Mais do que um tipo de parto, o parto humanizado é a maneira respeitosa como o parto é realizadoFotos: Aline de Paula
Como será o parto? Poderei me movimentar? Quem poderá ficar comigo? Minhas decisões serão respeitadas? À medida que o nascimento se aproxima, essas e muitas outras perguntas podem aumentar a ansiedade da gestante.
Ter acesso a informações confiáveis não elimina todas as incertezas, mas ajuda a mulher a se preparar, participar das decisões e reconhecer quando está recebendo um atendimento respeitoso. É nesse contexto que se fala em parto humanizado.
Parto humanizado não é uma via de nascimento
Parto humanizado não é sinônimo de parto normal nem significa evitar uma cesariana a qualquer custo. Mais do que a via de nascimento, o que define a humanização é a maneira como a mulher é acolhida e participa desse momento.
Esse modelo coloca a gestante no centro do cuidado, respeitando suas escolhas, seu tempo e suas necessidades. O atendimento deve ser baseado em evidências científicas, com intervenções realizadas apenas quando necessárias. Entre as práticas recomendadas estão a liberdade de movimento e a possibilidade de escolher diferentes posições durante o trabalho de parto, sempre de acordo com as condições da mãe e do bebê.

Informação ajuda a proteger os direitos da gestante
Toda gestante tem direito a receber explicações claras sobre os procedimentos, participar das decisões e ser atendida com respeito, segurança e sem discriminação. Também tem direito a um acompanhante de sua escolha e, quando atendida pelo SUS, a conhecer previamente a maternidade de referência.
O plano de parto pode ajudar a organizar as preferências da gestante e facilitar o diálogo com a equipe de saúde. Conhecer esses direitos também contribui para identificar e prevenir situações de desrespeito e violência obstétrica.
Na Pastoral da Criança, o cuidado com a criança começa ainda durante a gestação. No acompanhamento às famílias, os líderes voluntários acolhem as gestantes, incentivam a realização do pré-natal e reforçam a importância da informação, do apoio familiar e do cuidado em todas as etapas da gravidez.
Neste conteúdo, a enfermeira obstétrica Aline de Paula explica o que é o parto humanizado, seus benefícios, a importância do plano de parto, os direitos da gestante, a participação da família e como agir diante de uma situação de violência obstétrica.
Você pode ler o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo você encontrará:
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O que é parto humanizado?
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Quais são os principais benefícios do parto humanizado para a mãe e para o bebê?
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Quais são os principais direitos da gestante durante o pré-natal, o parto e o pós-parto?
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O que é o plano de parto e como fazer?
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O que é violência obstétrica?
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O que fazer caso os direitos da gestante sejam desrespeitados ou sofra uma situação de violência obstétrica?
Aline de Paula - enfermeira obstetraEntrevista com Aline de Paula, Enfermeira Obstetra.
Para começarmos, Aline, o que é parto humanizado?
ALINE:
O parto humanizado é um parto informado. A mulher, quando ela vai com informação para a cena do parto, para a maternidade, ela tem menos chance de ter uma intervenção desnecessária, uma violência obstétrica. Então, a humanização é você respeitar o desejo da mulher, trazer a mulher como protagonista, desde que tudo esteja correndo bem. Claro que se tivermos uma intercorrência, se a gente precisar de uma intervenção a mais, tudo isso tem que ser explicado para a mulher. Então, parto humanizado é isso.
Programa de rádio Viva a Vida – 1823 - 31/08/2026 - Parto Humanizado
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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Aline, quais são os principais benefícios do parto humanizado para a mãe e para o bebê?
ALINE:
Para a mãe é o protagonismo. A gente sempre brinca que a mulher sabe parir e o bebê sabe nascer. A gente está ali para dar o suporte, para assistir e para agir na hora que tiver que intervir. Então, a gente deixa o protagonismo da mulher, deixa fluir o trabalho de parto, intervém na hora que tem que intervir. Para o bebê, é a parte do tempo, do trabalho de parto, os hormônios que vão trabalhando ali para melhorar a parte pulmonar do bebê na hora que nascer. Um parto normal é muito melhor do que uma cesárea.
Desde que não tenha uma indicação de cesárea. O parto normal ajuda muito na função pulmonar do neném, então ele reduz significativamente a chance desse bebê ter um distress (desconforto) respiratório. Nós promovemos o contato pele a pele num parto humanizado. O que é o contato pele a pele? É o bebê sair do canal vaginal e ir direto para o colo da mãe, pele a pele. Então, o principal motivo do contato pele a pele é o fornecimento de calor, para o bebê não perder temperatura. Já promovemos a amamentação, que é super importante, tanto para a mãe quanto para o bebê. Prevenção de hemorragia pós-parto, ajuda já ali a engrenar a amamentação depois do parto; ajuda a regular a frequência cardíaca, a frequência respiratória, do bebê. E esse contato pele a pele, ele dura no mínimo uma hora ininterrupta (sem pausa), a não ser, claro, que tenha alguma intercorrência. Aí a gente não consegue fazer o contato pele a pele.
Quais são os principais direitos da gestante durante o pré-natal, o parto e o pós-parto?
ALINE:
A primeira coisa é que a gestante tem direito a um acompanhante durante todo o seu pré-natal, em todas as consultas, durante o parto, desde a internação até a alta hospitalar, e nas consultas pós-parto. Qual é o outro principal direito da gestante? Um bom pré-natal. Um pré-natal de qualidade, um pré-natal com informação.
