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A força da Comunidade: união que transforma vidas

Detalhes
Última Atualização: 26/06/2026
Crédito: Acervo Pastoral

Todos nós vivemos em comunidade. Seja no bairro, em um condomínio ou nas chamadas comunidades populares, ninguém vive sozinho. Assim como no corpo humano cada órgão possui uma função importante para manter a vida, em uma comunidade, cada pessoa também tem seu papel para fortalecer o lugar onde vive. Quando as pessoas se unem, compartilham experiências, cuidam umas das outras e trabalham juntas, se tornam mais fortes.

Antigamente, era comum ver vizinhos sentados em cadeiras na frente de casa, conversando, trocando conselhos, cuidando das crianças e criando laços de amizade e confiança. As reuniões comunitárias aconteciam com mais frequência, as pessoas conheciam umas às outras e havia um sentimento maior de pertencimento e união.

Com o passar do tempo, essa convivência foi se perdendo. A correria da rotina, o excesso de tecnologia e o individualismo fizeram muitas pessoas se afastarem do contato humano e da participação na vida comunitária. Porém, a força da comunidade continua sendo necessária.

No conteúdo desta semana, Maria das Graças Gervásio, assistente social e integrante da equipe de apoio às dioceses na Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, explica a importância da união da comunidade e como isso impacta na melhoria da qualidade de vida.

Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Assistente social, Maria das Graças

Entrevista com Maria das Graças Silva Gervásio, assistente social e integrante da equipe de apoio às dioceses na Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

Maria das Graças, o que é uma comunidade organizada?

MARIA DAS GRAÇAS:

Comunidade organizada é o processo onde as pessoas, a partir da necessidade de alcançar objetivos comuns, se mobilizam, se articulam e promovem ações coletivas que visam garantir desde melhorias para o bairro, como faz uma associação de moradores, por exemplo, a outros benefícios de acordo com o objetivo do processo de articulação. Podem surgir a partir daí diferentes grupos: grupos de autoajuda, grupos religiosos, grupos de jovens, entre outros. O importante é a consciência das pessoas de que sozinhas tudo ficaria mais difícil.  

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1814 - 29/06/2026 - A força da comunidade

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Hoje, vemos que as pessoas estão mais individualistas. Maria das graças, como isso impacta na vizinhança?

MARIA DAS GRAÇAS:

Infelizmente, o individualismo é uma realidade dos dias atuais. Já não se percebe, principalmente nas comunidades urbanas, a convivência com a vizinhança de bater na porta, de tomar um café da tarde, de partilhar sua vida, algo que sempre foi tão forte entre vizinhos. Até mesmo aquele papo na calçada ao final da tarde, que era tão comum nas pequenas cidades, hoje é difícil de se ver. Um dos motivos pode ser a correria do dia a dia, mas também pode ser a falta de uma política de segurança fazendo com que as pessoas não se sintam mais seguras em colocar suas cadeiras na calçada e conversar da sua vida cotidiana.

A tecnologia pode ser considerada uma das causas desse individualismo? Por quê?

MARIA DAS GRAÇAS:

 Acredito que sim. Ao mesmo tempo que a tecnologia vem para nos ajudar nos contatos, agilidade na comunicação, ela atua como um acelerador do individualismo contemporâneo, como dizem os especialistas, porque promove autonomia, mas também o rompimento do convívio. E, às vezes, até mesmo das relações que já estavam de certo modo fragilizadas. Assim, as pessoas se isolam não achando necessário os encontros físicos, gerando, muitas vezes, o isolamento social. E quando acontece, as interações são rápidas e superficiais.

Um dos aspectos que mostra a força da comunidade é o voluntariado. Como motivar mais pessoas para o voluntariado?

MARIA DAS GRAÇAS:

 Com certeza, quando a pessoas reconhece a força da comunidade, se coloca à disposição, doa o seu tempo, suas habilidades para um bem maior. E na medida que esse voluntariado se fortalece, quem ganha é a comunidade, bem como todas as pessoas que ali vivem, porque esse voluntariado gera solidariedade, partilha, empatia, trabalho em equipe. Tomemos, por exemplo, o trabalho da Pastoral da Criança. É a força do voluntariado que em missão vai ao encontro das famílias para escutar suas necessidades e buscar quem possa atendê-las. Com isso, acontece a transformação social, a mudança das estruturas para garantir os direitos das crianças e gestantes.

