
Durante muito tempo, o papel do pai foi reduzido ao de provedor e autoridade responsável pela disciplina. Esse modelo afastou muitos homens do cuidado com os filhos e deixou sobre as mulheres a maior parte da responsabilidade.
Ser pai nunca deveria ter significado apenas sustentar a casa. A paternidade também exige cuidado, afeto, escuta, presença e compromisso com o desenvolvimento da criança.
A participação do pai não deve ser entendida como uma ajuda oferecida à mãe, mas como uma responsabilidade que precisa ser compartilhada.
O que a ciência diz sobre paternidade
A ciência associa o envolvimento paterno a melhores resultados no desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças.
Uma pesquisa recente, que reuniu 65 estudos e dados de mais de 154 mil crianças, encontrou associação entre o envolvimento paterno e melhores competências socioemocionais, especialmente quando a relação é caracterizada por acolhimento, atenção e respostas sensíveis às necessidades da criança.
Isso não significa que a simples presença física de um pai garanta o desenvolvimento saudável, nem que exista apenas um modelo válido de família. O que faz diferença é a qualidade do cuidado oferecido.
Um pai ausente emocionalmente, violento ou que transfere todas as responsabilidades para a mãe não exerce uma paternidade verdadeiramente presente.
Pesquisas sobre regulação emocional mostram justamente que os resultados dependem da qualidade do envolvimento e das características das relações familiares, e não apenas da quantidade de tempo compartilhado.
Orientações do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde orienta que essa participação comece ainda na gestação, com o acompanhamento do pré-natal, a preparação para o nascimento e a divisão das responsabilidades.
Depois que a criança nasce, o compromisso continua nos cuidados diários: dar banho, trocar fraldas, alimentar, acompanhar consultas e vacinas, participar da vida escolar, brincar, conversar e dividir as tarefas domésticas.
A orientação oficial também defende modelos de paternidade baseados na cooperação, no diálogo, no respeito, no cuidado e na não violência
Ser pai, portanto, não é apenas pagar as despesas, morar na mesma casa ou aparecer em momentos especiais. É assumir responsabilidades todos os dias, inclusive quando há cansaço, dificuldades ou outras prioridades. Presença paterna não é favor, gentileza ou motivo para elogio excepcional: é um dever com a criança e com a família.
Saiba mais
Neste conteúdo, diferentes pais compartilham suas experiências, desafios e aprendizados sobre a paternidade. As entrevistas propõem uma reflexão sobre o que significa ser pai em tempo integral, não apenas no discurso, mas nas escolhas, nas responsabilidades e nos cuidados de cada dia.
Neste conteúdo, você vai encontrar:
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O que é a paternidade em tempo integral?
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Qual é a importância do pai saber lidar com as emoções?
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Quais são as principais características de um pai participativo?
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Como a presença do pai pode fazer a diferença na família e na vida de uma criança?
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Como o pai contribui para o bem-estar da criança?
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Quais são as principais dúvidas e desafios para os pais hoje?
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Como os pais influenciam na vida dos filhos?
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O que os pais têm para comemorar nesse Dia dos Pais?
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Mensagem para o Dia dos Pais.
José Carlos Martins da SilvaEntrevista com José Carlos Martins da Silva, da equipe de coordenação diocesana, da pastoral da criança da diocese de Caicó, Rio Grande do Norte.
José, Carlos, o que é a paternidade em tempo integral?
JOSÉ CARLOS:
A paternidade em tempo integral é muito mais do que garantir o sustento da família. É estar presente na vida dos filhos e das filhas, participando do cuidado, da educação, do afeto e do acompanhamento do seu crescimento. Ser pai em tempo integral não significa estar ao lado do filho 24 horas por dia, mas assumir todos os dias as responsabilidades de amar, orientar, proteger e educar. A presença do pai contribui para o desenvolvimento emocional, social e afetivo da criança, fortalecendo sua autoestima, segurança e confiança. Pequenos gestos como conversar, brincar, ouvir, ajudar nas tarefas e demonstrar carinho faz uma grande diferença.
Qual é a importância do pai saber lidar com as emoções
JOSÉ CARLOS:
Saber lidar com as próprias emoções é uma das maiores demonstrações de cuidado que um pai pode oferecer aos seus filhos e filhas. Quando o pai reconhece seus sentimentos, dialoga com respeito, controla a raiva e expressa afeto, ele ensina seus filhos que sentir emoções é natural e que elas podem ser vividas de forma saudável. Um pai emocionalmente equilibrado contribui para que as crianças se sintam seguras, acolhidas e confiantes para falar sobre seus medos, tristezas e alegrias.
Hécio Mudesto FerreiraEntrevista com Hécio Mudesto Ferreira, Coordenador diocesano da Pastoral da Criança, na diocese de Uberlândia, Minas Gerais.
Programa de rádio Viva a Vida – 1818 - 27/07/2026 - Combate ao tráfico de crianças
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Hécio, quais são as principais características de um pai participativo?
