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O respeito da Primeira Infância: entenda os direitos das crianças

Detalhes
Última Atualização: 06/07/2026
Crédito: Acervo Pastoral

Toda criança tem o direito de viver uma infância segura, protegida e repleta de oportunidades para se desenvolver. Os primeiros anos de vida são decisivos para esse processo, pois até os 6 anos de idade ocorre o período mais intenso do desenvolvimento humano, quando cerca de 90% das conexões cerebrais são formadas.

É nessa fase que se constroem as bases do desenvolvimento físico, emocional, mental e social. Por isso, garantir os direitos das crianças e promover ambientes seguros e acolhedores é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, educadores, sociedade e o poder público.

O que diz a legislação?

O artigo 227 da Constituição Federal, regulamentado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e determina que eles devem receber proteção integral e prioridade absoluta por parte da família, da sociedade e do Estado, assegurando condições adequadas para seu pleno desenvolvimento.

Entrevista com especialista

Neste conteúdo, o professor Vital Didonet, especialista em educação infantil e em direitos da criança, explica sobre essas leis e como a família e a comunidade podem contribuir para que sejam efetivamente respeitadas, cuidando das crianças de maneira integral e assegurando seus direitos e promovendo seu desenvolvimento saudável.

Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo, você vai encontrar:

  • O que é a primeira infância e por que é uma fase tão importante para o desenvolvimento da criança?
  • Quais habilidades devem ser estimuladas nessa fase?
  • Quais são os principais direitos da criança na primeira infância?
  • A criança tem direitos antes mesmo de nascer?
  • Quais avanços na legislação foram importantes nos últimos anos e o que ainda precisa melhorar?
  • Como podemos proteger as crianças em um mundo cada vez mais digital?
  • Vivemos em uma sociedade “adultocêntrica”. O que isso significa e como os adultos devem se preparar para respeitar a criança?
  • O que a família pode fazer quando os direitos da criança não são respeitados?

 

Professor Vital Didonet

Entrevista com professor Vital Didonet, especialista em educação infantil e em direitos da criança.

Professor Didonet, o que é a primeira infância e por que é uma fase tão importante para o desenvolvimento da criança?

PROF. VITAL DIDONET:

 É o primeiro ciclo da vida humana, que vai desde a concepção até os seis anos de idade, ou desde o nascimento, porque a infância começa no nascimento, antes disso ainda é o feto na barriga da mamãe. Esse período dos seis primeiros anos é visto pelas ciências como a fase mais importante, porque ali são adquiridos os valores que vão orientar a vida inteira da pessoa. A primeira infância vivida com amor, respeito, acolhimento, carinho, ternura, liberdade de aprender e com muito brincar é a melhor base que uma pessoa pode ter para sua vida toda.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1815 - 06/07/2026 - Direitos da Criança na Primeira Infância

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Quais habilidades devem ser estimuladas nessa fase?

PROF. VITAL DIDONET:

Mais do que estimular habilidades, os pais devem mostrar carinho, muito amor e bem-querer, respeito pelo bebê e pela criança pequena, dar oportunidade para ela brincar muito e com liberdade, sozinha e com irmãos e coleguinhas. É assim que a criança desenvolve suas capacidades e forma habilidades para a vida. Ela aprende vendo, imitando e tentando fazer o que os adultos fazem. Mas o mais importante nesse ver, imitar e tentar fazer é a iniciativa da criança

Quais são os principais direitos da criança na primeira infância?

PROF. VITAL DIDONET:

 Ora, eles estão escritos na Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas e são escritos no artigo 227 da Constituição Federal, no Estatuto da Criança e Adolescente, no Marco Legal da Primeira Infância, em outras leis que reconhecem a criança como sujeito de direitos.

Ela é dona desses direitos. O direito a ser acolhida na família com alegria e bem-querer, e ali ser amada e cuidada. O direito de ter saúde, de receber uma boa educação, o direito de ver e participar das atividades culturais, direito de brincar, de ter amigos, direito de um sono tranquilo, direito à comida, uma alimentação saudável, a ter roupa, calçado, água limpa, ar puro, direito a nunca sofrer atos de violência.

Esses direitos nós não estamos dando para as crianças como uma generosidade nossa, por uma bondade nossa. Eles são dela, fazem parte da dignidade de sua pessoa e são condições para ela crescer, se desenvolver.

A criança tem direitos antes mesmo de nascer?