(TESTEMUNHO) João Vítor Sobrinho, articulador e líder da Pastoral da Criança, na cidade de Cruz, Diocese de Sobral, Ceará.

João Vítor, como o trabalho do articulador da Pastoral da Criança faz a diferença na comunidade?

JOÃO VÍTOR:

O trabalho do articulador faz a diferença porque ele é a voz e os olhos da comunidade na defesa dos direitos. O nosso papel fundamental é o controle social. Nós observamos, acompanhamos e temos a coragem de cobrar políticas públicas que realmente funcionem. Fazer a diferença é lutar para que não falte o acesso a medicamentos, denunciar o descaso e garantir que os direitos das nossas crianças não fiquem apenas no papel. Articulamos soluções e exigimos respeito, porque cuidar da infância é uma responsabilidade política e social. Fazemos tudo isso com um único propósito: para que todas as crianças tenham vida.

Leia a entrevista na íntegra

1814 - 29/06/2026 - A força da comunidade

 

Ods 1111º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Cidades e Comunidades Sustentáveis”

Tornar as cidades e comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis 

1717º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Parcerias e meios de implementação”

Reforçar os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

Dra. Zilda

“Quando vejo, depois de anos de intenso trabalho, como a Pastoral da Criança se expandiu, como formou uma rede de solidariedade, como formou uma verdadeira família, acredito sempre mais no amor de Deus por nós, em sua sabedoria e graça ao conduzir tão bem a Pastoral da Criança”.

Papa Leão XIV

“O mundo ainda precisa da luz de Jesus. [...] Nos ajudem também, uns aos outros, a construir pontes com diálogo, com encontro. Todos juntos, num único povo, sempre em paz.”

Vidas União

O respeito da Primeira Infância: entenda os direitos das crianças

Detalhes
Última Atualização: 06/07/2026
Crédito: Acervo Pastoral

Toda criança tem o direito de viver uma infância segura, protegida e repleta de oportunidades para se desenvolver. Os primeiros anos de vida são decisivos para esse processo, pois até os 6 anos de idade ocorre o período mais intenso do desenvolvimento humano, quando cerca de 90% das conexões cerebrais são formadas.

É nessa fase que se constroem as bases do desenvolvimento físico, emocional, mental e social. Por isso, garantir os direitos das crianças e promover ambientes seguros e acolhedores é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, educadores, sociedade e o poder público.

O que diz a legislação?

O artigo 227 da Constituição Federal, regulamentado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e determina que eles devem receber proteção integral e prioridade absoluta por parte da família, da sociedade e do Estado, assegurando condições adequadas para seu pleno desenvolvimento.

Entrevista com especialista

Neste conteúdo, o professor Vital Didonet, especialista em educação infantil e em direitos da criança, explica sobre essas leis e como a família e a comunidade podem contribuir para que sejam efetivamente respeitadas, cuidando das crianças de maneira integral e assegurando seus direitos e promovendo seu desenvolvimento saudável.

Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo, você vai encontrar:

  • O que é a primeira infância e por que é uma fase tão importante para o desenvolvimento da criança?
  • Quais habilidades devem ser estimuladas nessa fase?
  • Quais são os principais direitos da criança na primeira infância?
  • A criança tem direitos antes mesmo de nascer?
  • Quais avanços na legislação foram importantes nos últimos anos e o que ainda precisa melhorar?
  • Como podemos proteger as crianças em um mundo cada vez mais digital?
  • Vivemos em uma sociedade “adultocêntrica”. O que isso significa e como os adultos devem se preparar para respeitar a criança?
  • O que a família pode fazer quando os direitos da criança não são respeitados?

 

Professor Vital Didonet

Entrevista com professor Vital Didonet, especialista em educação infantil e em direitos da criança.

Professor Didonet, o que é a primeira infância e por que é uma fase tão importante para o desenvolvimento da criança?

