A Pastoral da Criança realizará duas lives sobre ações que fazem parte do dia a dia da missão: a Visita Domiciliar e a Celebração da Vida. Os encontros serão transmitidos às 20h (de Brasília) pelo canal da Pastoral da Criança no YouTube.
A Pastoral da Criança realizará duas lives sobre ações que fazem parte do dia a dia da missão: a Visita Domiciliar e a Celebração da Vida. Os encontros serão transmitidos às 20h (de Brasília) pelo canal da Pastoral da Criança no YouTube.
Tema da Semana Mundial da Amamentação em 2026O Agosto Dourado é dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno e à defesa das condições necessárias para que as mulheres possam amamentar. O Ministério da Saúde recomenda que o bebê receba somente leite materno nos primeiros seis meses de vida e que a amamentação continue, junto com a alimentação complementar, até os dois anos ou mais.
O leite materno oferece os nutrientes de que o bebê precisa, ajuda a protegê-lo contra infecções e contribui para seu crescimento e desenvolvimento. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que o aleitamento materno possa reduzir em até 13% as mortes de crianças menores de cinco anos por causas evitáveis. A amamentação também traz benefícios para a saúde da mulher.
Fortalecer o que funciona
A Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026 tem como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”. Definida pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno, a campanha propõe reconhecer e ampliar políticas, serviços e práticas que já apresentam bons resultados na proteção, na promoção e no apoio à amamentação.
A proposta também reforça que a amamentação contribui para a saúde, a nutrição, a segurança alimentar e a sustentabilidade. Para avançar, é necessário acompanhar os resultados das ações, aprender com experiências bem-sucedidas e transformar essas evidências em políticas públicas e apoio contínuo às famílias.
Amamentar depende de apoio
Embora seja realizada pela mulher, a amamentação não deve ser tratada como uma responsabilidade exclusivamente individual. Para que ela aconteça, a mãe precisa receber informação segura, acolhimento e apoio da família, dos profissionais e serviços de saúde, dos locais de trabalho, das comunidades e do poder público.
Combater a desinformação e garantir acesso às unidades básicas de saúde e aos bancos de leite humano também são medidas fundamentais. Mais do que dizer que a mulher deve amamentar, é preciso assegurar condições para que ela possa fazer isso com segurança, respeito e acompanhamento adequado.
A atuação da Pastoral da Criança
A promoção do aleitamento materno é uma das principais bandeiras da Pastoral da Criança. Desde a gestação, líderes voluntários capacitados visitam e orientam as famílias sobre a importância da amamentação exclusiva até os seis meses e de sua continuidade, junto com outros alimentos, até os dois anos ou mais. Esse acompanhamento próximo ajuda a esclarecer dúvidas, combater informações incorretas e incentivar a busca por atendimento nos serviços de saúde sempre que necessário.
Saiba mais
No conteúdo a seguir, conversamos com Camila da Silva Pereira, nutricionista que atua em Curitiba, no Paraná, e integrante da IBFAN Brasil - Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar.
Na entrevista, ela apresenta informações importantes sobre o aleitamento materno e responde a dúvidas frequentes das famílias. Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.
Neste conteúdo, você vai encontrar:
Como o aleitamento materno contribui para a sustentabilidade ambiental e para a segurança alimentar e nutricional?
Quais são os impactos negativos do não aleitamento materno para o meio ambiente?
Quais são os prejuízos da não amamentação para o serviço de saúde?
Quais são os benefícios do aleitamento materno para o bebê e para a mãe?
Como o aleitamento materno é uma responsabilidade coletiva?
O que funciona? E por que o que funciona é tão importante?
Como lutar contra o desestímulo ao aleitamento materno?
Onde a mulher pode buscar ajuda?
Nutricionista Camila da Silva PereiraEntrevista com Camila da Silva Pereira, nutricionista e membro da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN Brasil).
CAMILA:
A sustentabilidade é a forma que a gente precisa pensar o mundo para atender as necessidades da população, sem comprometer o mundo para as gerações futuras. De uma forma geral, se a gente parar para pensar o aleitamento materno, a amamentação, ela seria a prática mais pronta para a gente mostrar realmente o que é sustentabilidade. O leite materno não vai gerar resíduo, o aleitamento não vai depender de produção de cadeia industrial, não vai consumir água para ser produzido, além da água que a mãe já ingere para si mesma, não emite gases que são poluentes. É um recurso 100% natural e que se renova o tempo todo. E para segurança alimentar e nutricional, o leite materno vai trazer todas as outras partes da sustentabilidade, protegendo esse bebê de possíveis problemas, dando a ele a oportunidade de ter o melhor alimento para o seu desenvolvimento.
