Foto: acervo Pastoral da CriançaO aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida é uma das principais recomendações para garantir saúde, proteção e desenvolvimento adequado do bebê. Nesse período, o leite materno oferece todos os nutrientes de que a criança precisa, além de fortalecer a imunidade e criar um vínculo importante entre mãe e filho.
A partir dos 6 meses, o bebê continua precisando do leite materno, mas passa também a necessitar de outros nutrientes que vêm dos alimentos. É quando começa a introdução alimentar, uma etapa fundamental para que a criança aprenda a comer, descubra novos sabores e texturas e desenvolva hábitos saudáveis para toda a vida.
Mas esse também é um momento em que surgem muitas dúvidas. Por falta de conhecimento, de tempo, de organização ou até de condições financeiras, algumas famílias acabam apressando o processo, pulando etapas ou, pior, oferecendo alimentos ultraprocessados e prejudiciais à saúde da criança. Estudos recentes já mostram que 10,1% das crianças com menos de cinco anos apresentam excesso de peso, fenômeno associado ao consumo de ultraprocessados nessa idade.
Quer entender como fazer esse processo da forma correta e segura? Leia ou ouça a entrevista com a nutricionista Juliana Pinheiro Cantanhede, da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.
Juliana Pinheiro CantanhedeEntrevista com Juliana Pinheiro Cantanhede, nutricionista da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.
Juliana, com quantos meses o bebê vai começar a comer alimentos além do leite materno? E quais alimentos são recomendados?
JULIANA:
A partir dos 6 meses, a criança precisa de mais nutrientes e deve receber outros alimentos junto com o leite materno. Quanto maior a variedade de alimentos in natura ou minimamente processados (frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, carnes, ovos e tubérculos), maior a oferta de nutrientes para um crescimento saudável.
É importante oferecer os alimentos que fazem parte da cultura da família e que sejam mais acessíveis na região e, de preferência, que estejam na safra. Também é sempre melhor oferecer a fruta inteira, amassada ou em pedacinhos, evitando os sucos. Ao comer a fruta inteira, a criança exercita a musculatura da boca e sente a textura do alimento. Já o suco, principalmente quando é coado, perde fibras importantes, que ajudam a evitar a prisão de ventre. Além disso, o suco costuma levar açúcar e pode aumentar o risco de cáries e excesso de peso.
Nessa mesma idade, o bebê também já pode começar a receber água filtrada ou fervida. Antes disso, o leite materno atende às necessidades de hidratação do bebê. A partir dos 6 meses, já pode iniciar a ingestão de água filtrada ou fervida.
O leite materno deve continuar a ser oferecido mesmo depois de começar a introdução alimentar?
JULIANA:
Sim. O leite materno deve continuar sendo oferecido mesmo após o início da introdução alimentar. Embora o bebê passe a precisar de outros alimentos a partir dos seis meses, o leite materno segue sendo uma importante fonte de energia, nutrientes e proteção contra doenças.
O ideal é mantê-lo até dois anos ou mais, pois ele complementa a alimentação, fortalece a imunidade e continua trazendo benefícios tanto para a criança quanto para a mãe.
Pode bater a comida no liquidificador ou é melhor amassar?
JULIANA:
No início da introdução alimentar, a criança deve receber os alimentos amassados com o garfo e, aos poucos, evoluir para pedaços pequenos, raspados ou desfiados, para aprender a mastigar. Também podem ser oferecidos alimentos macios em pedaços maiores, para que ela pegue com a mão e consiga levar à boca.
Não é recomendado oferecer preparações líquidas nem usar liquidificador ou peneira, pois isso pode dificultar a aceitação de alimentos mais consistentes no futuro e reduzir a oferta de nutrientes.
A consistência ideal é firme: ela não escorre da colher e exige mastigação. Isso ajuda no desenvolvimento da face, dos ossos da cabeça, da respiração e do próprio ato de mastigar.
Programa de rádio Viva a Vida – 1796 - 23/02/2026 - Introdução alimentar
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
(TESTEMUNHO) Marciana Lays Gomes, nutricionista e líder da Pastoral da Criança na Paróquia São Domingos Sávio, Riacho Fundo, Brasília, Distrito Federal.
Marciana, como os líderes da Pastoral da Criança orientam as famílias sobre a introdução dos novos alimentos para o bebê após os seis meses de vida?
MARCIANA:
Nós, líderes da Pastoral da Criança, acompanhamos e orientamos as famílias quanto à importância da introdução alimentar a partir dos seis meses de vida. Sempre reforçamos que o leite materno continua sendo fundamental: ele permanece fazendo parte da rotina, mas, a partir dos seis meses, os alimentos também se tornam importantes para o desenvolvimento, para que a criança cresça com saúde.
Nós ensinamos e explicamos quais alimentos devem ser inseridos e como isso deve ser feito, evitando açúcar, reduzindo o sal e priorizando temperos naturais. Também lembramos a importância de incentivar a criança a aceitar essa novidade.
Incentivamos que a refeição seja um momento de carinho, atenção e paciência por parte da família, porque esse vínculo fortalece e ajuda a criança a aprender a comer bem.
Nosso compromisso como líderes é apoiar a família para que essa fase seja tranquila, segura e cheia de descobertas, tornando esse processo uma parte prazerosa para a criança.
Leia a entrevista na íntegra
1796 - 23/02/2026 - Introdução alimentar
2º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Fome zero e agricultura sustentável”
Erradicar a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.
3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Saúde e Bem-Estar”
Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
Dra. Zilda
“Deve-se valorizar o leite do peito, que protege a criança, alimenta-a e lhe dá a grande experiência do verdadeiro amor, alicerce da segurança afetiva e do desenvolvimento”.
Papa Leão XIV
“Na família, a fé é transmitida, de geração em geração, juntamente com a vida: é partilhada como alimento à mesa e os afetos do coração”.
Foto: Getty Images