PROF. VITAL DIDONET:

 Claro, já que ela foi concebida, isto é, ela foi chamada para existência, ela tem direito à vida, tem direito a uma gestação tranquila, tem direito a ser protegida contra toda forma de violência. Esses direitos são realizados quando se dá para a mulher gestante a atenção em saúde durante o pré-natal, cuidados psicológicos e médicos e assistência social. E ela tem condições de cuidar bem para que a formação do seu bebê seja perfeita.

Nos últimos anos, foram criadas leis para defender e estimular políticas para a primeira infância. Professor Didonet, quais avanços são importantes e o que ainda precisa melhorar?

PROF. VITAL DIDONET:
Depois do Estatuto da Criança e Adolescente, a lei mais completa e mais bem feita para garantir os direitos da criança de 0 a 6 anos é o Marco Legal da Primeira Infância. O avanço mais importante dessa lei é que ela manda fazer políticas públicas para a primeira infância e elaborar planos de ação pelo governo federal, pelos governos dos estados, do distrito federal e por todos os municípios. Planos que zelam para atender todos os direitos da criança.

Como podemos proteger as crianças em um mundo cada vez mais digital?

PROF. VITAL DIDONET:

Primeiro, cuidando em casa. Os pais devem prestar atenção ao uso do celular, do tablet e até da televisão.

A Sociedade Brasileira de Pediatria diz que crianças de até dois anos de idade não devem usar celular nem telas digitais. Prejudicam a formação do seu cérebro, da sua inteligência. E as de 2 a 5 têm que ter o tempo limitado no máximo de uma hora por dia. E as de 6 a 10, no máximo 2 horas por dia. E, finalmente, de 11 a 18 anos, o tempo de uso do celular, do computador, do tablet, das telas digitais, deve ser no máximo de 3 horas por dia.

Mais do que o prejuízo ao cérebro, também prejudica o brincar, o estudar, a afetividade, a socialização da criança e do adolescente. Na escola, foi proibido o uso do celular no ensino fundamental.
O governo federal publicou no ano passado o guia para uso de dispositivos digitais dirigidos aos pais, aos responsáveis pelas crianças, aos professores e a outros profissionais abordando temas como o impacto das telas na saúde mental, na segurança online, no bullying na Internet e a importância do equilíbrio entre atividades digitais e interações no mundo digital. Eu sugiro que os pais leiam esse guia. Ele está disponível na Internet e é importante, porque ele dá orientações de como tratar esse assunto tão difícil com os filhos.

Vivemos em uma sociedade “adultocêntrica”. O que isso significa e como os adultos devem se preparar para respeitar a criança?

PROF. VITAL DIDONET:
Significa que a nossa sociedade coloca os valores dos adultos como centrais e considera a infância um período de preparação para a vida. Mas, na verdade, ela é muito mais do que um período preparatório, ela tem um valor em si mesmo.

Nós temos que mudar essa visão “adultocêntrica”, ou seja, do pensamento que o adulto que é o certo, o adulto que é o completo, o adulto que é referência, o adulto que é o padrão... Cada fase da vida tem um significado, tem uma importância e tem que ser vivida na sua plenitude.

E nós temos que aprender. Nós, adultos, a ver nas crianças muita coisa maravilhosa e que nos ensinam. A infância é um tempo importante de vida, de descoberta, de construção da pessoa.

Professor Didonet, o que a família pode fazer quando os direitos da criança não são respeitados?

PROF. VITAL DIDONET:
A família é o primeiro lugar em que as crianças precisam ser acolhidas, amadas e respeitadas. Uma coisa muito feia, muito má, muito vergonhosa do Brasil é que a maioria das violências que os bebês, que as criancinhas sofrem, inclusive abuso sexual, acontece nas famílias, na sua própria família. Às vezes é o padrasto, às vezes é o pai, às vezes é a própria mãe, às vezes é uma outra pessoa que causa esses abusos na criança, essas violências. E não só física, psicológica.

As famílias podem formar grupos de pais e mães para conversar sobre os direitos da criança e trocar ideias de como criar na comunidade um ambiente de paz, de alegria, de cuidado, em que todos se tornem responsáveis por todas as crianças daquela comunidade.

Que bonito quando a comunidade diz “nós queremos um bairro, uma vila, uma rua, uma comunidade onde as nossas crianças são respeitadas e possam viver com plenitude a sua existência”. E também que as famílias e a comunidade possam denunciar ao Conselho Tutelar qualquer violência contra as crianças que aconteça na sua comunidade. 