PROF. VITAL DIDONET:

 É o primeiro ciclo da vida humana, que vai desde a concepção até os seis anos de idade, ou desde o nascimento, porque a infância começa no nascimento, antes disso ainda é o feto na barriga da mamãe. Esse período dos seis primeiros anos é visto pelas ciências como a fase mais importante, porque ali são adquiridos os valores que vão orientar a vida inteira da pessoa. A primeira infância vivida com amor, respeito, acolhimento, carinho, ternura, liberdade de aprender e com muito brincar é a melhor base que uma pessoa pode ter para sua vida toda.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1815 - 06/07/2026 - Direitos da Criança na Primeira Infância

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Quais habilidades devem ser estimuladas nessa fase?

PROF. VITAL DIDONET:

Mais do que estimular habilidades, os pais devem mostrar carinho, muito amor e bem-querer, respeito pelo bebê e pela criança pequena, dar oportunidade para ela brincar muito e com liberdade, sozinha e com irmãos e coleguinhas. É assim que a criança desenvolve suas capacidades e forma habilidades para a vida. Ela aprende vendo, imitando e tentando fazer o que os adultos fazem. Mas o mais importante nesse ver, imitar e tentar fazer é a iniciativa da criança

Quais são os principais direitos da criança na primeira infância?

PROF. VITAL DIDONET:

 Ora, eles estão escritos na Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas e são escritos no artigo 227 da Constituição Federal, no Estatuto da Criança e Adolescente, no Marco Legal da Primeira Infância, em outras leis que reconhecem a criança como sujeito de direitos.

Ela é dona desses direitos. O direito a ser acolhida na família com alegria e bem-querer, e ali ser amada e cuidada. O direito de ter saúde, de receber uma boa educação, o direito de ver e participar das atividades culturais, direito de brincar, de ter amigos, direito de um sono tranquilo, direito à comida, uma alimentação saudável, a ter roupa, calçado, água limpa, ar puro, direito a nunca sofrer atos de violência.

Esses direitos nós não estamos dando para as crianças como uma generosidade nossa, por uma bondade nossa. Eles são dela, fazem parte da dignidade de sua pessoa e são condições para ela crescer, se desenvolver.

A criança tem direitos antes mesmo de nascer?

PROF. VITAL DIDONET:

 Claro, já que ela foi concebida, isto é, ela foi chamada para existência, ela tem direito à vida, tem direito a uma gestação tranquila, tem direito a ser protegida contra toda forma de violência. Esses direitos são realizados quando se dá para a mulher gestante a atenção em saúde durante o pré-natal, cuidados psicológicos e médicos e assistência social. E ela tem condições de cuidar bem para que a formação do seu bebê seja perfeita.

Nos últimos anos, foram criadas leis para defender e estimular políticas para a primeira infância. Professor Didonet, quais avanços são importantes e o que ainda precisa melhorar?

PROF. VITAL DIDONET:
Depois do Estatuto da Criança e Adolescente, a lei mais completa e mais bem feita para garantir os direitos da criança de 0 a 6 anos é o Marco Legal da Primeira Infância. O avanço mais importante dessa lei é que ela manda fazer políticas públicas para a primeira infância e elaborar planos de ação pelo governo federal, pelos governos dos estados, do distrito federal e por todos os municípios. Planos que zelam para atender todos os direitos da criança.

Como podemos proteger as crianças em um mundo cada vez mais digital?

PROF. VITAL DIDONET:

Primeiro, cuidando em casa. Os pais devem prestar atenção ao uso do celular, do tablet e até da televisão.

A Sociedade Brasileira de Pediatria diz que crianças de até dois anos de idade não devem usar celular nem telas digitais. Prejudicam a formação do seu cérebro, da sua inteligência. E as de 2 a 5 têm que ter o tempo limitado no máximo de uma hora por dia. E as de 6 a 10, no máximo 2 horas por dia. E, finalmente, de 11 a 18 anos, o tempo de uso do celular, do computador, do tablet, das telas digitais, deve ser no máximo de 3 horas por dia.

Mais do que o prejuízo ao cérebro, também prejudica o brincar, o estudar, a afetividade, a socialização da criança e do adolescente. Na escola, foi proibido o uso do celular no ensino fundamental.
O governo federal publicou no ano passado o guia para uso de dispositivos digitais dirigidos aos pais, aos responsáveis pelas crianças, aos professores e a outros profissionais abordando temas como o impacto das telas na saúde mental, na segurança online, no bullying na Internet e a importância do equilíbrio entre atividades digitais e interações no mundo digital. Eu sugiro que os pais leiam esse guia. Ele está disponível na Internet e é importante, porque ele dá orientações de como tratar esse assunto tão difícil com os filhos.

