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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

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Seção 5

Recursos

Histórias

Escutai o meu ensino, povo meu;  
inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.  
Abrirei a minha boca numa parábola;  
proporei enigmas da antiguidade,  
coisas que temos ouvido e sabido,  
e que nossos pais nos têm contado.  
Não os encobriremos aos seus filhos,  
cantaremos às gerações vindouras  
os louvores do Senhor, assim como a sua força  
e as maravilhas que tem feito. 

Estes versos da Bíblia hebraica (Salmo 78:1-4) trazem à luz uma das dimensões do que significa ser 
humano: a fim de chegar ao que há de mais profundo em cada um de nós, não há nada como uma 
história para cruzar o umbral e penetrar em nosso interior. Deus, ou o Supremo, ou a Realidade, ou a 
Sabedoria, ou o Transcendente, ou o Incognoscível, ou o Incomparável, tudo isso é mediado pelas 
histórias. As histórias ecoam tradições do passado, o que nós escutamos e o que nossos antepassados 
nos disseram. As histórias são transmitidas de uma geração a outra. Sobrevivem unicamente graças à 
memória, e nisso consiste sua autoridade. Por meio delas, as novas gerações adquirem conhecimentos. 
Não pretendem ser fatos irrefutáveis; não têm porque sê-lo, já que os ouvintes as aceitam como um 
tipo diferente de verdade do que a que aparece nos preceitos e nas teorias. De fato, em uma história 
de ficção pode haver uma grande dose de verdade, e muita falsidade em uma história que utiliza fatos 
concretos. A narração de histórias, diz Hannah Arendt, revela o significado sem cometer o erro de 
defini-lo.

1

Nisso reside a força da história. O significado é sugerido e não imposto sobre nós como
uma camisa de força. É percebido, mas não conceitualizado. Está lá, mas não pode ser visto.

As  histórias  conectam  o  céu  à  terra,  a  realidade  concreta  a  essa  outra  realidade  que  é  muito
mais difícil  de  articular  ou  compreender.  As  histórias  podem  abrir  as  portas  para  o  passado;
fazem presente reverberar em uma eternidade sem limites e contêm uma referência do futuro. O poeta
o romancista nigeriano Ben Okri diz: “Saiba que as histórias podem conquistar o medo. Elas podem 
e tornar o coração maior.”

Todos adoramos ouvir histórias. A criança na cama antes de dormir, as pessoas reunidas em torno de 
um contador de histórias ao pé da lareira, saboreando as palavras, assentindo com a cabeça, sorrindo, 
gargalhando e cutucando satisfeitos uns aos outros. Quando se escuta a narração de uma história, 
surge  um  sentimento  de  comunhão  e  uma  sensação  de  pertencer  a  uma  comunidade.  Embora 
provavelmente seja verdade que a tecnologia, os meios interativos e os jogos eletrônicos disponíveis 
em  muitas  culturas  oferecem  histórias  mais  avançadas,  situações  mais  coloridas,  detalhes  mais 
explícitos, a fascinação diante das narrativas faz parte do ser humano. Na tradição judaica, diz-se que 
o ser humano não é o único que aprecia a narração de histórias. Quando se pergunta: “Por que Deus 
criou o homem?”, a resposta é: “Porque Deus adora escutar uma boa história.”

Hannah Arendt (1906 -1975), pensadora política e filósofa alemã: Origins of Storytelling,
Bartlett’s Book of Quotations

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Seção 5

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A  história  permite  que  a  criança  entre  em  outro  mundo,  que  lhe  é  ao  mesmo  tempo  familiar  e 
desconhecido.  Uma  história  começa  com  palavras  mágicas:  “Era  uma  vez”.  Em  árabe,  as  histórias 
começam dizendo: Ken ye me ken, que pode ser traduzido como “foi e não foi”, e todo mundo sabe 
que  chegou  o  momento  de  escutar  uma  história.  Quando  algumas  pessoas  no  Irã  contam  uma 
história, começam dizendo: Yeki bud, yeki nabud, “houve uma vez e não houve”, e todos se sentam 
para escutar e se preparam para entrar em um universo onde tudo isso é possível. As histórias não são 
contos de fadas, mas expressões em todos os níveis do que realmente significa ser humano. Ninguém 
sonharia em extrair dogmas ou proposições teóricas de uma história. As histórias acontecem em uma 
dimensão onde há alguém e não há ninguém, ou onde algo acontece e ao mesmo tempo não acontece.

A narração de histórias ocorre no mundo real, mas a história em si não é o mundo real. É um tipo 
diferente de mundo, que tem muito a ver com o crepúsculo. Dois tipos de luzes se encontram, a luz 
do dia e a luz da noite, e somos incapazes de dizer onde começa uma e termina a outra. A pessoa se 
encontra no umbral, quando não está dentro nem fora. Somente no umbral podemos compreender 
que dois tipos de verdades contraditórias não se excluem, mas podem ser mantidos juntos em uma 
tensão criativa para nos conduzir, cada vez mais profundamente, ao nosso próprio ser.