Leia a entrevista na íntegra

1815 - 06/07/2026 - Direitos da Criança na Primeira Infância

 

E SDG Icons NoText 0310º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

Redução das desigualdades

Reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países

.

1616º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

Paz, Justiça e instituições eficazes

Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis 

 

Dra. Zilda

“Você transforma o país quando educa as famílias para cuidarem melhor de seus filhos.”

Papa Leão XIV

A educação não mede seu valor apenas pelo eixo da eficiência: ela o mede pela dignidade, pela justiça e pela capacidade de servir ao bem comum.

Criança Respeito

Educação não violenta: como educar sem ser autoritário

Detalhes
Última Atualização: 07/07/2026

A criação de um filho exige muito mais do que cuidados físicos. É um desafio que demanda equilíbrio emocional, paciência e dedicação diária. Afinal, a criança está em constante aprendizado: descobrindo o mundo, formando sua personalidade, desenvolvendo suas preferências e aprendendo a expressar seus sentimentos.

As reações da criança, como choro, birras ou momentos de resistência, nem sempre são sinais de desobediência, mas formas de comunicar emoções que ela ainda não sabe expressar de outra maneira, até porque não se cobra algo de um adulto para uma criança que está conhecendo o mundo.

O que a educação não violenta propõe?

A Educação Não Violenta propõe justamente esse olhar mais atento e respeitoso. Nesta abordagem, tanto os pais quanto os filhos aprendem sobre limites, respeito e diálogo. As barreiras na comunicação são reduzidas porque cada um compreende melhor seu papel: o adulto como guia e responsável pelo cuidado, e a criança como um ser em desenvolvimento, que ainda está aprendendo a lidar com suas emoções e com o mundo ao seu redor.

Estudos mostram que crianças educadas em ambientes acolhedores, com diálogo e afeto, apresentam melhor desenvolvimento emocional, maior capacidade de resolver conflitos e relações familiares mais saudáveis.

Entrevista com especialista

Neste conteúdo, conversamos com Maya Eigenmann, neuropedagoga, especialista em educação positiva e escritora. Maya explica o que é educação não-violenta, os desafios na hora de educar uma criança e como os responsáveis podem lidar com isso da melhor forma.

Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo, você vai encontrar:

  • O que é educação não violenta e como colocá-la em prática no dia a dia?
  • Além da violência física, quais são as outras formas de educação violenta que devemos evitar?
  • Como ensinar sem gritar ou punir?
  • O que fazer quando a criança responde de forma desrespeitosa?
  • Maya, como estabelecer limites sem ser autoritário?
  • A educação não violenta cria filhos mimados? Os pais podem dizer “não” aos filhos?
  • Como os pais podem trabalhar neles mesmos a paciência e o afeto para criar um ambiente de harmonia na criação dos filhos?
  • Quais são algumas dicas para educar bem?

 

Maya Eigenmannt

Entrevista com Maya Eigenmann, neuropedagoga, especialista em educação positiva e escritora.

Maya, o que é educação não violenta e como colocá-la em prática no dia a dia?

MAYA:

A educação não violenta, a educação positiva, é uma educação que visa o tratamento digno da criança e o atendimento de todas as suas necessidades emocionais, físicas, psicológicas. Então, nós não fazemos nenhum uso de abordagens que machuquem a criança, seja ela fisicamente, emocionalmente ou psicologicamente. Nós cuidamos sim de sustentar limites, sempre que necessários, mas não fazemos isso de forma rude, de forma
brusca. E a forma que a gente coloca em prática no dia a dia, vem, antes de mais nada, com um compromisso pela integridade da criança e do adolescente.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1816 - 13/07/2026 - Educação Não Violenta

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Além da violência física, quais são as outras formas de educação violenta que devemos evitar?

MAYA:

A educação não violenta, educação respeitosa, ela também é contra qualquer tipo de violência emocional. As chantagens emocionais, “dar gelo” na criança, sabe? Quando ela faz algo que tem um comportamento que não é adequado, aí a gente fica ignorando a criança, “dando gelo”, sabe? As pessoas acham que vão ensinar a criança a não se comportar mais daquela forma, mas, na verdade, a gente está simplesmente ensinando que, quando as coisas estão difíceis, a gente está abandonando a nossa criança. Então, exemplos como essa chantagem, também entram no que a gente chama de violência emocional e devem ser evitadas.