Programa de rádio Viva a Vida – 1820 - 10/08/2026 - Agosto Dourado
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
CAMILA:
Quando a gente não amamenta, o bebê vai depender do uso de fórmulas lácteas comerciais e vão gerar impactos ambientais graves e diretos. Então, a produção desses leites requer extração de água intensiva, produção de embalagem que gera plástico, metal, gastos com transporte, emissão de poluentes e processamento industrial, que também vai acabar emitindo poluentes e carbono. Os estudos recentes mostram que o impacto da fabricação desse tipo de fórmula láctea gera milhões de toneladas de resíduo e contribui muito significativamente para emissões de gases de efeito estufa.
CAMILA:
Então, as crianças que não recebem leite humano, a gente já sabe que têm maior quantidade de infecção no primeiro ano de vida, respiratória, gastrointestinais. Diagnóstico de alergias e doenças crônicas até na primeira infância e adolescência são relacionadas com a falta de leite materno, com obesidade e diabetes. Isso vai gerar mais consultas, mais hospitalização e mais custo para o sistema de saúde pública. E para as mães o risco aumentado de câncer de mama, câncer de ovário, depressão pós-parto, diabetes tipo 2, que também vão gerar custos para os serviços de saúde.
CAMILA:
Os benefícios do aleitamento para o bebê e para a mãe são imensos, mas de uma maneira rápida e geral ele vai ser a alimentação mais completa até os seis meses, vai facilitar a digestão, hidratação, proteger contra infecções respiratórias, gastrointestinais, reduz alergia, melhora muito imunidade e diminui a mortalidade infantil. E para mãe, vai favorecer toda essa recuperação de pós-parto, reduzir câncer de mama e ovário, reduz os impactos da depressão pós-parto, fortalece o vínculo, oferece proteção para mãe do diabetes do tipo 2, de doenças cardiovasculares e vai ser a forma mais econômica e eficaz para proteger a mãe e o bebê.
CAMILA:
Para criar uma criança precisa uma aldeia. Esse é um provérbio africano. E amamentar não é só uma decisão da mãe, ela não depende só disso. Ela vai ser responsabilidade de toda a sociedade, dos serviços de saúde, de profissionais de saúde, de cultura. Então, a gente luta ainda por políticas públicas muito mais robustas, que protejam a mãe e o bebê do marketing, principalmente do marketing abusivo dos substitutos de leite humano: fórmulas, mamadeiras, bicos e chupetas. Precisamos de licenças-maternidade adequadas, locais de trabalho que apoiem verdadeiramente essa mãe, serviços qualificados e profissionais capacitados que sejam verdadeiras redes de apoio que orientem a mãe da melhor forma e que a mãe tenha suas dificuldades sanadas e respeitadas sempre por esses profissionais e pela comunidade.
CAMILA:
De uma maneira simples e direta, o Brasil já funciona com relação à políticas públicas de aleitamento materno. A gente não precisa inventar novas soluções, porque o leite humano por si só, ele é a solução. O que a gente precisa é aprimorar e continuar protegendo e cuidando da amamentação. Então, fortalecer o que funciona é principalmente mostrar a força dos bancos de leite humano no Brasil, qualificar essas equipes de saúde, atualizá-las sempre, aumentar e proteger mais a amamentação, principalmente cuidando da nossa NBCAL, que é a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes de Proteção ao Marketing Abusivo, e fortalecer políticas públicas de aleitamento. Tudo isso já funciona, mas precisa ser muito mais fortalecido.
CAMILA:
Primeiro, a gente precisa lembrar que marketing é uma ciência que deu certo e que essas indústrias, as que fabricam as fórmulas lácteas, elas pensam exclusivamente no lucro e lucram bilhões de dólares por ano. Esse marketing é feito para explorar justamente essa vulnerabilidade das mães. Usam estratégias inúmeras que criam inseguranças sobre se a mãe vai ter capacidade de amamentar, se ela vai produzir leite. E tentam sempre promover esse substituto como algo muito bom ou, quem sabe, igual ou até superior. A lei tenta proteger as famílias desse tipo de marketing, mas ele ainda encontra brechas e a gente precisa sempre buscar atualizações constantes para que o aleitamento seja realmente protegido, não só no Brasil, mas no mundo todo.
