identificar alterações antes que elas se transformem em câncer. Isso significa que podemos tratar as lesões precocemente e impedir o aparecimento da doença.

Uma paciente em tratamento de câncer ou após a cura pode retomar sua rotina?

DRA. ANA LEA:

Na maioria dos casos, sim. Os tratamentos evoluíram muito e permitem que muitas mulheres mantenham uma boa qualidade de vida durante e depois do tratamento.

Dependendo da fase da doença e do tipo de tratamento, pode haver períodos de maior cansaço ou necessidade de afastamento das atividades. Muitas pacientes, porém, continuam trabalhando, convivendo com a família e realizando suas atividades do dia a dia, com os ajustes necessários.

Depois da conclusão do tratamento, grande parte retoma a rotina, embora continue fazendo acompanhamento médico periódico. Também é importante cuidar da saúde emocional, da alimentação, da atividade física e do controle de outras doenças.

Receber o diagnóstico de câncer não significa deixar de viver. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores costumam ser as chances de cura e de retorno a uma vida ativa e produtiva.

Como a família pode ajudar a paciente? E como mulheres que estão longe da família podem ser amparadas?

DRA. ANA LEA:

O apoio da família é muito importante, e pequenos gestos fazem a diferença. Ajudar nas consultas, acompanhar o tratamento, colaborar nas tarefas do dia a dia, ouvir sem julgamento e respeitar o tempo da paciente são atitudes valiosas.

Também é importante evitar o excesso de informações sem fundamento ou opiniões que possam aumentar a ansiedade e a insegurança da mulher.

Para as mulheres que moram sozinhas ou estão longe da família, a rede de apoio pode ser formada por amigos, vizinhos, colegas de trabalho, comunidades religiosas, grupos de pacientes e pelos próprios serviços de saúde, que muitas vezes contam com psicólogos, assistentes sociais e equipes multiprofissionais.

As mulheres no Brasil estão com os exames de câncer de mama e do colo do útero em dia?

DRA. ANA LEA:

Infelizmente, não. Ainda estamos longe da cobertura ideal. No caso do câncer do colo do útero, muitas mulheres deixam de fazer o exame preventivo na frequência recomendada, principalmente por dificuldade de acesso, falta de tempo, vergonha ou por acreditarem que, como não têm sintomas, está tudo bem.

Com a mamografia, acontece algo semelhante. Muitas mulheres na faixa etária indicada nunca realizaram o exame ou o fazem com intervalos maiores do que o recomendado. Como consequência, ainda vemos um número importante de casos diagnosticados em fases avançadas, quando o tratamento costuma ser mais complexo.

A boa notícia é que tanto o câncer de mama quanto o câncer do colo do útero oferecem uma oportunidade real de diagnóstico precoce. A campanha Outubro Rosa é um excelente momento para cada mulher verificar se seus exames estão em dia e, se não estiverem, procurar a unidade de saúde ou conversar com seu médico.

Leia a entrevista na íntegra

1827 - 28/09/2026 - Outubro Rosa

 

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