Como ensinar sem gritar ou punir?

MAYA:

Na verdade, é absolutamente possível ensinar sem nenhum desses recursos, sendo respeitoso, tendo amorosidade, paciência, muita conexão. Mas muitos adultos não têm paciência, querem a solução rápida e a solução rápida é essa, a violenta, porque quando você grita, a criança fica assustada e para de fazer alguma coisa. O problema é que ela faz isso a um custo altíssimo. Sem contar que está colocando em xeque essa relação que deveria ser uma relação de segurança entre o adulto e a criança.

O que fazer quando a criança responde de forma desrespeitosa?

MAYA:

O que precisamos entender é que a criança, quando tem um comportamento desrespeitoso, ela está fazendo duas coisas. A primeira é espelhando o que ela recebe. Então, provavelmente os adultos na vida dela, não estou falando só de pais, podem ser professores, parentes, enfim, se comunicam assim. A segunda, é que ela aprendeu que está tudo bem falar de forma desrespeitosa na hora que ela quer colocar um limite nos adultos. Isso também acontece porque adultos são extremamente invasivos. Ela não vai saber fazer isso de forma respeitosa, então ela vai falar de forma desrespeitosa, porque é isso que ela aprendeu nas relações. Por isso que eu digo: o que precisa acontecer é uma mudança sistemática nos adultos. Nós precisamos mudar primeiro, nós precisamos ser adultos melhores, dignos de sermos imitados pelos nossos filhos.

Maya, como estabelecer limites sem ser autoritário?

MAYA:
Na verdade, nós nos tornamos autoritários em colocar limites, porque nós temos a impressão de que a criança deveria nos escutar na primeira vez que a gente fala. E aí, quando isso não funciona, a gente já parte para o autoritarismo, para grosseria, para estupidez. Então, na verdade, colocar limites não é difícil. É só a gente sustentar aquele limite.

Por exemplo, a criança que quer o pirulito antes do almoço. Eu posso colocar esse limite e falar assim: “amor, não posso te dar, não vou te dar esse pirulito, porque é um excesso de açúcar antes do almoço”.

Agora, essa criança pode e tem o direito de não gostar desse limite. Ela não tem que ficar feliz. Ela não tem cérebro maduro para entender valor nutritivo, o que tem que ser comido antes, o que tem que ser comido depois. Isso não é responsabilidade dela, essa é a responsabilidade dos adultos. Então, ela tem todo o direito de reagir, seja lá como for.

Só que nós, adultos, ficamos ofendidos com essa reação, porque a gente acha que a criança deveria ficar feliz. E aí a criança vai ter a reação que ela tiver e eu não preciso desistir desse limite, e muito menos preciso partir para a grosseria pelo fato da criança não ter gostado do limite.

Ela pode não gostar, e eu vou acolher a reação dela: “eu vejo que você está triste, eu vejo que você queria muito esse pirulito”. E essa criança vai se expressar, vai ficar chateada, e eu não vou ceder, porque é uma questão de saúde, que é a minha responsabilidade.

Em resumo, eu posso sustentar o limite com justiça e gentileza.

A educação não violenta cria filhos mimados? Os pais podem dizer “não” aos filhos?

MAYA:

Claro que podemos dizer não. E quando nós colocamos limites com respeito, sem autoritarismo, sem grosseria, sem palavras violentas, os nossos filhos aprendem a atravessar a frustração diante de um não que nós damos.

E a responsabilidade emocional dos adultos é apoiar a criança a atravessar os desafios emocionais que ela enfrenta, inclusive quando somos nós que causamos o desafio emocional ao dizer um não. Então, nós não precisamos ter medo de dizer “não”.

Embora, quero abrir um parênteses, sobre como nós dizemos “não” com muito mais facilidade do que dizermos “sim”. Nós somos, geralmente, adultos que dizem muito “não”, colocam muito limite, mas que também precisam aprender a ser mais flexíveis.

Então, sim, podemos dizer “não”. Quando fazemos isso com respeito, nossos filhos se tornam não mimados e, sim, muito resilientes.

Como os pais podem trabalhar neles mesmos a paciência e o afeto para criar um ambiente de harmonia na criação dos filhos?