CAMILA:
Além do banco de leite humano ser o lugar que recebe leite humano para doação para os bebês que estão hospitalizados, prematuros, eles também são lugares de atendimento gratuito às dificuldades da amamentação. Então, toda vez que a mulher sentir que tem um problema para amamentar, os bancos de leite humano vão ser uma opção gratuita e muito boa de consultoria. Nós vamos ter também as unidades de saúde como referência. Então, no Brasil, por exemplo, a gente tem a Estratégia Amamenta e Alimenta e a gente precisa fortificar essas políticas e principalmente manter os seus profissionais atualizados. E aí, fora do SUS, a gente vai ter consultoras de lactação, grupos de apoio à amamentação em comunidades que podem e devem sempre ser buscados.
Leia a entrevista na íntegra
1820 - 10/08/2026 - Agosto Dourado
1º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Erradicação da Pobreza"
Erradicar a pobreza em todas as formas e em todos os lugares
3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Saúde e bem-estar”
Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Igualdade de gênero”.
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
10º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Redução das desigualdades”
Reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países
17º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Parcerias e meios de implementação”
Reforçar os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável
Dra. Zilda
“Deve-se valorizar o leite do peito, que protege a criança, alimenta-a e lhe dá a grande experiência do verdadeiro amor, alicerce da segurança afetiva e do desenvolvimento”.
"Diante da realidade de tantas mães que vivem a gravidez em condições de solidão ou de marginalidade, sinto o dever de recordar que a comunidade civil e a comunidade eclesial devem se empenhar com constância para devolver à maternidade a sua plena dignidade”.
Fotos: Comunicação/Pastoral da Criança“A vocação é um dom precioso que Deus semeia nos corações.”
Quando se fala em vocação, é comum pensar imediatamente na vida religiosa ou na escolha de uma profissão. Mas a vocação pode ser muito mais ampla: é a maneira particular como cada pessoa coloca seus dons, sua história e suas escolhas a serviço da vida e do bem comum.
Um chamado que se descobre no caminho
Nem sempre a vocação surge como uma resposta pronta ou uma grande revelação. Muitas vezes, ela vai se tornando clara aos poucos, por meio dos encontros, das experiências, das habilidades pessoais e das necessidades que despertam em nós o desejo de fazer alguma coisa.
Descobrir a própria vocação é, portanto, um caminho de autoconhecimento, amadurecimento e compromisso. Ela pode ser vivida na família, na profissão, na vida religiosa, na comunidade ou em uma missão voluntária.
Quando o chamado se transforma em serviço
Na Pastoral da Criança, a vocação para servir ganha forma em gestos concretos. Ela está na escuta atenta, na visita a uma família, na orientação compartilhada com uma gestante e no cuidado dedicado ao desenvolvimento de cada criança.
Esse serviço não transforma somente a vida de quem recebe apoio. Ele também cria vínculos, fortalece comunidades e dá novo sentido à caminhada de quem escolhe colocar seu tempo e seus dons à disposição do próximo.
Nesta entrevista, Maria Inês Monteiro de Freitas, coordenadora nacional da Pastoral da Criança, fala sobre o significado da vocação, os caminhos para reconhecê-la e como o serviço voluntário pode transformar tanto quem recebe cuidado quanto quem escolhe servir.
Você pode ler o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.
Neste conteúdo você encontrará:
Quando falamos em vocação, muita gente pensa em vida religiosa. O que realmente é vocação na vida das pessoas?
Como alguém pode perceber qual é a sua vocação?
Quais são os maiores obstáculos para viver a vocação?
Como uma vocação pode transformar realidades?
Quais são os maiores desafios de quem escolhe viver a vocação do serviço voluntário e o que faz valer à pena continuar?
O serviço voluntário em organizações como a Pastoral da Criança pode ser considerado uma vocação?
Coordenadora Inês Monteiro FreitasEntrevista com Maria Inês Monteiro de Freitas, coordenadora nacional da Pastoral da Criança.