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Eco e Narciso

Eco era uma ninfa que morava em um bosque junto a outras ninfas amigas e gostava de caçar, por 
isso era uma das favoritas da deusa Artemísia.

Mas  Eco  tinha  um  grave  defeito:  Era  muito  conversadora.  Em  qualquer  conversa  ou  discussão, 
sempre queria ter a última palavra.

Certo dia, a deusa Hera saiu em busca de seu marido Zeus, que gostava de se divertir entre as ninfas. 
Quando Hera chegou ao bosque das ninfas, Eco a entreteve com sua conversa enquanto as ninfas 
fugiam.

Quando  descobriu  sua  trapaça,  Hera  a  condenou  dizendo:  –  Por  ter  me  enganado,  a  partir
deste momento você perderá o uso da língua. E, já que gosta tanto de ter a última palavra sozinha,
poderá responder com a última palavra que escutar. Jamais poderá voltar a falar primeiro.

Eco, com sua maldição, dedicou-se à caça, percorrendo montes e bosques. Um dia viu um formoso 
jovem chamado Narciso e se apaixonou perdidamente por ele. Desejou poder conversar com ele, mas 
tinha a palavra vedada. Então começou a persegui-lo esperando que Narciso lhe falasse em algum 
momento.

Em certo momento, Narciso estava sozinho no bosque, escutou um ranger de ramos às suas costas e 
gritou: – Tem alguém aqui?

Eco respondeu: – Aqui.

Como não viu ninguém, Narciso gritou de novo: – Vem!

E Eco respondeu: – Vem!

Como ninguém se aproximava, Narciso disse: – Por que foges de mim? Unamo-nos!

A ninfa, louca de amor, lançou-se em seus braços dizendo: – Unamo-nos!

Narciso deu um salto para trás dizendo: – Afaste-se de mim! Prefiro morrer a te pertencer!

Eco respondeu: – Te pertencer.

Diante  da  forte  rejeição  de  Narciso,  Eco  sentiu  uma  vergonha  tão  grande  que,  chorando,  se 
enclausurou nas cavernas e nos picos das montanhas. A tristeza consumiu seu corpo até pulverizá-la. 
Só ficou sua voz para responder com a última palavra a qualquer pessoa que lhe falasse.

Narciso rejeitou Eco e sua crueldade se manifestou também entre outras ninfas que se apaixonaram 
por ele. Uma dessas ninfas, que havia tentado ganhar seu amor sem conseguir, suplicou à deusa Hera 
que  Narciso  sentisse  algum  dia  o  que  era  amar  sem  ser  correspondido,  e  a  deusa  respondeu 
favoravelmente à sua súplica.

Escondida no bosque, havia uma fonte de água cristalina. Tão clara e mansa era a fonte que parecia 
um espelho. Um dia, Narciso se aproximou para beber e, ao ver sua própria imagem refletida, pensou 
que era um espírito da água que habitava esse lugar. Ficou extasiado ao ver esse rosto perfeito, os 
cabelos  louros  ondulados,  o  azul  profundo  de  seus  olhos,  e  se  apaixonou  perdidamente  por
essa imagem.

Desejou se afastar, mas a atração que exercia sobre ele era tão forte que não conseguiu se separar. 
Muito pelo contrário, desejou beijá-lo e abraçá-lo com todas as suas forças. Tinha se apaixonado por 
si mesmo.

Desesperado, Narciso começou a falar: – Por que foges de mim, formoso espírito das águas? Se sorrio, 
você sorri. Se estico meus braços em sua direção, você também estica. Não compreendo.

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Todas as ninfas me amam, mas não queres aproximar-te. – Enquanto falava, uma lágrima caiu de 
seus olhos. A imagem refletida ficou nublada e Narciso suplicou: – Rogo que fiques junto de mim. Já 
que me é impossível tocar-te, deixa que te contemple.

Narciso continuou apaixonado por si mesmo. Não comia nem bebia para não se separar da imagem, 
até que terminou se consumindo e morreu.

As ninfas quiseram dar-lhe sepultura, mas não encontraram o corpo em nenhuma parte. No lugar, 
apareceu  uma  flor  formosa  de  folhas  brancas  que,  para  conservar  sua  lembrança,  leva  o  nome  de 
narciso.

(Pedro Calderón de la Barca, 1961)

Uma lenda hindu

Em uma antiga cidade da Índia viviam seis cegos. Eles sempre ouviam falar do majestoso elefante do 
Rajá (príncipe). Até que um dia resolveram examinar diretamente o grande animal. 

