Crédito: Acervo Pastoral Todos nós vivemos em comunidade. Seja no bairro, em um condomínio ou nas chamadas comunidades populares, ninguém vive sozinho. Assim como no corpo humano cada órgão possui uma função importante para manter a vida, em uma comunidade, cada pessoa também tem seu papel para fortalecer o lugar onde vive. Quando as pessoas se unem, compartilham experiências, cuidam umas das outras e trabalham juntas, se tornam mais fortes.
Antigamente, era comum ver vizinhos sentados em cadeiras na frente de casa, conversando, trocando conselhos, cuidando das crianças e criando laços de amizade e confiança. As reuniões comunitárias aconteciam com mais frequência, as pessoas conheciam umas às outras e havia um sentimento maior de pertencimento e união.
Com o passar do tempo, essa convivência foi se perdendo. A correria da rotina, o excesso de tecnologia e o individualismo fizeram muitas pessoas se afastarem do contato humano e da participação na vida comunitária. Porém, a força da comunidade continua sendo necessária.
No conteúdo desta semana, Maria das Graças Gervásio, assistente social e integrante da equipe de apoio às dioceses na Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, explica a importância da união da comunidade e como isso impacta na melhoria da qualidade de vida.
Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.
Assistente social, Maria das GraçasEntrevista com Maria das Graças Silva Gervásio, assistente social e integrante da equipe de apoio às dioceses na Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.
Maria das Graças, o que é uma comunidade organizada?
MARIA DAS GRAÇAS:
Comunidade organizada é o processo onde as pessoas, a partir da necessidade de alcançar objetivos comuns, se mobilizam, se articulam e promovem ações coletivas que visam garantir desde melhorias para o bairro, como faz uma associação de moradores, por exemplo, a outros benefícios de acordo com o objetivo do processo de articulação. Podem surgir a partir daí diferentes grupos: grupos de autoajuda, grupos religiosos, grupos de jovens, entre outros. O importante é a consciência das pessoas de que sozinhas tudo ficaria mais difícil.
Programa de rádio Viva a Vida – 1814 - 29/06/2026 - A força da comunidade
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Hoje, vemos que as pessoas estão mais individualistas. Maria das graças, como isso impacta na vizinhança?
MARIA DAS GRAÇAS:
Infelizmente, o individualismo é uma realidade dos dias atuais. Já não se percebe, principalmente nas comunidades urbanas, a convivência com a vizinhança de bater na porta, de tomar um café da tarde, de partilhar sua vida, algo que sempre foi tão forte entre vizinhos. Até mesmo aquele papo na calçada ao final da tarde, que era tão comum nas pequenas cidades, hoje é difícil de se ver. Um dos motivos pode ser a correria do dia a dia, mas também pode ser a falta de uma política de segurança fazendo com que as pessoas não se sintam mais seguras em colocar suas cadeiras na calçada e conversar da sua vida cotidiana.
A tecnologia pode ser considerada uma das causas desse individualismo? Por quê?
MARIA DAS GRAÇAS:
Acredito que sim. Ao mesmo tempo que a tecnologia vem para nos ajudar nos contatos, agilidade na comunicação, ela atua como um acelerador do individualismo contemporâneo, como dizem os especialistas, porque promove autonomia, mas também o rompimento do convívio. E, às vezes, até mesmo das relações que já estavam de certo modo fragilizadas. Assim, as pessoas se isolam não achando necessário os encontros físicos, gerando, muitas vezes, o isolamento social. E quando acontece, as interações são rápidas e superficiais.
Um dos aspectos que mostra a força da comunidade é o voluntariado. Como motivar mais pessoas para o voluntariado?
MARIA DAS GRAÇAS:
Com certeza, quando a pessoas reconhece a força da comunidade, se coloca à disposição, doa o seu tempo, suas habilidades para um bem maior. E na medida que esse voluntariado se fortalece, quem ganha é a comunidade, bem como todas as pessoas que ali vivem, porque esse voluntariado gera solidariedade, partilha, empatia, trabalho em equipe. Tomemos, por exemplo, o trabalho da Pastoral da Criança. É a força do voluntariado que em missão vai ao encontro das famílias para escutar suas necessidades e buscar quem possa atendê-las. Com isso, acontece a transformação social, a mudança das estruturas para garantir os direitos das crianças e gestantes.
(TESTEMUNHO) João Vítor Sobrinho, articulador e líder da Pastoral da Criança, na cidade de Cruz, Diocese de Sobral, Ceará.
João Vítor, como o trabalho do articulador da Pastoral da Criança faz a diferença na comunidade?
JOÃO VÍTOR:
O trabalho do articulador faz a diferença porque ele é a voz e os olhos da comunidade na defesa dos direitos. O nosso papel fundamental é o controle social. Nós observamos, acompanhamos e temos a coragem de cobrar políticas públicas que realmente funcionem. Fazer a diferença é lutar para que não falte o acesso a medicamentos, denunciar o descaso e garantir que os direitos das nossas crianças não fiquem apenas no papel. Articulamos soluções e exigimos respeito, porque cuidar da infância é uma responsabilidade política e social. Fazemos tudo isso com um único propósito: para que todas as crianças tenham vida.
Leia a entrevista na íntegra
1814 - 29/06/2026 - A força da comunidade
11º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Cidades e Comunidades Sustentáveis”
Tornar as cidades e comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis
17º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Parcerias e meios de implementação”
Reforçar os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável
Dra. Zilda
“Quando vejo, depois de anos de intenso trabalho, como a Pastoral da Criança se expandiu, como formou uma rede de solidariedade, como formou uma verdadeira família, acredito sempre mais no amor de Deus por nós, em sua sabedoria e graça ao conduzir tão bem a Pastoral da Criança”.
“O mundo ainda precisa da luz de Jesus. [...] Nos ajudem também, uns aos outros, a construir pontes com diálogo, com encontro. Todos juntos, num único povo, sempre em paz.”