MARIA INÊS:
Vocação, na verdade, vem do latim “vocare”, significa “chamar”, estando presente na vida de todas as pessoas. Em geral, a vocação é o caminho pelo qual cada um é chamado a realizar sua vida com sentido, propósito, amor e muita responsabilidade. É descobrir onde sua vida ganha sentido e onde você pode fazer o bem a si mesmo e ao próximo.
Programa de rádio Viva a Vida – 1821 - 17/08/2026 - Vocação: um chamado à vida
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
MARIA INÊS:
Perceber a própria vocação não costuma acontecer de imediato, mas é um processo de escuta, experiência e muito amadurecimento interior. Primeiro, olhando para dentro de si mesmo. Quais são os dons, inclinações e desejos mais profundos? Reconhecer aquilo que gostamos de fazer e o que fazemos muito bem. Depois, olhando para fora, existe alguma necessidade concreta que toca o seu coração, pelo qual você gosta de se dedicar? Outro passo essencial é vivenciar servindo, buscando caminhos, conversando com pessoas mais experientes para discernir e fortalecer a certeza do caminho escolhido.
MARIA INÊS:
Um dos maiores obstáculos é o medo. Medo de errar, de não dar certo, de decepcionar os outros ou de sair da sua zona de conforto. As pressões da sociedade, status, vaidade, lucro, preconceitos, imposição da família e a própria educação que muitas vezes exclui. Falta de oportunidade, necessidade de sobrevivência em algum trabalho e, principalmente, a falta de autoconhecimento. O imediatismo é o outro grande inimigo. Acaba desistindo se não obtém respostas rápidas. Além disso, a insegurança e a baixa autoestima.
MARIA INÊS:
A vocação pode transformar realidades, porque leva a pessoa a colocar seus talentos, conhecimentos e valores a serviço dos outros e da sociedade, não se resumindo somente no emprego, na carreira, na remuneração, na estabilidade financeira, mas também pode estar em um trabalho missionário voluntário e que ajuda a transformar realidades através da soma de esforços. Quem vive sua vocação de modo verdadeiro impacta vidas, situações e comunidades. Além disso, a vocação tem um efeito multiplicador. Uma pessoa que vive com sentido a sua vocação inspira outras com seu exemplo. Outro ponto importante é que a vocação leva ao serviço. Muitas vocações transformam realidades concretas, combatem a pobreza, promovem a educação inclusiva, reforçam a cidadania e, principalmente, a qualidade de vida.
MARIA INÊS:
Viver a vocação do serviço voluntário é profundamente transformador. É um caminho de realização e sentido em ajudar o próximo e contribuir para o bem comum. Mas nem sempre é fácil. Quem escolhe esse caminho encontra desafios reais, justamente porque enfrenta situações da realidade que podem trazer um desgaste emocional. Mas, não devemos chegar ao desânimo. Existem maneiras que podem ajudar o voluntário a perseverar, permanecer fiel, especialmente quando a motivação emocional diminui e os problemas aparecem. Diante do risco da desmotivação, diante dos resultados lentos, temos que continuar firmes, sabendo que nossa ação está tocando outras vidas. Quem serve também é transformado, porque o voluntário aprende muito. À medida que partilha seu saber com o outro, sempre vale à pena servir.
MARIA INÊS:
O sentido maior da vocação do voluntário da Pastoral da Criança é o amor ao próximo, na solidariedade, orientação e, principalmente, no acolhimento. Além disso, não é uma vocação vivida no individual, mas no comunitário. Os líderes são agentes de transformação que realizam ações práticas, respondendo a uma missão que une fé e vida. No caso da Pastoral da Criança, esse chamado ganha uma dimensão ainda mais ampla, quando engloba também o compromisso social, compromisso com as pessoas e não apenas com tarefas e, muitas vezes, uma motivação espiritual, vendo no serviço uma forma de viver o evangelho.