Chegando perto do elefante, o primeiro cego conseguiu colocar a mão na barriga do elefante e disse: 

– O elefante é como um muro. 

Porém, o segundo cego segurou uma das presas e, ouvindo o amigo, disse: 

– Não, o elefante é pontiagudo e duro como uma lança. 

O terceiro cego, agarrando com força a tromba, discordou: 

– O elefante é como uma serpente. 

O quarto cego, pegando a enorme perna do elefante, disse: 

– Vocês estão todos enganados, parece que estão loucos! O elefante é como um tronco de árvore! 

O quinto cego, ouvindo a confusão dos amigos, decidiu saltar por cima do animal. Segurou, então, 
uma das grandes orelhas do elefante e disse: 

– Todos vocês são mesmo uns idiotas, não perceberam que o elefante é um grande leque de abano. 

Por fim, o sexto cego segurou a cauda cuidadosamente e disse: 

– Calem-se todos! O elefante é uma enorme corda resistente. 

Os  cegos,  pegando  uma  parte  do  corpo  do  elefante,  conheceram  apenas  uma  parte  do  animal. 
Entretanto, cada cego era muito orgulhoso. Pensava que sua parte correspondia ao todo do corpo do 
animal, criando toda a confusão. 

(adaptação, Kuo, Louise e Kuo, Yuan-Hsi (1976), “Chinese Folk Tales”. Celestial Arts. pp. 83-85.)

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A mandioca

Nenhum homem a havia tocado, mas uma criança cresceu no ventre da filha do chefe.

Chamaram-no Mani. Poucos dias depois de nascer, já corria e conversava. Dos mais remotos cantos 
da selva, vinham conhecer o prodigioso Mani.

Não sofreu de nenhuma doença, mas ao completar um ano, disse: “Vou morrer”; e morreu.

Passou um tempo e uma planta jamais vista brotou na sepultura do Mani, que a mãe regava todas as 
manhãs. A planta cresceu, floresceu, deu frutos. Os pássaros que a bicavam andavam ao léu pelo ar, 
batendo as asas em espirais loucas e cantando como nunca.

Um dia a terra se abriu onde Mani jazia.

O chefe afundou a mão e arrancou uma raiz grande e carnosa. Ralou-a com uma pedra, fez uma 
pasta, a espremeu e ao calor do fogo assou pão para todos.

Deram o nome de mani oca a essa raiz, “casa do Mani”, e mandioca é o nome que tem esse alimento 
na bacia amazônica e em outros lugares.

(Benjamin  Péret,  extraído  de  Anthologie  des  mythes,  légendes  et  contes  populaires  d’Amérique,
Paris, Albin Michel, 1960)

A raposa e a cegonha

Um dia a raposa foi visitar a cegonha e convidou-a para jantar.

Na noite seguinte, a cegonha chegou à casa da raposa.

– Que bem que cheira! – disse a cegonha ao ver a raposa fazendo o jantar.

– Vem, vamos comer – disse a raposa, olhando o comprido bico da cegonha e rindo-se para si mesma.

A raposa, que tinha feito uma saborosa sopa, serviu-a em dois pratos rasos e começou a lamber a sua. 
Mas a cegonha não conseguiu comer: o bico era muito comprido e estreito e o prato muito plano. 
Era, porém, muito educada para se queixar e voltou para casa cheinha de fome.

Claro que a raposa fez piada da situação!

A cegonha pensou, voltou a pensar e achou que a raposa merecia uma lição. E convidou-a também 
para jantar. Fez uma apetitosa e bem cheirosa sopa, tal como a raposa tinha feito. Porém, desta vez 
serviu-a em jarros muito altos e estreitos, totalmente apropriados para enfiar o seu bico.

– Anda, vem comer, amiga Raposa, a sopa está simplesmente deliciosa – falou a cegonha, fazendo o 
ar mais cândido deste mundo.

E foi a vez de a raposa não conseguir comer nada: os jarros eram muito altos e muito estreitos. 

– Muito obrigado, amiga Cegonha, mas não tenho fome nenhuma – respondeu a raposa com um ar 
muito pesaroso. E voltou para casa de mau humor, porque a cegonha lhe tinha dado o troco.

(Félix María Samaniego, Fabula)

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As Três Penas

Era  uma  vez  um  rico  senhor  de  terras  que  tinha  três  filhos.  Os  dois  mais  velhos  eram  muito 
habilidosos e inteligentes; o terceiro, porém, não falava muito e era humilde, sendo conhecido como 
Simplório.  Quando  estava  velho  e  debilitado,  o  fazendeiro  começou  a  pensar  sobre  seu  final,  não 
sabendo a qual dos filhos deveria deixar a fazenda. Então ele os chamou e disse:

– Saiam pelo mundo. Aquele que me trouxer o tapete mais belo herdará minha fazenda – e, para que 
não  houvesse  disputa  entre  eles,  levou-os  para  fora  do  palácio,  lançou  três  penas  ao  ar  e  disse:  – 
Sigam na direção em que forem as penas. 