Vivemos em uma sociedade “adultocêntrica”. O que isso significa e como os adultos devem se preparar para respeitar a criança?

PROF. VITAL DIDONET:
Significa que a nossa sociedade coloca os valores dos adultos como centrais e considera a infância um período de preparação para a vida. Mas, na verdade, ela é muito mais do que um período preparatório, ela tem um valor em si mesmo.

Nós temos que mudar essa visão “adultocêntrica”, ou seja, do pensamento que o adulto que é o certo, o adulto que é o completo, o adulto que é referência, o adulto que é o padrão... Cada fase da vida tem um significado, tem uma importância e tem que ser vivida na sua plenitude.

E nós temos que aprender. Nós, adultos, a ver nas crianças muita coisa maravilhosa e que nos ensinam. A infância é um tempo importante de vida, de descoberta, de construção da pessoa.

Professor Didonet, o que a família pode fazer quando os direitos da criança não são respeitados?

PROF. VITAL DIDONET:
A família é o primeiro lugar em que as crianças precisam ser acolhidas, amadas e respeitadas. Uma coisa muito feia, muito má, muito vergonhosa do Brasil é que a maioria das violências que os bebês, que as criancinhas sofrem, inclusive abuso sexual, acontece nas famílias, na sua própria família. Às vezes é o padrasto, às vezes é o pai, às vezes é a própria mãe, às vezes é uma outra pessoa que causa esses abusos na criança, essas violências. E não só física, psicológica.

As famílias podem formar grupos de pais e mães para conversar sobre os direitos da criança e trocar ideias de como criar na comunidade um ambiente de paz, de alegria, de cuidado, em que todos se tornem responsáveis por todas as crianças daquela comunidade.

Que bonito quando a comunidade diz “nós queremos um bairro, uma vila, uma rua, uma comunidade onde as nossas crianças são respeitadas e possam viver com plenitude a sua existência”. E também que as famílias e a comunidade possam denunciar ao Conselho Tutelar qualquer violência contra as crianças que aconteça na sua comunidade. 

Leia a entrevista na íntegra

1815 - 06/07/2026 - Direitos da Criança na Primeira Infância

 

E SDG Icons NoText 0310º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

Redução das desigualdades

Reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países

.

1616º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

Paz, Justiça e instituições eficazes

Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis 

 

Dra. Zilda

“Você transforma o país quando educa as famílias para cuidarem melhor de seus filhos.”

Papa Leão XIV

A educação não mede seu valor apenas pelo eixo da eficiência: ela o mede pela dignidade, pela justiça e pela capacidade de servir ao bem comum.

Criança Respeito

Educação não violenta: como educar sem ser autoritário

Detalhes
Última Atualização: 17/07/2026

A criação de um filho exige muito mais do que cuidados físicos. É um desafio que demanda equilíbrio emocional, paciência e dedicação diária. Afinal, a criança está em constante aprendizado: descobrindo o mundo, formando sua personalidade, desenvolvendo suas preferências e aprendendo a expressar seus sentimentos.

As reações da criança, como choro, birras ou momentos de resistência, nem sempre são sinais de desobediência, mas formas de comunicar emoções que ela ainda não sabe expressar de outra maneira, até porque não se cobra algo de um adulto para uma criança que está conhecendo o mundo.

O que a educação não violenta propõe?

A Educação Não Violenta propõe justamente esse olhar mais atento e respeitoso. Nesta abordagem, tanto os pais quanto os filhos aprendem sobre limites, respeito e diálogo. As barreiras na comunicação são reduzidas porque cada um compreende melhor seu papel: o adulto como guia e responsável pelo cuidado, e a criança como um ser em desenvolvimento, que ainda está aprendendo a lidar com suas emoções e com o mundo ao seu redor.

Estudos mostram que crianças educadas em ambientes acolhedores, com diálogo e afeto, apresentam melhor desenvolvimento emocional, maior capacidade de resolver conflitos e relações familiares mais saudáveis.