MARIA INÊS:
Sim, muitas histórias inspiradoras. A Pastoral da Criança é um verdadeiro solo fértil de transformação, onde o amor se transforma em ação. É emocionante falar sobre isso, pois algumas dessas lideranças são as minhas grandes inspirações. É lindo ver pessoas simples, humildes, sendo na sua grande maioria mulheres, que ao entrarem na Pastoral da Criança, descobriram um novo sentido para a vida e talentos maravilhosos que estavam até adormecidos. O olhar atento e o abraço nas famílias da comunidade despertaram nelas um desejo profundo de ir além, de buscar o conhecimento técnico para cuidar ainda melhor. Da beleza das visitas e desse colo diário ofertado ao próximo, nasceram grandes profissionais nas áreas da saúde, educação, nutrição e social. A Pastoral da Criança faz esse milagre. Ela não salva apenas o futuro das crianças. Ela resgata a dignidade, o valor e a vocação dos próprios adultos que escolheram servir.
MARIA INÊS:
Acredito que minha vocação foi inspirada pela minha mãe, uma mulher de muita fé, coragem e generosidade, que sempre dedicou sua vida ao cuidado e ao bem-estar das pessoas ao seu redor. Ao observar seu exemplo, desde a infância, despertou em mim o desejo de cuidar, proteger e servir ao próximo. Reconhecer e assumir essa vocação não foi um caminho fácil. Passei por momentos de muitas dúvidas, enfrentei muitas indecisões e, por diversas vezes, senti o peso das expectativas e das pressões da sociedade sobre qual caminho deveria seguir. Mesmo diante das incertezas, havia algo dentro de mim que sempre me conduzia de volta ao cuidado com o outro. Com o tempo, por meio da reflexão, do autoconhecimento e da fé em Deus, compreendi que essa não era apenas uma escolha profissional, mas um chamado para viver com propósito. Hoje, entendo que viver a minha vocação é mais do que exercer uma profissão ou desempenhar uma função. É colocar meus dons a serviço das pessoas, contribuindo para o cuidado, a proteção e a promoção da vida, seguindo os valores que aprendi com minha mãe e que continuam inspirando a minha caminhada.
MARIA INÊS:
O primeiro passo é procurar a coordenação da Pastoral da Criança na sua paróquia, comunidade ou diocese e manifestar o interesse em fazer parte dessa grande família Pastoral da Criança. Mais do que realizar atividades voluntárias, fazer parte da Pastoral da Criança significa colocar os próprios dons a serviço da vida. Aguardamos pelo seu sim a esse grande chamado de cuidado com a vida. Venha, estamos esperando por você!
Leia a entrevista na íntegra
1821 - 17/08/2026 - Vocação: um chamado à vida
16º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
"Paz, Justiça e Instituições Eficazes"
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
Dra. Zilda
“É sempre a arte e a técnica de multiplicar o saber e a solidariedade com muito carinho, porque é isso que todos precisam”.
"A Igreja tem grande necessidade de vocações sacerdotais e religiosas! E é importante que os jovens e as jovens encontrem, nas nossas comunidades, acolhimento, escuta e encorajamento no seu caminho vocacional, e que possam contar com modelos incríveis de dedicação generosa a Deus e aos irmãos”.
Mais do que um tipo de parto, o parto humanizado é a maneira respeitosa como o parto é realizadoComo será o parto? Poderei me movimentar? Quem poderá ficar comigo? Minhas decisões serão respeitadas? À medida que o nascimento se aproxima, essas e muitas outras perguntas podem aumentar a ansiedade da gestante.
Ter acesso a informações confiáveis não elimina todas as incertezas, mas ajuda a mulher a se preparar, participar das decisões e reconhecer quando está recebendo um atendimento respeitoso. É nesse contexto que se fala em parto humanizado.
Parto humanizado não é uma via de nascimento
Parto humanizado não é sinônimo de parto normal nem significa evitar uma cesariana a qualquer custo. Mais do que a via de nascimento, o que define a humanização é a maneira como a mulher é acolhida e participa desse momento.
Esse modelo coloca a gestante no centro do cuidado, respeitando suas escolhas, seu tempo e suas necessidades. O atendimento deve ser baseado em evidências científicas, com intervenções realizadas apenas quando necessárias. Entre as práticas recomendadas estão a liberdade de movimento e a possibilidade de escolher diferentes posições durante o trabalho de parto, sempre de acordo com as condições da mãe e do bebê.

Informação ajuda a proteger os direitos da gestante
Toda gestante tem direito a receber explicações claras sobre os procedimentos, participar das decisões e ser atendida com respeito, segurança e sem discriminação. Também tem direito a um acompanhante de sua escolha e, quando atendida pelo SUS, a conhecer previamente a maternidade de referência.