Uma voou para o leste, outra para o oeste, mas a terceira subiu e, sem sair do lugar, caiu de novo ao 
chão. Um dos filhos mais velhos seguiu para o leste e o outro para o oeste, ambos rindo de Simplório, 
que não teve outra alternativa senão ficar onde a terceira pena havia caído. Ele se sentou no chão, 
entristecido, mas ao fazer isso percebeu que próximo da pena, no solo, havia um alçapão. Ao levantá-
lo, encontrou uma escadaria e desceu por ela. Mais abaixo, chegou a outra porta, bateu e escutou 
dentro uma voz que dizia:

 – Donzela verdinha,
saltando aqui e acolá,
salte até a porta
para ver quem será.
A porta se abriu e ele se deparou com uma rã grande e gorda, cercada por uma porção de rãs menores. 
A rã gorda lhe perguntou o que queria. Ele disse:

– Gostaria de obter o tapete mais belo e fino do mundo. 

Então ela chamou uma das rãs pequenas e lhe disse:

– Donzela verdinha,
saltando aqui e acolá,
salte rápido e traga
aquele baú para cá.
A rãzinha trouxe o baú e a rã gorda o abriu, dando a Simplório um tapete tão fino e tão belo que ninguém 
no  mundo  poderia  ter  nada  igual.  Ele  a  agradeceu  pelo  favor  e  subiu  novamente.  Os  outros  irmãos, 
porém, achavam seu irmão tão ingênuo que não acreditavam que ele pudesse trazer alguma coisa.

–  Para  que  vamos  nos  incomodar  procurando  tanto?  –  eles  pensaram,  e,  pegando  alguns  panos 
rústicos feitos pelas esposas de pastores que encontraram pelo caminho, eles os levaram para a casa de 
seu pai. Ao mesmo tempo, chegou Simplório trazendo o belíssimo tapete. Ao vê-lo, o fazendeiro se 
surpreendeu e disse:

– Para ser justo, a fazenda pertencerá ao mais novo.

Os outros, porém, não deixavam seu pai em paz, dizendo que era impossível que Simplório, tão tolo 
em muitas outras coisas, pudesse ser o novo proprietário da fazenda. Finalmente eles convenceram o 
pai a fazer um novo acordo entre eles. Então o pai disse:

– Aquele que me trouxer o anel mais belo herdará minha fazenda.

Levou-os para fora, jogou as três penas para cima e indicou qual deveriam seguir. As penas dos dois 
mais velhos seguiram para o leste e o oeste, mas a de Simplório novamente subiu e desceu perto da 
porta que ele já conhecia. Então ele desceu novamente até a rã gorda e lhe disse que desejava o anel 
mais belo. Imediatamente, ela ordenou que trouxessem o baú e dele retirou um formoso anel, com 
joias brilhantes, tão belo que nenhum joalheiro seria capaz de fazer algo parecido. 

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Seção 5

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Enquanto  isso,  os  dois  irmãos  mais  velhos  riam-se  ao  imaginar  Simplório  em  busca  de  um  anel 
dourado. E nem se preocuparam muito com a tarefa. Pegaram o primeiro anel que encontraram em 
uma venda do povoado e o levaram ao pai. Porém, quando Simplório apresentou o anel que trazia, 
seu pai disse novamente:

– A fazenda será de Simplório.

Os dois mais velhos não se cansavam de atormentar o pai para que impusesse uma terceira condição: 
dar a fazenda a quem trouxesse para casa a mulher mais formosa. Por fim, ele cedeu e novamente 
lançou ao ar as penas, que voaram como antes.

Então, Simplório, sem ter mais o que fazer, desceu até a rã gorda e lhe disse: 

– Agora tenho que levar a mulher mais bela para casa. 

– Oh! – respondeu a rã – A mulher mais bela! Não a tenho à mão neste momento, mas de qualquer 
maneira você a terá.

A rã lhe deu um nabo oco puxado por seis ratos em arreios. Simplório, um tanto confuso, perguntou:

– Mas o que posso fazer com isso?

A rã respondeu:

– Simplesmente coloque uma de minhas rãzinhas dentro do nabo. 

Dizendo isso, pegou ao acaso uma das rãs à sua volta e a pôs dentro do nabo. Imediatamente, o nabo 
se  converteu  em  uma  luxuosa  carruagem,  os  ratos em fogosos cavalos e a rã em uma belíssima 
donzela. Então Simplório a beijou e partiu junto com ela na carruagem rumo à casa de seu pai.

