A Pastoral da Criança esteve presente na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada de 18 a 23 de maio, em Genebra, na Suíça, representada pela assessora nacional Vânia Leite, que integrou a comitiva do Ministério da Saúde. Como observadora, Vânia participou de eventos paralelos à Assembleia e acompanhou debates internacionais sobre temas que conversam diretamente com a missão da Pastoral da Criança nas comunidades.
O que é a Assembleia Mundial da Saúde?
A Assembleia Mundial da Saúde é o principal órgão decisório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Realizada anualmente na Suíça, reúne representantes dos países membros da OMS para definir políticas, aprovar prioridades, supervisionar questões financeiras e orientar a resposta global aos principais desafios de saúde pública.
Qual era o tema da Assembleia Mundial da Saúde em 2026?
O tema central da Assembleia foi “Reformulando a saúde global: uma responsabilidade compartilhada”, em um contexto marcado por emergências sanitárias, cortes no financiamento internacional e debates sobre a necessidade de sistemas de saúde mais fortes.
Também foram discutidos assuntos como equidade, cooperação global, preparação para pandemias, financiamento sustentável, fortalecimento da atenção primária, vacinação, saúde mental e mudanças climáticas.
Debates globais, reflexões para as comunidades
De acordo com Vânia, muitas das discussões da Assembleia se relacionam diretamente com a realidade das famílias acompanhadas pela Pastoral da Criança. Um dos pontos destacados foi a importância da participação social na construção de políticas públicas mais efetivas e próximas das comunidades.
“O encontro reforçou a compreensão de que sistemas públicos de saúde fortes dependem não apenas de financiamento e infraestrutura, mas também da garantia de participação social efetiva, diálogo democrático e construção coletiva das políticas públicas”, registrou.
Vacinação e combate à desinformação
A vacinação também apareceu entre os temas centrais acompanhados por Vânia. Nos debates, a imunização foi tratada como uma estratégia permanente de proteção coletiva, que depende não apenas da oferta de vacinas, mas também da confiança da população e do enfrentamento da desinformação.
“A vacinação permanece como uma das mais importantes ferramentas de proteção coletiva, e sua sustentabilidade depende da capacidade dos sistemas de saúde em dialogar com a população, combater desigualdades e promover uma cultura de prevenção e solidariedade social”, avaliou.
Alimentação saudável e proteção das crianças
Outro tema que chamou atenção foi a alimentação saudável, especialmente diante dos impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde pública. As discussões destacaram a preocupação com doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares, além da necessidade de proteger crianças e adolescentes das estratégias de publicidade e marketing da indústria alimentícia.
“O evento demonstrou preocupação com a proteção da saúde pública, especialmente de crianças e adolescentes, considerados mais vulneráveis às estratégias de marketing da indústria alimentícia. (...) Uma das questões que mais me chamou atenção foi a defesa de medidas regulatórias mais rigorosas, como rotulagem frontal de advertência, controle da publicidade infantil e tributação de produtos ultraprocessados.”
Apostas online e saúde mental
Vânia também acompanhou debates sobre as apostas online, a partir de um olhar da saúde pública. O tema foi tratado como uma preocupação crescente, especialmente pelos impactos sobre famílias em situação de vulnerabilidade e pessoas afetadas por sofrimento mental, endividamento e isolamento social.
“O problema das apostas não pode mais ser tratado apenas como uma questão individual, mas sim como uma crise global de saúde pública. (...) A reunião reforçou que enfrentar os danos causados pelas apostas exige ação imediata, responsabilidade coletiva e compromisso com a proteção da saúde mental e da dignidade humana.”
Além desses temas, os eventos paralelos também abordaram questões como o impacto das mudanças climáticas sobre a saúde, a valorização dos profissionais de saúde e o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde, como o SUS.
Saúde pública se constrói também nas comunidades
Ao relacionar os debates internacionais com a missão da Pastoral da Criança, Vânia destacou que o cuidado em saúde vai além do alcance do sistema público, exigindo também a construção de vínculos com as comunidades.
“Mais do que ampliar acesso, é necessário fortalecer vínculos sociais, credibilidade institucional e participação comunitária”, finalizou.