O plano de parto pode ajudar a organizar as preferências da gestante e facilitar o diálogo com a equipe de saúde. Conhecer esses direitos também contribui para identificar e prevenir situações de desrespeito e violência obstétrica.
Na Pastoral da Criança, o cuidado com a criança começa ainda durante a gestação. No acompanhamento às famílias, os líderes voluntários acolhem as gestantes, incentivam a realização do pré-natal e reforçam a importância da informação, do apoio familiar e do cuidado em todas as etapas da gravidez.
Neste conteúdo, a enfermeira obstétrica Aline de Paula explica o que é o parto humanizado, seus benefícios, a importância do plano de parto, os direitos da gestante, a participação da família e como agir diante de uma situação de violência obstétrica.
Você pode ler o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo você encontrará:
O que é parto humanizado?
Quais são os principais benefícios do parto humanizado para a mãe e para o bebê?
Quais são os principais direitos da gestante durante o pré-natal, o parto e o pós-parto?
O que é o plano de parto e como fazer?
O que é violência obstétrica?
O que fazer caso os direitos da gestante sejam desrespeitados ou sofra uma situação de violência obstétrica?
Aline de Paula - enfermeira obstetraEntrevista com Aline de Paula, Enfermeira Obstetra.
ALINE:
O parto humanizado é um parto informado. A mulher, quando ela vai com informação para a cena do parto, para a maternidade, ela tem menos chance de ter uma intervenção desnecessária, uma violência obstétrica. Então, a humanização é você respeitar o desejo da mulher, trazer a mulher como protagonista, desde que tudo esteja correndo bem. Claro que se tivermos uma intercorrência, se a gente precisar de uma intervenção a mais, tudo isso tem que ser explicado para a mulher. Então, parto humanizado é isso.
Programa de rádio Viva a Vida – 1823 - 31/08/2026 - Parto Humanizado
Assistir no YouTube
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
ALINE:
Para a mãe é o protagonismo. A gente sempre brinca que a mulher sabe parir e o bebê sabe nascer. A gente está ali para dar o suporte, para assistir e para agir na hora que tiver que intervir. Então, a gente deixa o protagonismo da mulher, deixa fluir o trabalho de parto, intervém na hora que tem que intervir. Para o bebê, é a parte do tempo, do trabalho de parto, os hormônios que vão trabalhando ali para melhorar a parte pulmonar do bebê na hora que nascer. Um parto normal é muito melhor do que uma cesárea.
Desde que não tenha uma indicação de cesárea. O parto normal ajuda muito na função pulmonar do neném, então ele reduz significativamente a chance desse bebê ter um distress (desconforto) respiratório. Nós promovemos o contato pele a pele num parto humanizado. O que é o contato pele a pele? É o bebê sair do canal vaginal e ir direto para o colo da mãe, pele a pele. Então, o principal motivo do contato pele a pele é o fornecimento de calor, para o bebê não perder temperatura. Já promovemos a amamentação, que é super importante, tanto para a mãe quanto para o bebê. Prevenção de hemorragia pós-parto, ajuda já ali a engrenar a amamentação depois do parto; ajuda a regular a frequência cardíaca, a frequência respiratória, do bebê. E esse contato pele a pele, ele dura no mínimo uma hora ininterrupta (sem pausa), a não ser, claro, que tenha alguma intercorrência. Aí a gente não consegue fazer o contato pele a pele.
ALINE:
A primeira coisa é que a gestante tem direito a um acompanhante durante todo o seu pré-natal, em todas as consultas, durante o parto, desde a internação até a alta hospitalar, e nas consultas pós-parto. Qual é o outro principal direito da gestante? Um bom pré-natal. Um pré-natal de qualidade, um pré-natal com informação.
Eu queria que todas as gestantes pudessem ter um acompanhamento com a enfermeira obstétrica. Assim, deveria ser o protocolo no Brasil inteiro, porque eu levo, por exemplo, numa consulta de educação perinatal, num atendimento que eu faço, eu levo ali mais ou menos umas duas horas para a gente conversar sobre toda a fisiologia de como o parto funciona, para explicar para esse acompanhante que vai ter um momento lá no trabalho de parto, que a mulher vai querer desistir, que a mulher vai querer cesárea, que ela não dá conta, o que leva muitas mulheres a optar por uma cesárea. Muitas vezes, não tem uma indicação, simplesmente pelo fato de que tem medo do parto normal e isso é falta de informação.