Os  irmãos  logo  chegaram,  já  que  não  haviam  se  esforçado  muito  para  procurar  mulheres  belas. 
Traziam  consigo  as  primeiras  camponesas  que  encontraram  pelo  caminho.  Quando  viu  todas,  o 
fazendeiro disse:

– Depois de minha morte, a fazenda será de meu filho mais novo.

Imediatamente, os dois mais velhos insistiram que fizesse algo mais, dizendo:

– Não podemos concordar tão facilmente que Simplório seja o herdeiro. Queremos que o escolhido 
seja aquele cuja esposa consiga saltar através de um arco colocado no centro da sala.

Ao  fazer  essa  exigência,  eles  pensavam:  “Nossas  mulheres  camponesas  farão  isso  com  facilidade, 
enquanto a refinada donzela cairá e se machucará.”

O pai aceitou essa última proposta. Então as duas camponesas saltaram através do arco, mas eram 
tão corpulentas que caíram e machucaram seus braços e pernas. Quando chegou a vez da bela donzela 
trazida por Simplório, ela saltou tão habilmente quanto uma rã, sem sofrer qualquer acidente.

Nesse ponto, os filhos mais velhos não se opuseram mais. Simplório recebeu a fazenda e a administrou 
com total sabedoria pelo resto de sua vida. Os irmãos o aceitaram como patrão e viveram em paz 
desse dia em diante.

Moral da história:

Nunca se deve julgar pelas aparências. Dentro de um espírito aparentemente simples pode haver uma 
imensa grandeza.

(Irmãos Grimm)

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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

130

Um bonito conto de Paulo Coelho

Um homem, o seu cavalo e o seu cão iam por um caminho. 
Quando passavam perto de uma árvore enorme, caiu um raio e os três morreram fulminados. 
Mas o homem não se deu conta de que já tinha abandonado este mundo, e prosseguiu o seu 
caminho com os seus dois animais (às vezes os mortos andam um certo tempo antes de tomarem 
consciência da sua nova condição…) 
O caminho era muito comprido e, colina acima, o Sol estava muito intenso; eles estavam suados e 
sedentos. 
Numa curva do caminho viram um magnífico portal de mármore, que conduzia a uma praça 
pavimentada com portais de ouro. 
O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada e travou com ele o seguinte diálogo: 
- Bons dias. 
- Bons dias – respondeu o guardião. 
- Como se chama este lugar tão bonito? 
- Aqui é o Céu. 
- Que bom termos chegado ao Céu, porque estamos sedentos! 
- Você pode entrar e beber quanta água queira. E o guardião apontou a fonte. 
- Mas o meu cavalo e o meu cão também têm sede… 
- Sinto muito – disse o guardião – mas aqui não é permitida a entrada de animais.
O homem levantou-se com grande desgosto, visto que tinha muitíssima sede, mas não pensava em 
beber sozinho. 
Agradeceu ao guardião e seguiu adiante. 
Depois de caminhar um bom pedaço de tempo encosta acima, já exaustos os três, chegaram a um 
outro sítio, cuja entrada estava assinalada por uma porta velha que dava para um caminho de terra 
ladeado por árvores… 
À sombra de uma das árvores estava deitado um homem, com a cabeça tapada por um chapéu. 
Dormia, provavelmente.
- Bons dias – disse o caminhante. 
O homem respondeu com um aceno. 
- Temos muita sede, o meu cavalo, o meu cão e eu. 
- Há uma fonte no meio daquelas rochas – disse o homem apontando o lugar. 
- Podeis beber toda a água que quiserdes. 
O homem, o cavalo e o cão foram até a fonte e mataram a sua sede. 
O caminhante voltou atrás, para agradecer ao homem. 
- Podeis voltar sempre que quiserdes – respondeu este. 
- A propósito, como se chama este lugar? – perguntou o caminhante. 
- CÉU. 
- O Céu? Mas, o guardião do portão de mármore disse-me que ali é que era o Céu! 
- Ali não é o Céu, é o inferno – contradisse o guardião. 
O caminhante ficou perplexo. 
- Deverias proibir que utilizem o vosso nome! Essa informação falsa deve provocar grandes 
confusões! – advertiu o caminhante. 
- De modo nenhum! – respondeu o guardião – na realidade, fazem-nos um grande favor, porque 
ficam ali todos os que são capazes de abandonar os seus melhores amigos…

(Paulo Coelho)

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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

131

A oração do alfabeto

Tarde da noite, um pobre lavrador no caminho de volta do mercado viu-se sem o livro de orações. A 
roda da carroça tinha se soltado justo no meio da floresta e ele estava aflito porque o dia ia se acabar 
sem  que  tivesse  suas  orações.  Por  isso,  esta  é  a  oração  que  fez:  Fiz  uma  coisa  muito
imprudente, Senhor. Esta manhã saí de casa sem o meu livro de orações e minha memória é ta quenão
consigo dizer uma única oração sem ele. Por isso, eis o que vou fazer: recitarei cinco vezes o alfabeto,
bem devagar, e o senhor, que conhece todas as orações, poderá juntar as letras e formar as orações que
não consigo lembrar. E o Senhor disse aos seus anjos: De todas as orações que ouvi hoje, essa foi, sem 
dúvida, a melhor, porque veio de um coração simples e sincero! 