Entrevista com especialista

Neste conteúdo, conversamos com Maya Eigenmann, neuropedagoga, especialista em educação positiva e escritora. Maya explica o que é educação não-violenta, os desafios na hora de educar uma criança e como os responsáveis podem lidar com isso da melhor forma.

Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo, você vai encontrar:

  • O que é educação não violenta e como colocá-la em prática no dia a dia?
  • Além da violência física, quais são as outras formas de educação violenta que devemos evitar?
  • Como ensinar sem gritar ou punir?
  • O que fazer quando a criança responde de forma desrespeitosa?
  • Maya, como estabelecer limites sem ser autoritário?
  • A educação não violenta cria filhos mimados? Os pais podem dizer “não” aos filhos?
  • Como os pais podem trabalhar neles mesmos a paciência e o afeto para criar um ambiente de harmonia na criação dos filhos?
  • Quais são algumas dicas para educar bem?

 

Maya Eigenmannt

Entrevista com Maya Eigenmann, neuropedagoga, especialista em educação positiva e escritora.

Maya, o que é educação não violenta e como colocá-la em prática no dia a dia?

MAYA:

A educação não violenta, a educação positiva, é uma educação que visa o tratamento digno da criança e o atendimento de todas as suas necessidades emocionais, físicas, psicológicas. Então, nós não fazemos nenhum uso de abordagens que machuquem a criança, seja ela fisicamente, emocionalmente ou psicologicamente. Nós cuidamos sim de sustentar limites, sempre que necessários, mas não fazemos isso de forma rude, de forma
brusca. E a forma que a gente coloca em prática no dia a dia, vem, antes de mais nada, com um compromisso pela integridade da criança e do adolescente.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1816 - 13/07/2026 - Educação Não Violenta

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Além da violência física, quais são as outras formas de educação violenta que devemos evitar?

MAYA:

A educação não violenta, educação respeitosa, ela também é contra qualquer tipo de violência emocional. As chantagens emocionais, “dar gelo” na criança, sabe? Quando ela faz algo que tem um comportamento que não é adequado, aí a gente fica ignorando a criança, “dando gelo”, sabe? As pessoas acham que vão ensinar a criança a não se comportar mais daquela forma, mas, na verdade, a gente está simplesmente ensinando que, quando as coisas estão difíceis, a gente está abandonando a nossa criança. Então, exemplos como essa chantagem, também entram no que a gente chama de violência emocional e devem ser evitadas.

Como ensinar sem gritar ou punir?

MAYA:

Na verdade, é absolutamente possível ensinar sem nenhum desses recursos, sendo respeitoso, tendo amorosidade, paciência, muita conexão. Mas muitos adultos não têm paciência, querem a solução rápida e a solução rápida é essa, a violenta, porque quando você grita, a criança fica assustada e para de fazer alguma coisa. O problema é que ela faz isso a um custo altíssimo. Sem contar que está colocando em xeque essa relação que deveria ser uma relação de segurança entre o adulto e a criança.

O que fazer quando a criança responde de forma desrespeitosa?

MAYA:

O que precisamos entender é que a criança, quando tem um comportamento desrespeitoso, ela está fazendo duas coisas. A primeira é espelhando o que ela recebe. Então, provavelmente os adultos na vida dela, não estou falando só de pais, podem ser professores, parentes, enfim, se comunicam assim. A segunda, é que ela aprendeu que está tudo bem falar de forma desrespeitosa na hora que ela quer colocar um limite nos adultos. Isso também acontece porque adultos são extremamente invasivos. Ela não vai saber fazer isso de forma respeitosa, então ela vai falar de forma desrespeitosa, porque é isso que ela aprendeu nas relações. Por isso que eu digo: o que precisa acontecer é uma mudança sistemática nos adultos. Nós precisamos mudar primeiro, nós precisamos ser adultos melhores, dignos de sermos imitados pelos nossos filhos.

Maya, como estabelecer limites sem ser autoritário?

MAYA:
Na verdade, nós nos tornamos autoritários em colocar limites, porque nós temos a impressão de que a criança deveria nos escutar na primeira vez que a gente fala. E aí, quando isso não funciona, a gente já parte para o autoritarismo, para grosseria, para estupidez. Então, na verdade, colocar limites não é difícil. É só a gente sustentar aquele limite.