A Pastoral da Criança sempre orienta e incentiva que a gestante faça um plano de parto. Aline, o que é o plano de parto e como fazer?
ALINE:
O plano de parto, ele é um documento que respalda a mulher, o acompanhante, contra violência obstétrica. Então, nesse plano de parto, claro que assim, a gente não consegue simplesmente dar um plano de parto para mulher, ah leia aí e preencha, se a gente não conseguir fazer uma boa educação perinatal antes, explicar como o parto funciona, porque como que ela vai saber o que ela quer e o que ela não quer no dia do parto se ela não sabe o que pode ter no dia do parto? Porque a gente tem as intervenções, as intercorrências. Às vezes precisa tirar o bebezinho a ferro. Então, ela tem que entender em quais momentos pode ser feito tal coisa. Porque você coloca as suas preferências. Claro que tudo dentro do cenário possível. Quando passa a ter alguma intercorrência, às vezes, a gente acaba mudando os planos, mas tudo consentido.
ALINE:
Violência obstétrica é tudo que vai contra o seu consentimento, tudo que violenta o teu corpo. Um exemplo muito clássico é a episiotomia (corte cirúrgico na região entre a vagina e o ânus).
Antigamente os partos aconteciam onde? Em casa, no ambiente domiciliar, com as mulheres da família, no conforto do lar, só que aí começou a ter muita intercorrência, mulheres começaram a ter hemorragia, mulheres começaram a morrer, bebês começaram a morrer intraparto (durante o parto) também, então tiraram essa mulher do ambiente domiciliar e levaram para o hospital. No intuito de salvar vidas, inventaram a cesárea, instrumentalizando o parto, o fórceps, que é aquele ferro que a gente tira o bebê. A episiotomia, que é o corte lá na vagina, tudo isso para salvar. Só que aí, o que eles começaram a perceber? Que fazendo tudo isso, acelerava para eles. Eles não precisavam mais esperar muitas horas para o trabalho de parto acontecer. Então, eles começaram a fazer, por exemplo, a episiotomia, que é o corte, de rotina. A mulher nem precisava do corte e fazia, porque tinha que acelerar. Há evidência científica, os estudos já trazem que não tem mais necessidade de fazer esse corte em hipótese nenhuma. Mas há casos ainda, que há controvérsias. Mas fazer o corte sem você avisar a paciente que está fazendo, sem se comunicar com o acompanhante, sem pedir o consentimento da paciente, explicar o motivo do porquê você está fazendo aquilo, é uma baita violência obstétrica.
Outro exemplo, a mulher está com dor, geralmente a mulher grita no trabalho de parto. Grita, grita... E para nós é muito bom, porque quando a gente grita, vocaliza, a gente abre o assoalho pélvico. E aí vem certa pessoa, vem um profissional e fala assim, “ai mãezinha, não fique gritando desse jeito”. Ou, por exemplo, “não grite, senão o médico não vai te atender”. São exemplos muito comuns também que acontecem e são violências obstétricas.
Você não autorizar o acompanhante, a entrada do acompanhante. Então, esses são alguns pequenos exemplos. Tem muitos outros aí, né?
ALINE:
É triste, mas assim, quem sofre violência obstétrica tem total direito de denunciar. Nós temos canais de denúncia, 180, que é a central de atendimento à mulher, tem um Disque 136, que é o Disque Saúde, que vai na delegacia da mulher, que você pode registrar o boletim de ocorrência, pede o prontuário médico, porque eles vão fazer toda a análise do que foi feito. Então, vale à pena ir atrás dos direitos, porque é muito triste a mulher estar num momento tão importante e ao mesmo tempo tão vulnerável e aí sofrer algum tipo de violência.
Leia a entrevista na íntegra
1823 - 31/08/2026 - Parto Humanizado
3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Boa saúde e bem-estar”
Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
16º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
"Promover"
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
Dra. Zilda
“A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social. A Paz é uma conquista coletiva”.
“Diante da realidade de tantas mães que vivem a gravidez em condições de solidão ou de marginalidade, sinto o dever de recordar que a comunidade civil e a comunidade eclesial devem se empenhar com constância para devolver à maternidade a sua plena dignidade.”