HÉCIO:
Um pai participativo se define em três pilares: presença, escuta e exemplo. A presença tem que ser atenta, não é apenas estar no mesmo ambiente. É estar presente de verdade. É ouvir com interesse, olhar nos olhos, criar um espaço seguro onde os filhos se sintam amados e validados, independente de sua idade. Um pai participativo ensina muito mais pelo que faz do que pelo que diz. Ele transmite valores através de suas atitudes, sendo uma referência de ética, cuidado e fé transformando cada momento do dia em uma oportunidade de educar e acolher.
Celso dos Santos CoelhoEntrevista com Celso dos Santos Coelho, líder da Pastoral da Criança, Setor Lapa e Sé, cidade de São Paulo, São Paulo.
Celso, como a presença do pai pode fazer a diferença na família e na vida de uma criança?
CELSO DOS SANTOS:
A presença paterna fará sim muita diferença principalmente se for acompanhada de um forte senso de responsabilidade no cuidado tanto com a mãe quanto com a criança na gestação e no desenvolvimento dessa criança. Essa criança precisará de um ambiente tranquilo e pacífico para atingir seu pleno desenvolvimento. O pai não supre apenas com alimento e nas necessidades básicas. O envolvimento vai muito além da provisão material. A conexão é construída nos detalhes da rotina em conversas e no tempo dedicado aos filhos. O pai costuma representar uma referência estrutural ensinando princípios e valores, que serão úteis no decorrer de toda a vida desses filhos.
Entrevista com Mário Leandro da Silva, coordenador diocesano da Pastoral da Criança, na diocese de Itapeva, estado de São Paulo.
Mário Leandro, como o pai contribui para o bem-estar da criança?
MÁRIO LEANDRO:
Quando o pai participa ele faz toda a diferença na família e na vida daquela criança. Então, não basta ser um pai presente, é preciso que ele esteja participando desde a gestação da mãe e de todo o desenvolvimento daquela criança, principalmente nos 2 primeiros anos de vida, onde a criança vai receber toda aquela informação, aquela segurança, aquele apoio. E, depois, a criança vai vendo o exemplo, vai seguindo o exemplo do pai, como se fosse um porto seguro no seu dia a dia durante a caminhada em toda a sua vida.
Gleiberson Dias Martins PereiraEntrevista com Gleiberson Dias Martins Pereira, coordenador diocesano da Pastoral da Criança, de Governador Valadares, Minas Gerais.
Gleiberson, quais são as principais dúvidas e desafios para os pais hoje?
GLEIBERSON:
Como pai, acredito que um dos maiores desafios, hoje, é encontrar tempo de qualidade para estar presente na vida dos filhos. Também a preocupação em orientar as crianças diante de tantas informações e influências das redes sociais. Queremos oferecer amor, proteção, educação e valores, mas nem sempre é fácil. Por isso, o apoio da família e da comunidade e de iniciativas como a Pastoral da Criança fazem toda a diferença.
José Eduardo de Souza PalhetaEntrevista com José Eduardo de Souza Palheta, diácono e coordenador diocesano da Pastoral da Criança, da diocese de Castanhal, estado do Pará.
José Eduardo, como os pais influenciam na vida dos filhos?
JOSÉ EDUARDO:
Os pais são a principal influência na vida dos filhos. Eles moldam o desenvolvimento físico, emocional e social servindo como modelo de comportamento. O relacionamento entre pais e filhos deve ser único, marcante e que influencia a vida de toda uma geração, direcionando e dando identidade a eles. A presença ativa dos pais contribui para o crescimento saudável e equilibrado dos filhos proporcionando benefícios que perduram por toda uma vida.
Domingos Fausto Alves da SilvaEntrevista com Domingos Fausto Alves da Silva, líder e Coordenador diocesano da Pastoral da Criança, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Governador Mangabeira, diocese de Cruz das Almas, Bahia.
Domingos, na sua opinião, o que os pais têm para comemorar nesse Dia dos Pais?
DOMINGOS:
Os pais têm para comemorar os bons exemplos na vida dos filhos, dando testemunhos, transmitido valores que farão dos filhos pessoas melhores. Assim, vale muito à pena comemorar o Dia dos Pais, pois é gratificante para um pai ver seus filhos crescerem seguindo o caminho que Deus sonhou para todos os Seus filhos
Entrevista com Alexandre Pereira, coordenador diocesano da Pastoral da Criança do Vicariato de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Alexandre, qual é a sua mensagem para o Dia dos Pais?
ALEXANDRE:
Quero parabenizar a todos os pais, líderes da Pastoral da Criança, que decidiram doar um pouquinho do seu tempo ao próximo construindo já o Reino de Deus aqui na terra. Um feliz Dia dos Pais a todos.
1819 - 03/08/2026 - Dia dos Pais
5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Igualdade de gênero”.
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas
Dra. Zilda
“O pai também exerce papel importante para que a criança seja criada num ambiente de amor e fraternidade; precisamos escutá-lo e motivá-lo a abraçar essa sua missão”.
“Encorajo-vos a ser exemplos de coerência para os vossos filhos, comportando-vos como quereis que eles se comportem, educando-os para a liberdade através da obediência, procurando sempre os meios para aumentar o bem que existe neles.”