Por exemplo, a criança que quer o pirulito antes do almoço. Eu posso colocar esse limite e falar assim: “amor, não posso te dar, não vou te dar esse pirulito, porque é um excesso de açúcar antes do almoço”.

Agora, essa criança pode e tem o direito de não gostar desse limite. Ela não tem que ficar feliz. Ela não tem cérebro maduro para entender valor nutritivo, o que tem que ser comido antes, o que tem que ser comido depois. Isso não é responsabilidade dela, essa é a responsabilidade dos adultos. Então, ela tem todo o direito de reagir, seja lá como for.

Só que nós, adultos, ficamos ofendidos com essa reação, porque a gente acha que a criança deveria ficar feliz. E aí a criança vai ter a reação que ela tiver e eu não preciso desistir desse limite, e muito menos preciso partir para a grosseria pelo fato da criança não ter gostado do limite.

Ela pode não gostar, e eu vou acolher a reação dela: “eu vejo que você está triste, eu vejo que você queria muito esse pirulito”. E essa criança vai se expressar, vai ficar chateada, e eu não vou ceder, porque é uma questão de saúde, que é a minha responsabilidade.

Em resumo, eu posso sustentar o limite com justiça e gentileza.

A educação não violenta cria filhos mimados? Os pais podem dizer “não” aos filhos?

MAYA:

Claro que podemos dizer não. E quando nós colocamos limites com respeito, sem autoritarismo, sem grosseria, sem palavras violentas, os nossos filhos aprendem a atravessar a frustração diante de um não que nós damos.

E a responsabilidade emocional dos adultos é apoiar a criança a atravessar os desafios emocionais que ela enfrenta, inclusive quando somos nós que causamos o desafio emocional ao dizer um não. Então, nós não precisamos ter medo de dizer “não”.

Embora, quero abrir um parênteses, sobre como nós dizemos “não” com muito mais facilidade do que dizermos “sim”. Nós somos, geralmente, adultos que dizem muito “não”, colocam muito limite, mas que também precisam aprender a ser mais flexíveis.

Então, sim, podemos dizer “não”. Quando fazemos isso com respeito, nossos filhos se tornam não mimados e, sim, muito resilientes.

Como os pais podem trabalhar neles mesmos a paciência e o afeto para criar um ambiente de harmonia na criação dos filhos?

MAYA:

Primeiro é o autoconhecimento. Realmente compreender a própria história, perceber como as violências que se viveu na própria infância continuam respingando em outras pessoas, inclusive nos nossos próprios filhos, e que é nossa responsabilidade agora cuidar dessas feridas.

O segundo ponto é estudar. A gente muitas vezes se baseia no achismo para educar, isso é muito arriscado. É necessário estudar, inclusive indico a leitura dos meus livros, eu tenho quatro livros sobre educação positiva que apoiam adultos nessa busca de uma educação mais respeitosa.

Quais são algumas dicas para educar bem?

MAYA:
Uma frase que eu quero deixar para todos aqui, encerrando essa entrevista, é o título do meu primeiro livro: “A raiva não educa, a calma educa”. Não quer dizer que nós não vamos sentir raiva na hora de educar de vez em quando. Isso não é sobre não sentir, mas entender que, na hora da raiva, nós não vamos conseguir falar decentemente.
A maioria de nós, na hora da raiva, fica ríspido, grosseiro, desrespeitoso. Então, se você está com muita raiva da tua criança, do teu adolescente, dá um passo para trás, vai se acalmar de novo e depois que você estiver em um estado emocional mais regulado, aí sim você volta e educa a tua criança.

Leia a entrevista na íntegra

1816 - 13/07/2026 - Educação Não Violenta

 

3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Saúde e bem-estar”

Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

4º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

4º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Educação de qualidade”.

Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos

Dra. Zilda

“Em um lar sem brigas, as crianças crescem mais seguras, mais felizes e os adultos e sentem mais apoiados e confiantes no futuro”.

Papa Leão XIV

“O futuro exige que aprendamos a colaborar mais, a crescer juntos”.

Criança Educação

Gravidez de alto risco: cuidados necessários

Detalhes
Última Atualização: 17/07/2026
Crédito: Magnific

A gravidez de alto risco pode estar relacionada a diferentes fatores, como a saúde da gestante, a idade ou condições que surgem durante a gestação.

