Fotos: Comunicação/Pastoral da Criança“A vocação é um dom precioso que Deus semeia nos corações.”
Quando se fala em vocação, é comum pensar imediatamente na vida religiosa ou na escolha de uma profissão. Mas a vocação pode ser muito mais ampla: é a maneira particular como cada pessoa coloca seus dons, sua história e suas escolhas a serviço da vida e do bem comum.
Um chamado que se descobre no caminho
Nem sempre a vocação surge como uma resposta pronta ou uma grande revelação. Muitas vezes, ela vai se tornando clara aos poucos, por meio dos encontros, das experiências, das habilidades pessoais e das necessidades que despertam em nós o desejo de fazer alguma coisa.
Descobrir a própria vocação é, portanto, um caminho de autoconhecimento, amadurecimento e compromisso. Ela pode ser vivida na família, na profissão, na vida religiosa, na comunidade ou em uma missão voluntária.
Quando o chamado se transforma em serviço
Na Pastoral da Criança, a vocação para servir ganha forma em gestos concretos. Ela está na escuta atenta, na visita a uma família, na orientação compartilhada com uma gestante e no cuidado dedicado ao desenvolvimento de cada criança.
Esse serviço não transforma somente a vida de quem recebe apoio. Ele também cria vínculos, fortalece comunidades e dá novo sentido à caminhada de quem escolhe colocar seu tempo e seus dons à disposição do próximo.
Nesta entrevista, Maria Inês Monteiro de Freitas, coordenadora nacional da Pastoral da Criança, fala sobre o significado da vocação, os caminhos para reconhecê-la e como o serviço voluntário pode transformar tanto quem recebe cuidado quanto quem escolhe servir.
Você pode ler o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.
Neste conteúdo você encontrará:
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Quando falamos em vocação, muita gente pensa em vida religiosa. O que realmente é vocação na vida das pessoas?
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Como alguém pode perceber qual é a sua vocação?
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Quais são os maiores obstáculos para viver a vocação?
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Como uma vocação pode transformar realidades?
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Quais são os maiores desafios de quem escolhe viver a vocação do serviço voluntário e o que faz valer à pena continuar?
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O serviço voluntário em organizações como a Pastoral da Criança pode ser considerado uma vocação?
Coordenadora Inês Monteiro FreitasEntrevista com Maria Inês Monteiro de Freitas, coordenadora nacional da Pastoral da Criança.
Quando falamos em vocação, muita gente pensa em vida religiosa. Maria Inês, o que realmente é vocação na vida das pessoas?
MARIA INÊS:
Vocação, na verdade, vem do latim “vocare”, significa “chamar”, estando presente na vida de todas as pessoas. Em geral, a vocação é o caminho pelo qual cada um é chamado a realizar sua vida com sentido, propósito, amor e muita responsabilidade. É descobrir onde sua vida ganha sentido e onde você pode fazer o bem a si mesmo e ao próximo.
Programa de rádio Viva a Vida – 1821 - 17/08/2026 - Vocação: um chamado à vida
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Maria Inês, como alguém pode perceber qual é a sua vocação?
MARIA INÊS:
Perceber a própria vocação não costuma acontecer de imediato, mas é um processo de escuta, experiência e muito amadurecimento interior. Primeiro, olhando para dentro de si mesmo. Quais são os dons, inclinações e desejos mais profundos? Reconhecer aquilo que gostamos de fazer e o que fazemos muito bem. Depois, olhando para fora, existe alguma necessidade concreta que toca o seu coração, pelo qual você gosta de se dedicar? Outro passo essencial é vivenciar servindo, buscando caminhos, conversando com pessoas mais experientes para discernir e fortalecer a certeza do caminho escolhido.
Quais são os maiores obstáculos para viver a vocação?
MARIA INÊS:
Um dos maiores obstáculos é o medo. Medo de errar, de não dar certo, de decepcionar os outros ou de sair da sua zona de conforto. As pressões da sociedade, status, vaidade, lucro, preconceitos, imposição da família e a própria educação que muitas vezes exclui. Falta de oportunidade, necessidade de sobrevivência em algum trabalho e, principalmente, a falta de autoconhecimento. O imediatismo é o outro grande inimigo. Acaba desistindo se não obtém respostas rápidas. Além disso, a insegurança e a baixa autoestima.
Maria Inês, como uma vocação pode transformar realidades?
MARIA INÊS:
A vocação pode transformar realidades, porque leva a pessoa a colocar seus talentos, conhecimentos e valores a serviço dos outros e da sociedade, não se resumindo somente no emprego, na carreira, na remuneração, na estabilidade financeira, mas também pode estar em um trabalho missionário voluntário e que ajuda a transformar realidades através da soma de esforços. Quem vive sua vocação de modo verdadeiro impacta vidas, situações e comunidades. Além disso, a vocação tem um efeito multiplicador. Uma pessoa que vive com sentido a sua vocação inspira outras com seu exemplo. Outro ponto importante é que a vocação leva ao serviço. Muitas vocações transformam realidades concretas, combatem a pobreza, promovem a educação inclusiva, reforçam a cidadania e, principalmente, a qualidade de vida.
