Foto: acervo Pastoral da CriançaAo refletir sobre a presença feminina na história, o Papa Leão XIV afirmou que Deus não encontrou apenas uma, mas muitas mulheres fortes e corajosas. São mulheres que, de acordo com as palavras do Santo Padre, “não hesitaram em enfrentar desafios, assumir riscos e dizer ‘sim’ ao chamado para servir, cuidar e transformar realidades, mesmo em tempos difíceis”.
Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, reconhecer a força feminina também exige avançar em justiça concreta. Como explica a professora Camila Matos, a busca não é apenas por igualdade, mas por equidade, ou seja, por condições reais para que todas as mulheres tenham acesso a oportunidades, direitos e espaços de decisão.
Na entrevista ao Programa Viva a Vida desta semana, a coordenadora-executiva da Rede de Mulheres Negras do Paraná fala sobre educação, racismo estrutural, mercado de trabalho, sobrecarga e representatividade. Leia e ouça o conteúdo completo e aprofunde essa reflexão conosco.
Camila MatosEntrevista com Camila Matos, professora de Sociologia e coordenadora-executiva da Rede de Mulheres Negras do Paraná.
Qual é a diferença entre igualdade e equidade quando falamos sobre as mulheres na sociedade? Por que a luta é pela equidade?
CAMILA:
A principal diferença entre igualdade e equidade é que a igualdade parte do pressuposto de que todo mundo precisa ser tratado da mesma forma, como se todas as pessoas tivessem as mesmas condições de vida e de acesso. Mas a realidade mostra que as mulheres, especialmente em sociedades marcadas por desigualdades históricas, como é o caso do Brasil, não partem do mesmo ponto.
A equidade fala de reconhecer essas diferenças e garantir que cada pessoa possa alcançar, de forma real, as oportunidades. Então, essa luta não é simplesmente para igualar, mas é uma luta permanente para corrigir desigualdades produzidas ao longo dos séculos.
Programa de rádio Viva a Vida – 1797 - 02/03/2026 - Dia da mulher e a busca pela equidade
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Como o racismo estrutural impacta a vida e as oportunidades das mulheres negras no Brasil?
CAMILA:
O racismo estrutural opera ao longo dos séculos de forma silenciosa, naturalizada e contínua. Ele organiza instituições, práticas sociais e expectativas, criando barreiras mesmo onde não há intenção explícita. Para nós, mulheres negras, isso significa enfrentar a discriminação de gênero somada à racial e à de classe.
Com a incidência do racismo estrutural, recebemos salários menores, temos menos oportunidades e ficamos mais expostas à violência. Segundo dados governamentais, mulheres negras têm o dobro de risco de sofrer violência, inclusive violência letal. Há também menor cuidado com a nossa saúde e maior dificuldade de ascensão social. Essas desigualdades não são fruto de escolhas individuais, mas de um sistema que distribui vantagens e desvantagens de forma desigual.
Como o reconhecimento e a valorização do trabalho doméstico da mulher contribuem para a igualdade de gênero?
CAMILA:
O trabalho doméstico sustentou, ao longo dos séculos, a base da sociedade. Há quem limpa, cuida, organiza e prepara, permitindo que outras pessoas possam estudar, trabalhar e produzir. No entanto, esse trabalho, naturalizado como obrigação feminina, nunca recebeu o devido valor.
Quando a sociedade reconhece esse valor, é possível avançar na divisão de tarefas e no diálogo sobre a justa distribuição do trabalho doméstico. Isso cria possibilidades de construção de políticas para reduzir desigualdades entre homens e mulheres. Grande parte do trabalho doméstico tem relação histórica com o processo de escravização de mulheres e homens negros, por isso também envolve a dimensão racial, sendo um trabalho que recaiprincipalmente sobre mulheres negras.
De que forma a representatividade feminina, especialmente de mulheres negras, inspira mudanças nas próximas gerações?
CAMILA:
Quando estamos nesses espaços de construção política e social, meninas e jovens nos veem como possibilidade real na ciência, na cultura, na política, na educação e na comunicação. Isso amplia o imaginário coletivo de possibilidades.
A representatividade ajuda a transformar esses espaços e cria novos referenciais, para que as novas gerações se sintam acolhidas e pertencentes.
(MENSAGEM) Maria Inês Monteiro de Freitas, Coordenadora nacional da Pastoral da Criança.
Maria Inês, qual é a sua mensagem para o Dia da Mulher?
MARIA INÊS:
O Dia da Mulher nos faz recordar as muitas lutas enfrentadas pelas mulheres. É um dia para reconhecer a força, a história e a contribuição de todas as mulheres em todos os tempos. Parabenizo especialmente as líderes da Pastoral da Criança, que fazem a diferença onde atuam, com sua presença, voz e perseverança na missão junto às famílias e comunidades.
A data também nos chama a refletir sobre o que ainda precisa mudar: a desigualdade, a violência, o preconceito e a sobrecarga da jornada tripla. Que esse dia inspire união, diálogo e compromisso na construção de um mundo mais justo, acolhedor e fraterno para todas as mulheres. Feliz Dia da Mulher!
Leia a entrevista na íntegra
1797 - 02/03/2026 - Dia da mulher e a busca pela equidade
5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Igualdade de gênero”
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
10º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Redução das desigualdades”
Reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países
16º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
"Paz, Justiça e Instituições Eficazes"
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
Dra. Zilda
“Louvo a Deus por você existir e pelos seus gestos de amor verdadeiro, nunca medindo esforços para cada vez mais ajudar as famílias a cuidarem melhor de seus filhos e as gestantes a terem uma gestação saudável”.
Papa Leão XIV
“A mulher forte é mais preciosa que pérolas, e em muitas histórias Deus não encontrou apenas uma, mas muitas mulheres fortes e corajosas que enfrentaram riscos e desafios para viver e testemunhar sua fé”.