Problemas como pressão alta, diabetes, doenças cardíacas, doenças renais ou outras condições de saúde preexistentes podem exigir um acompanhamento mais cuidadoso.

Além disso, segundo o Ministério da Saúde, gestações em adolescentes e em mulheres com mais de 35 anos também merecem atenção especial, pois apresentam maior probabilidade de intercorrências e podem necessitar de um acompanhamento diferenciado.

Por isso, algumas gestantes precisam realizar consultas e exames com maior frequência do que outras. O objetivo é prevenir complicações, identificar e oferecer o tratamento necessário no momento certo e proporcionar mais segurança para a mãe e o bebê durante toda a gestação, no parto e também após o nascimento.

Para entender mais sobre a gravidez de alto risco, acompanhe a entrevista com a médica pediatra Ana Lea Clementino, integrante da equipe técnica da Pastoral da Criança.

Você pode ler o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo, você vai encontrar:

  • O que é considerado uma gravidez de alto risco?

  • Quais sinais a gestante de alto risco deve ficar atenta?

  • O que muda no pré-natal em uma gestação de alto risco?

  • Quais são os principais cuidados na gravidez de alto risco?

  • Como a mulher pode ajudar a prevenir uma gestação de alto risco antes mesmo de engravidar?

  • Qual é a importância de tomar ácido fólico antes de engravidar?

  • Como a idade da mãe influencia na gravidez?

  • Por que é importante cuidar da saúde mental na gravidez de alto risco?

(Dra. Ana Lea Clementino)

Entrevista com Dra. Ana Lea Clementino, médica pediatra, integrante da equipe técnica e líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná.

O que é considerado uma gravidez de alto risco?

DRA. ANA LEA:

A gravidez é considerada de alto risco quando existe uma maior chance de complicações para a mãe, para o bebê ou para ambos. Isso pode acontecer por condições em que a mulher já tinha antes de engravidar, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas ou doenças renais ou por situações que surgem durante a própria gestação como pressão alta, diabetes gestacional ou alterações no crescimento do bebê. Também merece atenção as gestantes muito jovens, geralmente abaixo de 15 anos e as mulheres com idade mais avançada, consideradas aquelas acima de 35 anos. É importante lembrar que uma gestação de alto risco não significa que algo ruim vai acontecer, mas sim que essa mãe precisa de um acompanhamento mais próximo para identificar e tratar qualquer problema o mais cedo possível.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1817 - 20/07/2026 - Gravidez de alto risco

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Dra. Ana Lea, a que sinais a gestante de alto risco deve ficar atenta?

DRA. ANA LEA:

Toda gestante deve procurar atendimento imediatamente se apresentar sangramento vaginal, perda de líquido pela vagina, dor abdominal intensa, febre, falta de ar, dor de cabeça forte e persistente, alterações na visão, inchaço súbito do rosto e das mãos ou diminuição dos movimentos do bebê. Esses sinais podem indicar complicações importantes e eles precisam de avaliação médica rápida. Quanto mais cedo a gestante for atendida, maiores são as chances de proteger a saúde da mãe e do bebê.

Dra. Ana Lea, o que muda no pré-natal em uma gestação de alto risco?

DRA. ANA LEA:

Na gestação de alto risco o pré-natal costuma ser mais frequente e inclui avaliações adicionais conforme a necessidade de cada mulher. Muitas vezes, são solicitados mais exames laboratoriais, ultrassonografias e consultas com especialistas. O objetivo é acompanhar de perto a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê. Mesmo quando a gestante é encaminhada para um serviço especializado, ela continua tendo direito ao acompanhamento da Unidade Básica de Saúde. Esse cuidado compartilhado ajuda a garantir uma assistência mais completa e segura durante toda a gravidez.

Quais são os principais cuidados na gravidez de alto risco?

DRA. ANA LEA:

Além de comparecer a todas as consultas, seguir corretamente as orientações médicas, usar os medicamentos e suplementos prescritos, a mulher quando está grávida deve manter uma alimentação saudável, beber bastante água, evitar cigarro, álcool e outras drogas, além de respeitar os períodos de descanso. Também é fundamental manter as vacinas em dia e observar qualquer sinal de alerta. A participação da família faz muita diferença, oferecendo apoio emocional e ajudando a gestante a seguir o tratamento. Quanto mais organizado for esse acompanhamento, melhores tendem a ser os resultados para a mãe e para o bebê na gestação.