(Anthony de Mello, extraído de La oração de la rana I)

A criação

A mulher e o homem sonhavam que Deus estava sonhando com eles.

Deus sonhava com eles enquanto cantava e agitava suas maracas, envolto por fumaça, e se sentia feliz 
e também estremecido pela dúvida e o mistério.

Os índios makiritare sabem que se Deus sonha com comida, frutifica e dá de comer. Se Deus sonha 
com a vida, nasce e dá nascimento.

A mulher e o homem sonhavam que no sonho de Deus aparecia um grande ovo brilhante. Dentro do 
ovo, eles cantavam e dançavam e faziam muita festa, porque estavam loucos de vontade de nascer. 
Sonhavam  que  no  sonho  de  Deus  a  alegria  era  mais  forte  do  que  a  dúvida  e  o  mistério;  e
Deus, sonhando, os criava, e cantando dizia:

– Quebro este ovo e nasce a mulher e nasce o homem. E juntos viverão e morrerão. Mas nascerão 
novamente. Nascerão e voltarão a morrer e outra vez nascerão. E nunca deixarão de nascer, porque a 
morte é mentira.

(Marc de Civrieux, extraído de Watunna. Mitología makiritare)

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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

132

O tempo

O tempo dos maias nasceu quando não existia o céu nem havia despertado ainda a terra.

Os dias partiram do oriente e começaram a caminhar.

O primeiro dia tirou de suas entranhas o céu e a terra.

O segundo dia fez a escada por onde desce a chuva.

Obras do terceiro foram os ciclos do mar e da terra e a uma porção de coisas.

Por vontade do quarto dia, a terra e o céu se inclinaram e puderam se encontrar.

O quinto dia decidiu que todos trabalhassem.

Do sexto saiu a primeira luz.

Nos lugares onde não havia nada, o sétimo dia pôs terra.

O oitavo cravou na terra suas mãos e seus pés

O nono dia criou os mundos inferiores. O décimo dia destinou os mundos inferiores a quem tivesse 
veneno na alma.

Dentro do sol, o décimo-primeiro dia modelou a pedra e a árvore.

Foi o décimo-segundo que fez o vento. Soprou vento e o chamou espírito, porque não havia morte 
dentro dele.

O décimo-terceiro dia molhou a terra e com barro amassou um corpo como o nosso.

Assim se lembra em Yucatán.

(Demetrio Sodi, extraído de La literatura de los mayas)

Estrela de mar

Certo dia, caminhando pela praia, reparei em um homem que se agachava a cada momento, pegava 
algo da areia e o lançava no mar. Fazia a mesma coisa uma e outra vez.

Assim que me aproximei percebi que o que o homem agarrava eram estrelas de mar que as ondas 
depositavam na areia, e uma a uma as jogava de novo no mar.

Intrigado, o interroguei sobre o que estava fazendo, e ele me respondeu:

– Estou lançando estrelas marinhas novamente no oceano. Como você vê, a maré está baixa e estas 
estrelas ficaram na margem, se não as jogar de novo no mar morrerão por falta de oxigênio.

– Entendo – lhe disse – mas deve haver milhares de estrelas-do-mar sobre a praia. Você não consegue 
lançar todas, são muitas. E talvez não perceba que isso acontece provavelmente em centenas de praias 
ao longo da costa... Não está fazendo algo que não tem sentido?

O nativo sorriu, se inclinou e pegou uma estrela marinha e, enquanto a lançava de volta ao mar, me 
respondeu:

– Para esta, sim, teve sentido!

(Adaptado de The Star Thrower, de Loren Eiseley)

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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

133

O milho

Os deuses fizeram de barro os primeiros maias-quiches. Duraram pouco. Eram moles, sem força; se 
desmoronaram antes de caminhar.

Depois tentaram com a madeira. Os bonecos de pau falaram e andaram, mas eram secos: não tinham 
sangue nem substância, memória nem rumo. Não sabiam falar com os deuses, ou não encontravam 
nada para lhes dizer.

Então os deuses fizeram de milho as mães e os pais. Com milho amarelo e milho branco amassaram 
sua carne.

As mulheres e os homens de milho viam tanto quanto os deuses. E seu olhar se estendia por todo o 
mundo.

Os deuses soltaram vapor e lhes deixaram os olhos nublados para sempre, porque não queriam que as 
pessoas vissem além do horizonte.