Eu queria que todas as gestantes pudessem ter um acompanhamento com a enfermeira obstétrica. Assim, deveria ser o protocolo no Brasil inteiro, porque eu levo, por exemplo, numa consulta de educação perinatal, num atendimento que eu faço, eu levo ali mais ou menos umas duas horas para a gente conversar sobre toda a fisiologia de como o parto funciona, para explicar para esse acompanhante que vai ter um momento lá no trabalho de parto, que a mulher vai querer desistir, que a mulher vai querer cesárea, que ela não dá conta, o que leva muitas mulheres a optar por uma cesárea. Muitas vezes, não tem uma indicação, simplesmente pelo fato de que tem medo do parto normal e isso é falta de informação.
A Pastoral da Criança sempre orienta e incentiva que a gestante faça um plano de parto. Aline, o que é o plano de parto e como fazer?
A Pastoral da criança sempre orienta e incentiva que a gestante faça um plano de parto. Aline, o que é o plano de parto e como fazer?
ALINE:
O plano de parto, ele é um documento que respalda a mulher, o acompanhante, contra violência obstétrica. Então, nesse plano de parto, claro que assim, a gente não consegue simplesmente dar um plano de parto para mulher, ah leia aí e preencha, se a gente não conseguir fazer uma boa educação perinatal antes, explicar como o parto funciona, porque como que ela vai saber o que ela quer e o que ela não quer no dia do parto se ela não sabe o que pode ter no dia do parto? Porque a gente tem as intervenções, as intercorrências. Às vezes precisa tirar o bebezinho a ferro. Então, ela tem que entender em quais momentos pode ser feito tal coisa. Porque você coloca as suas preferências. Claro que tudo dentro do cenário possível. Quando passa a ter alguma intercorrência, às vezes, a gente acaba mudando os planos, mas tudo consentido.
Hoje, infelizmente, ainda algumas mulheres sofrem violência obstétrica. Aline, o que é violência obstétrica? Poderia citar alguns exemplos?
ALINE:
Violência obstétrica é tudo que vai contra o seu consentimento, tudo que violenta o teu corpo. Um exemplo muito clássico é a episiotomia (corte cirúrgico na região entre a vagina e o ânus).
Antigamente os partos aconteciam onde? Em casa, no ambiente domiciliar, com as mulheres da família, no conforto do lar, só que aí começou a ter muita intercorrência, mulheres começaram a ter hemorragia, mulheres começaram a morrer, bebês começaram a morrer intraparto (durante o parto) também, então tiraram essa mulher do ambiente domiciliar e levaram para o hospital. No intuito de salvar vidas, inventaram a cesárea, instrumentalizando o parto, o fórceps, que é aquele ferro que a gente tira o bebê. A episiotomia, que é o corte lá na vagina, tudo isso para salvar. Só que aí, o que eles começaram a perceber? Que fazendo tudo isso, acelerava para eles. Eles não precisavam mais esperar muitas horas para o trabalho de parto acontecer. Então, eles começaram a fazer, por exemplo, a episiotomia, que é o corte, de rotina. A mulher nem precisava do corte e fazia, porque tinha que acelerar. Há evidência científica, os estudos já trazem que não tem mais necessidade de fazer esse corte em hipótese nenhuma. Mas há casos ainda, que há controvérsias. Mas fazer o corte sem você avisar a paciente que está fazendo, sem se comunicar com o acompanhante, sem pedir o consentimento da paciente, explicar o motivo do porquê você está fazendo aquilo, é uma baita violência obstétrica.
Outro exemplo, a mulher está com dor, geralmente a mulher grita no trabalho de parto. Grita, grita... E para nós é muito bom, porque quando a gente grita, vocaliza, a gente abre o assoalho pélvico. E aí vem certa pessoa, vem um profissional e fala assim, “ai mãezinha, não fique gritando desse jeito”. Ou, por exemplo, “não grite, senão o médico não vai te atender”. São exemplos muito comuns também que acontecem e são violências obstétricas.
Você não autorizar o acompanhante, a entrada do acompanhante. Então, esses são alguns pequenos exemplos. Tem muitos outros aí, né?
Aline, o que fazer caso os direitos da gestante sejam desrespeitados ou sofra uma situação de violência obstétrica?
ALINE:
É triste, mas assim, quem sofre violência obstétrica tem total direito de denunciar. Nós temos canais de denúncia, 180, que é a central de atendimento à mulher, tem um Disque 136, que é o Disque Saúde, que vai na delegacia da mulher, que você pode registrar o boletim de ocorrência, pede o prontuário médico, porque eles vão fazer toda a análise do que foi feito. Então, vale à pena ir atrás dos direitos, porque é muito triste a mulher estar num momento tão importante e ao mesmo tempo tão vulnerável e aí sofrer algum tipo de violência.
Leia a entrevista na íntegra
1823 - 31/08/2026 - Parto Humanizado
3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Boa saúde e bem-estar”
Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
16º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
"Promover"
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
Dra. Zilda
“A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social. A Paz é uma conquista coletiva”.
“Diante da realidade de tantas mães que vivem a gravidez em condições de solidão ou de marginalidade, sinto o dever de recordar que a comunidade civil e a comunidade eclesial devem se empenhar com constância para devolver à maternidade a sua plena dignidade.”