Quais são os maiores desafios de quem escolhe viver a vocação do serviço voluntário e o que faz valer à pena continuar?
MARIA INÊS:
Viver a vocação do serviço voluntário é profundamente transformador. É um caminho de realização e sentido em ajudar o próximo e contribuir para o bem comum. Mas nem sempre é fácil. Quem escolhe esse caminho encontra desafios reais, justamente porque enfrenta situações da realidade que podem trazer um desgaste emocional. Mas, não devemos chegar ao desânimo. Existem maneiras que podem ajudar o voluntário a perseverar, permanecer fiel, especialmente quando a motivação emocional diminui e os problemas aparecem. Diante do risco da desmotivação, diante dos resultados lentos, temos que continuar firmes, sabendo que nossa ação está tocando outras vidas. Quem serve também é transformado, porque o voluntário aprende muito. À medida que partilha seu saber com o outro, sempre vale à pena servir.
O serviço voluntário em organizações como a Pastoral da Criança pode ser considerado uma vocação?
MARIA INÊS:
O sentido maior da vocação do voluntário da Pastoral da Criança é o amor ao próximo, na solidariedade, orientação e, principalmente, no acolhimento. Além disso, não é uma vocação vivida no individual, mas no comunitário. Os líderes são agentes de transformação que realizam ações práticas, respondendo a uma missão que une fé e vida. No caso da Pastoral da Criança, esse chamado ganha uma dimensão ainda mais ampla, quando engloba também o compromisso social, compromisso com as pessoas e não apenas com tarefas e, muitas vezes, uma motivação espiritual, vendo no serviço uma forma de viver o evangelho.
A senhora já acompanhou alguma história de alguém que descobriu um talento ou propósito por meio da missão da Pastoral da Criança?
MARIA INÊS:
Sim, muitas histórias inspiradoras. A Pastoral da Criança é um verdadeiro solo fértil de transformação, onde o amor se transforma em ação. É emocionante falar sobre isso, pois algumas dessas lideranças são as minhas grandes inspirações. É lindo ver pessoas simples, humildes, sendo na sua grande maioria mulheres, que ao entrarem na Pastoral da Criança, descobriram um novo sentido para a vida e talentos maravilhosos que estavam até adormecidos. O olhar atento e o abraço nas famílias da comunidade despertaram nelas um desejo profundo de ir além, de buscar o conhecimento técnico para cuidar ainda melhor. Da beleza das visitas e desse colo diário ofertado ao próximo, nasceram grandes profissionais nas áreas da saúde, educação, nutrição e social. A Pastoral da Criança faz esse milagre. Ela não salva apenas o futuro das crianças. Ela resgata a dignidade, o valor e a vocação dos próprios adultos que escolheram servir.
E a senhora, como descobriu sua vocação?
MARIA INÊS:
Acredito que minha vocação foi inspirada pela minha mãe, uma mulher de muita fé, coragem e generosidade, que sempre dedicou sua vida ao cuidado e ao bem-estar das pessoas ao seu redor. Ao observar seu exemplo, desde a infância, despertou em mim o desejo de cuidar, proteger e servir ao próximo. Reconhecer e assumir essa vocação não foi um caminho fácil. Passei por momentos de muitas dúvidas, enfrentei muitas indecisões e, por diversas vezes, senti o peso das expectativas e das pressões da sociedade sobre qual caminho deveria seguir. Mesmo diante das incertezas, havia algo dentro de mim que sempre me conduzia de volta ao cuidado com o outro. Com o tempo, por meio da reflexão, do autoconhecimento e da fé em Deus, compreendi que essa não era apenas uma escolha profissional, mas um chamado para viver com propósito. Hoje, entendo que viver a minha vocação é mais do que exercer uma profissão ou desempenhar uma função. É colocar meus dons a serviço das pessoas, contribuindo para o cuidado, a proteção e a promoção da vida, seguindo os valores que aprendi com minha mãe e que continuam inspirando a minha caminhada.
Maria Inês, uma pessoa, ao sentir que tem a vocação para o trabalho voluntário, como encontrar a Pastoral da Criança?
MARIA INÊS:
O primeiro passo é procurar a coordenação da Pastoral da Criança na sua paróquia, comunidade ou diocese e manifestar o interesse em fazer parte dessa grande família Pastoral da Criança. Mais do que realizar atividades voluntárias, fazer parte da Pastoral da Criança significa colocar os próprios dons a serviço da vida. Aguardamos pelo seu sim a esse grande chamado de cuidado com a vida. Venha, estamos esperando por você!
Leia a entrevista na íntegra
1821 - 17/08/2026 - Vocação: um chamado à vida
16º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
"Paz, Justiça e Instituições Eficazes"
Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis
Dra. Zilda
“É sempre a arte e a técnica de multiplicar o saber e a solidariedade com muito carinho, porque é isso que todos precisam”.
"A Igreja tem grande necessidade de vocações sacerdotais e religiosas! E é importante que os jovens e as jovens encontrem, nas nossas comunidades, acolhimento, escuta e encorajamento no seu caminho vocacional, e que possam contar com modelos incríveis de dedicação generosa a Deus e aos irmãos”.
Crédito: Magnific
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