(Adrián Racinos, extraído de Popol Vuh. Las antiguas histórias de Quiché)

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Seção 5

134

A fábula do beija-flor 

Relata a fábula que havia uma imensa floresta onde viviam milhares de animais, vivendo todos em 
paz  e  desfrutando  daquele  lugar  maravilhoso.  Num  certo  dia,  uma  enorme  coluna  de  fumaça  foi 
avistada ao longe e, em pouco tempo, embaladas pelo vento, as chamas já eram visíveis através das 
copas das árvores. Os animais, para se salvarem do incêndio, começaram a correr, fugindo... Eis que, 
naquele  momento,  uma  cena  muito  estranha  acontecia.  Um  beija-flor  voava  da  cachoeira  ao  fogo, 
levando  gotas  d’água  em  seu  pequeno  bico,  tentando  amenizar  o  grande  incêndio.  O  elefante, 
admirado com tamanha coragem, aproximou-se e perguntou ao beija-flor: 

–  Seu  beija-flor,  o  senhor  está  ficando  louco?  Não  está  vendo  que  não  vai  conseguir  apagar  esse 
incêndio com gotinhas d’água? Fuja enquanto é tempo! Não percebe o perigo que está correndo? Se 
retardar a sua fuga, talvez não haja mais tempo de salvar a si próprio! O que você está fazendo de tão 
importante? 

E o beija-flor respondeu: 

–  Sei  que  apagar  este  incêndio  não  é  apenas  problema  só  meu,  senhor  elefante.  Eu  apenas  estou 
fazendo a minha parte! Preciso deste lugar para viver e estou dando a minha contribuição para salvá-
lo!  O  senhor  elefante  tem  razão  quando  diz  que  há  mesmo  um  grande  perigo  em  meio  àquelas 
chamas, mas acredito que se eu conseguir levar um pouco de água em cada voo que fizer da cachoeira 
até lá, estarei fazendo o melhor que posso para evitar que nossa floresta seja destruída. Em menos de 
um  segundo,  o  enorme  animal  marchou  rapidamente  atrás  do  beija-flor  e,  com  sua  vigorosa 
capacidade,  acrescentou  centenas  de  litros  d’água  às  pequenas  gotinhas  que  ele  lançava  sobre  as 
chamas.

 Notando o esforço dos dois, em meio ao vapor que subia dentre alguns troncos carbonizados, outros 
animais lançaram-se para a cachoeira, formando um imenso exército de combate ao fogo. E venceram 
o incêndio... Ao cair da noite, os animais da floresta estavam exaustos pela dura batalha vivida, mas 
vitoriosos porque permaneceram sobre a relva que duramente haviam protegido.

(León Cadogan, versão)

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Seção 5

135

A consciência

Quando baixavam as águas do Orenoco, as canoas traziam os caribes com seus machados de guerra.

Ninguém podia com os filhos do jaguar. Arrasavam as aldeias e faziam flautas com os ossos de suas 
vítimas.

Não tinham medo de ninguém. Só tinham pânico de um fantasma que havia brotado de seus próprios 
corações.

Ele os esperava atrás dos troncos. Ele quebrava as pontes e colocava no caminho cipós enredados que 
os  faziam  tropeçar.  Viajava  de  noite;  para  despistá-los,  pisava  ao  contrário.  Estava  na  colina  que 
desprendia a rocha, na lama que se afundava sob os pés, na folha da planta venenosa e no roçar da 
aranha. Ele os desmoronava soprando, lhes dava febre pelas orelhas e lhes roubava suas sombras.

Não era a dor, mas doía. Não era a morte, mas matava. Chamava-se Kanaima e havia nascido entre os 
vencedores para vingar os vencidos.

(María Manuela de Cora, extraído de Kuai-Mare, Mitos aborígenes de Venezuela)

O templo no bosque

Era uma vez um bosque em que os pássaros cantavam de dia e os insetos de noite. As árvores cresciam, 
as flores prosperavam e criaturas de todos os tipos se reproduziam livremente.

Tudo que entrava ali se via levado à Solidão, que é o lar de Deus, que habita no silêncio e na beleza da 
Natureza.

Mas  chegou  a  Idade  da  Inconsciência,  justamente  quando  os  homens  viram  a  possibilidade  de 
construir arranha-céus e destruir em um mês rios, bosques e montanhas. Foram levantados edifícios 
para  o  culto  com  a  madeira  do  bosque  e  com  as  pedras  do  subsolo  florestal.  Pináculos,
agulhas e minaretes  apontavam  para  o  céu  e  o  ar  se  encheu  com  o  som  dos  sinos,  de  orações,
cânticos e exortações.

E Deus se encontrou de repente sem lar.

