1796 introducao alimentar entrevistaFoto: acervo Pastoral da Criança

O aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida é uma das principais recomendações para garantir saúde, proteção e desenvolvimento adequado do bebê. Nesse período, o leite materno oferece todos os nutrientes de que a criança precisa, além de fortalecer a imunidade e criar um vínculo importante entre mãe e filho.

A partir dos 6 meses, o bebê continua precisando do leite materno, mas passa também a necessitar de outros nutrientes que vêm dos alimentos. É quando começa a introdução alimentar, uma etapa fundamental para que a criança aprenda a comer, descubra novos sabores e texturas e desenvolva hábitos saudáveis para toda a vida.

Mas esse também é um momento em que surgem muitas dúvidas. Por falta de conhecimento, de tempo, de organização ou até de condições financeiras, algumas famílias acabam apressando o processo, pulando etapas ou, pior, oferecendo alimentos ultraprocessados e prejudiciais à saúde da criança. Estudos recentes já mostram que 10,1% das crianças com menos de cinco anos apresentam excesso de peso, fenômeno associado ao consumo de ultraprocessados nessa idade.

Quer entender como fazer esse processo da forma correta e segura? Leia ou ouça a entrevista com a nutricionista Juliana Pinheiro Cantanhede, da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

1796 introducao alimentar entrevistadoJuliana Pinheiro Cantanhede

Entrevista com Juliana Pinheiro Cantanhede, nutricionista da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

Juliana, com quantos meses o bebê vai começar a comer alimentos além do leite materno? E quais alimentos são recomendados?

JULIANA:

A partir dos 6 meses, a criança precisa de mais nutrientes e deve receber outros alimentos junto com o leite materno. Quanto maior a variedade de alimentos in natura ou minimamente processados (frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, carnes, ovos e tubérculos), maior a oferta de nutrientes para um crescimento saudável.

É importante oferecer os alimentos que fazem parte da cultura da família e que sejam mais acessíveis na região e, de preferência, que estejam na safra. Também é sempre melhor oferecer a fruta inteira, amassada ou em pedacinhos, evitando os sucos. Ao comer a fruta inteira, a criança exercita a musculatura da boca e sente a textura do alimento. Já o suco, principalmente quando é coado, perde fibras importantes, que ajudam a evitar a prisão de ventre. Além disso, o suco costuma levar açúcar e pode aumentar o risco de cáries e excesso de peso.

Nessa mesma idade, o bebê também já pode começar a receber água filtrada ou fervida. Antes disso, o leite materno atende às necessidades de hidratação do bebê. A partir dos 6 meses, já pode iniciar a ingestão de água filtrada ou fervida.

O leite materno deve continuar a ser oferecido mesmo depois de começar a introdução alimentar?

JULIANA:

Sim. O leite materno deve continuar sendo oferecido mesmo após o início da introdução alimentar. Embora o bebê passe a precisar de outros alimentos a partir dos seis meses, o leite materno segue sendo uma importante fonte de energia, nutrientes e proteção contra doenças.

O ideal é mantê-lo até dois anos ou mais, pois ele complementa a alimentação, fortalece a imunidade e continua trazendo benefícios tanto para a criança quanto para a mãe.

Pode bater a comida no liquidificador ou é melhor amassar?

JULIANA:

No início da introdução alimentar, a criança deve receber os alimentos amassados com o garfo e, aos poucos, evoluir para pedaços pequenos, raspados ou desfiados, para aprender a mastigar. Também podem ser oferecidos alimentos macios em pedaços maiores, para que ela pegue com a mão e consiga levar à boca.

Não é recomendado oferecer preparações líquidas nem usar liquidificador ou peneira, pois isso pode dificultar a aceitação de alimentos mais consistentes no futuro e reduzir a oferta de nutrientes.

A consistência ideal é firme: ela não escorre da colher e exige mastigação. Isso ajuda no desenvolvimento da face, dos ossos da cabeça, da respiração e do próprio ato de mastigar.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1796 - 23/02/2026 - Introdução alimentar

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

(TESTEMUNHO) Marciana Lays Gomes, nutricionista e líder da Pastoral da Criança na Paróquia São Domingos Sávio, Riacho Fundo, Brasília, Distrito Federal.

Marciana, como os líderes da Pastoral da Criança orientam as famílias sobre a introdução dos novos alimentos para o bebê após os seis meses de vida?

MARCIANA:

Nós, líderes da Pastoral da Criança, acompanhamos e orientamos as famílias quanto à importância da introdução alimentar a partir dos seis meses de vida. Sempre reforçamos que o leite materno continua sendo fundamental: ele permanece fazendo parte da rotina, mas, a partir dos seis meses, os alimentos também se tornam importantes para o desenvolvimento, para que a criança cresça com saúde.

Nós ensinamos e explicamos quais alimentos devem ser inseridos e como isso deve ser feito, evitando açúcar, reduzindo o sal e priorizando temperos naturais. Também lembramos a importância de incentivar a criança a aceitar essa novidade.

Incentivamos que a refeição seja um momento de carinho, atenção e paciência por parte da família, porque esse vínculo fortalece e ajuda a criança a aprender a comer bem.

Nosso compromisso como líderes é apoiar a família para que essa fase seja tranquila, segura e cheia de descobertas, tornando esse processo uma parte prazerosa para a criança.

Leia a entrevista na íntegra

1796 - 23/02/2026 - Introdução alimentar

 

22º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Fome zero e agricultura sustentável”

Erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.

E SDG Icons NoText 033º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Saúde e Bem-Estar”

Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.

Dra. Zilda

“Deve-se valorizar o leite do peito, que protege a criança, alimenta-a e lhe dá a grande experiência do verdadeiro amor, alicerce da segurança afetiva e do desenvolvimento”.

Papa Leão XIV

“Na família, a fé é transmitida, de geração em geração, juntamente com a vida: é partilhada como alimento à mesa e os afetos do coração”.