Como a mulher pode ajudar a prevenir uma gestação de alto risco antes mesmo de engravidar?

DRA. ANA LEA:

O ideal é que a mulher cuide da saúde antes da gravidez. Isso inclui controlar doenças como a hipertensão e diabetes, manter um peso saudável, praticar atividade física, atualizar as vacinas, parar de fumar, iniciar o uso de ácido fólico quando estiver planejando engravidar. Consultas pré-concepcionais, ou seja, feitas antes de engravidar, ajudam a identificar fatores de risco que permitem que a gravidez comece nas melhores condições possíveis. Planejar a gestação é um ato de cuidado que beneficia tanto a mãe quanto o futuro do bebê.

Qual é a importância de tomar ácido fólico antes de engravidar?

DRA. ANA LEA:

O ácido fólico é uma vitamina muito importante para a formação do cérebro e da medula espinhal do bebê. O grande detalhe é que essas estruturas começam a se formar logo nas primeiras semanas da gestação, muitas vezes antes mesmo da mulher descobrir que está grávida. Por isso, quando a suplementação começa só após o teste positivo pode ser tarde para se obter o máximo de benefício. Então, o ácido fólico antes da gravidez reduz de forma significativa o risco de defeitos do tubo neural, como por exemplo, a espinha bífida e a anencefalia, além de contribuir para o desenvolvimento saudável do bebê. Por esse motivo, o Ministério da Saúde recomenda que toda mulher que pretende engravidar, inicie a suplementação de ácido fólico pelo menos 30 dias antes da gestação, antes de pretender engravidar, mantendo o uso até a décima segunda semana da gestação. E a responsabilidade emocional dos adultos é apoiar a criança a atravessar os desafios emocionais que ela enfrenta, inclusive quando somos nós que causamos o desafio emocional ao dizer um não. Então, nós não precisamos ter medo de dizer “não”.

Dra. Ana Lea, como a idade da mãe influencia na gravidez?

DRA. ANA LEA:

A idade pode influenciar bastante. Nas adolescentes, por exemplo, especialmente abaixo dos 15 anos, existe maior risco de parto prematuro, anemia e dificuldades sociais. Estas são consequências da própria imaturidade da adolescente, que podem afetar os cuidados na gestação. Já nas mulheres com 35 anos ou mais há o aumento dos riscos de hipertensão, diabetes gestacional e algumas alterações cromossômicas do bebê. Mas é importante lembrar que muitas mulheres têm gestações saudáveis nessas idades quando recebem acompanhamento adequado. Então, o mais importante é iniciar o pré-natal cedo e seguir todas as orientações da equipe de saúde.

Por que é importante cuidar da saúde mental na gravidez de alto risco?

DRA. ANA LEA:
A saúde mental é parte fundamental do cuidado de qualquer gestação, mas principalmente no caso da gravidez de alto risco, pois a mulher se encontra mais fragilizada. Então, a ansiedade excessiva, o estresse intenso e a depressão podem dificultar o autocuidado prejudicando o sono, a alimentação e até a adesão às orientações médicas. Por isso, a gestante precisa ser acolhida, escutada e apoiada pela família, pela comunidade e pelos profissionais de saúde. A Pastoral da Criança tem um papel muito bonito nesse processo, oferecendo presença, escuta e encorajamento. Uma mulher emocionalmente amparada costuma enfrentar melhor os desafios da gravidez e se preparar com mais tranquilidade para a chegada do bebê.

Leia a entrevista na íntegra

1817 - 20/07/2026 - Gravidez de alto risco

 

3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Saúde e bem-estar”

Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

Dra. Zilda

“Cada criança é uma benção de Deus para o mundo”.

Papa Leão XIV

"Diante da realidade de tantas mães que vivem a gravidez em condições de solidão ou de marginalidade, sinto o dever de recordar que a comunidade civil e a comunidade eclesial devem se empenhar com constância para devolver à maternidade a sua plena dignidade.”

Cuidados Gravidez

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