(Anthony De MelloLa oração de la rana I)

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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

136

O colibri

A aurora cumprimenta o sol. Cai a noite e ainda trabalha. Anda zumbindo de ramo em ramo, de flor 
em flor, veloz e necessário como a luz. Às vezes duvida e fica imóvel no ar, suspenso; às vezes voa para 
trás, como ninguém consegue. Às vezes anda bebadozinho, de tanto beber o mel das coroas. Ao voar, 
lança relâmpagos de cores.

Ele traz as mensagens dos deuses, se faz de raio para executar suas vinganças e sopra as profecias ao 
ouvido dos profetas. Quando morre uma criança guarani, ele resgata sua alma, que jaz no cálice de 
uma flor, e a leva em seu longo bico de agulha, em direção à Terra sem Mal. Conhece esse caminho 
desde  o  princípio  dos  tempos.  Antes  que  nascesse  o  mundo,  ele  já  existia:  refrescava  a  boca  do 
Primeiro Pai com gotas de orvalho e acalmava a fome com o néctar das flores.

Ele conduz a longa peregrinação dos toltecas à cidade sagrada de Tula, antes de levar o calor do sol 
aos astecas.

Como  capitão  dos  chontais,  plana  sobre  os  acampamentos  inimigos,  mede  a  sua  força,  desce  em 
rasante e dá morte ao chefe enquanto dorme. Como sol dos quechíes, voa até a lua, a surpreende em 
seu aposento e faz amor com ela.

Seu corpo tem o tamanho de uma amêndoa. Nasce de um ovo não maior que um feijão, dentro de 
um ninho que cabe em uma noz. Dorme no abrigo de uma folhinha.

(León CadoganLa literatura de los guaraníes)

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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

137

A dama ou o tigre? 

Havia antigamente um Rei bárbaro e criativo que inventou uma forma estranha de fazer justiça nos 
casos importantes: convocava o povo ao anfiteatro e colocava o acusado na arena. O réu se deparava 
com duas portas hermeticamente fechadas. Atrás de uma delas estava uma dama, da outra um tigre. 
Ele abria uma das duas portas, selando assim sua sorte: se abrisse a da dama, deveria casar-se com ela, 
mesmo que já fosse casado; se abrisse a outra... já sabemos o que aconteceria. Falta dizer que o pobre 
réu não tinha qualquer oportunidade de prever qual das portas era a do tigre e qual era a da dama. 

Esse Rei tinha uma linda filha, que era a menina de seus olhos. E, como nas histórias de amor mais 
complicadas,  um  plebeu  (homem  de  baixa  linhagem) apaixonou-se pela filha do Rei e era por ela 
correspondido. O Rei, ao saber desse amor proibido, ordenou a prisão do namorado de sua filha e 
marcou a data para que o infeliz comparecesse à arena e enfrentasse a justiça incerta dessa estranha 
forma de julgar os culpados. O Rei escolheu o tigre mais forte e feroz que havia em seu extenso reino 
e também a mulher mais bela de toda a sua população. 

Chegou o dia marcado. Devemos advertir que a filha do Rei tem privilégios: logo descobriu em que 
porta estava o tigre e em que porta estava a dama. Mas o caso se complicou porque a Princesa também 
descobriu quem era a dama destinada a seu namorado, caso ele sobrevivesse ao julgamento fatídico. 
Essa donzela era uma camponesa graciosa, quase tão bela e inteligente quanto ela. Isso fez o coração 
da Princesa escurecer. Para ela, seria horrível que seu amado fosse destroçado pelo animal feroz, mas 
pior ainda ela se sentia ao pensar em seu amado nos braços da bela camponesa. 

No  dia  do  julgamento,  o  jovem  pretendente  entrou  na  arena.  Caminhando  de  forma  decidida  e 
orgulhosa, dirigiu-se ao camarote principal, onde o Rei presidia o evento acompanhado da Princesa. 
Fixou seus olhos nos olhos de sua amada e imediatamente confirmou o que pressentia: a Princesa 
sabia claramente em que porta estava a morte e em que porta estava a dama. 

Com um gesto discreto, o rapaz perguntou à filha do Rei qual porta deveria abrir. Sem que ninguém 
percebesse, a Princesa fez um leve movimento com a mão direita indicando a seu amado a porta que 
deveria  abrir.  Ele  captou  imediatamente  o  gesto  imperceptível  da  princesa  e,  com  firmeza, 
encaminhou-se para a porta esquerda. 

O problema da decisão da Princesa deve ser considerado com inteligência e sensatez, já que o narrador 
desta história não pretende ser a única pessoa capaz de resolver o dilema. Por isso abro a discussão, 
para que todos vocês respondam: quem saiu pela porta aberta, a dama ou o tigre? 

(Adaptação  do  conto  A  dama  ou  o  tigre?,  do  escritor  norte-americano  Frank  R.  Stockton,  (1834 
–1902))