1331 aborto entrevista

Foto: PixaBay 

A perda de um bebê nas primeiras 22 semanas de gestação é um fato mais comum do que se imagina. 20% das gestações terminam de forma natural nesse período e as causas são inúmeras: genética, insuficiência hormonal, deslocamentos no útero, hábitos anteriores a gestação, entre outras.

A partir do momento em que uma mulher engravida, surge a ligação afetiva entre os pais e o filho, a família passa a pensar no bebê e fazer planos para a sua chegada. O aborto espontâneo é uma interrupção repentina deste momento, que gera uma série de emoções e muitas vezes, o sentimento de culpa. Após esse episódio é necessária a recuperação física e emocional dos pais, de preferência, com acompanhamento médico.

Para conversar sobre esse tema, falamos com o Padre Ademar Roover, assistente técnico da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

Que impacto psicológico o aborto espontâneo provoca?

O impacto depende, em primeiro lugar, de cada pessoa. Por isso, que quando sucede o aborto espontâneo, especialmente quando for o primeiro filho, a carga para a mulher, além de pessoal, tem este lado cultural. O ideal feminino da mãe pesa sobre a mulher e isso faz parte da história da mulher no seu psiquismo.

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Pe. Ademar Rover

Como trabalhar a depressão e a culpa que, muitas vezes, acontece depois de um aborto espontâneo?

Há um depoimento de uma psicóloga que passou por esta situação e ela diz o seguinte: o mais difícil da experiência, tanto para si quanto para muitas outras pessoas, é que a dor física (embora, às vezes, seja forte) termina. Mas, os efeitos emocionais continuam. As reações psicológicas e emotivas incluem, às vezes, raiva; normalmente, tristeza, frustração, culpa, sensação de uma fragilidade e o que mais se fala é a depressão. Com a depressão, a gente parece que perde o sentido da vida, desanima, não tem vontade de comer, não tem vontade de trabalhar. Às vezes, quando é o primeiro filho, havia todo o sonho, fantasias, esperanças. E, repentinamente, tudo isso vai água abaixo. Então, é um peso muito grande para a mulher. Para o pai também, embora a reação do pai seja bem distinta daquilo que a mulher passa.

Como é feita a recuperação psicológica pós-aborto espontâneo?

A primeira atitude é se permitir sentir o que está sentindo. É normal a gente sentir tristeza, luto, às vezes raiva, às vezes inveja. São reações e sentimentos humanos comuns, normais. Aos poucos a gente vai aceitando esses sentimentos e eles vão diminuindo até desaparecerem. É bom lembrar que há duas reações possíveis, por exemplo: a mulher, por querer fugir de todos os seus sentimentos, faz de tudo para ter uma nova gravidez o quanto antes possível. Isso não ajuda e pode complicar a situação toda. Algumas mulheres decidem que não querem mais engravidar por terem passado por esta situação. Ou seja, não é bom que seja tão rápido, mas também não precisa desistir. Diante deste acontecido, é bom que a mulher, o casal, a família, procure junto com o médico, descobrir quais são as possíveis causas do aborto e como se preparar, no caso, para ter outro filho.

Como prestar apoio à gestante?

É preciso estar junto com a mulher, deixar que ela manifeste o seus sentimentos, acolhendo-os sem julgar e sem dar conselhos. Nós, como participantes da Pastoral da Criança, somos orientados a agir nesse sentido de escutar antes de tudo. Escutar e acolher os sentimentos do outro.

Leia a entrevista na íntegra: 1331 - Entrevista com Pe. Ademar Rover - Aborto espontâneo: sofrimento em família (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança. Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Programa de Rádio 1331 - 03/04/2017 - Aborto espontâneo: sofrimento em família

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