MAYA:

Primeiro é o autoconhecimento. Realmente compreender a própria história, perceber como as violências que se viveu na própria infância continuam respingando em outras pessoas, inclusive nos nossos próprios filhos, e que é nossa responsabilidade agora cuidar dessas feridas.

O segundo ponto é estudar. A gente muitas vezes se baseia no achismo para educar, isso é muito arriscado. É necessário estudar, inclusive indico a leitura dos meus livros, eu tenho quatro livros sobre educação positiva que apoiam adultos nessa busca de uma educação mais respeitosa.

Quais são algumas dicas para educar bem?

MAYA:
Uma frase que eu quero deixar para todos aqui, encerrando essa entrevista, é o título do meu primeiro livro: “A raiva não educa, a calma educa”. Não quer dizer que nós não vamos sentir raiva na hora de educar de vez em quando. Isso não é sobre não sentir, mas entender que, na hora da raiva, nós não vamos conseguir falar decentemente.
A maioria de nós, na hora da raiva, fica ríspido, grosseiro, desrespeitoso. Então, se você está com muita raiva da tua criança, do teu adolescente, dá um passo para trás, vai se acalmar de novo e depois que você estiver em um estado emocional mais regulado, aí sim você volta e educa a tua criança.

Leia a entrevista na íntegra

1816 - 13/07/2026 - Educação Não Violenta

 

E SDG Icons NoText 033º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Saúde e bem-estar”

Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

.

44º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Educação de qualidade”.

Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos

Dra. Zilda

“Em um lar sem brigas, as crianças crescem mais seguras, mais felizes e os adultos e sentem mais apoiados e confiantes no futuro”.

Papa Leão XIV

“O futuro exige que aprendamos a colaborar mais, a crescer juntos”.

Criança Educação

Asma e bronquite: Como diferenciar e as principais causas na infância

Detalhes
Última Atualização: 25/05/2026
1797 dia da mulher e a busca pela equidade entrevistaCréditos: shutterstock

A infância é uma fase que exige atenção constante com a saúde. Desde o nascimento até os primeiros passos, os cuidados são fundamentais, principalmente quando o assunto é imunidade e doenças respiratórias, como asma e bronquite.

Muitas dúvidas surgem entre os responsáveis: qual delas é uma doença alérgica? Qual afeta mais as crianças? O ambiente interfere? E qual é o tratamento mais indicado?

Apesar dos sintomas parecidos, asma e bronquite são doenças diferentes. Por isso, o diagnóstico correto é essencial para garantir o tratamento adequado.

A asma infantil é uma doença respiratória crônica causada pela inflamação das vias aéreas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 339 milhões de pessoas convivem com a condição no mundo. No Brasil, a doença é considerada uma das mais comuns na infância.

No conteúdo desta semana, a Ana Lea Clementino, médica pediatra e líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná, explica as diferenças entre as doenças, os principais sintomas, causas e tratamentos, além da importância da informação e do acompanhamento médico adequado.

Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

1797 dia da mulher e a busca pela equidade entrevistadoDRA. ANA LEA

Entrevista com Dra. Ana Lea Clementino, médica pediatra. Ela atua também como líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná.

Dra. Ana Lea, o que é uma doença respiratória alérgica? E quais são as principais?

DRA. ANA LEA:

Bom, uma doença respiratória alérgica é uma doença inflamatória das vias aéreas, em geral, mediada por respostas imunológicas exageradas do indivíduo. Então, ao contrário do que muita gente pensa, não é falta de imunidade, às vezes é um sistema imunológico que trabalha em excesso para responder alguns agentes do ambiente, como vírus, poeira, fumaça. As principais, as mais conhecidas, são a rinite alérgica, que se manifesta no nariz, com coceira, prurido, coriza, e a asma, que pode se manifestar com tosse persistente, falta de ar, chiado no peito.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1810 - 01/06/2026 - Asma e Bronquite

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

O que é a asma?

DRA. ANA LEA:

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que têm períodos de melhora e piora conforme o clima, conforme os agentes ambientais, como presença de poeira, vírus, maior circulação de vírus, fumaça. Existe um fator genético envolvido, mas não é obrigatório. A asma pode gerar falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, aperto no peito, quadros de tosse que nunca melhoram, crianças que quando ficam doentes demoram para sarar. Essas crianças a gente tem que suspeitar que podem ter asma.

Quais são os sintomas da asma?

DRA. ANA LEA:

Os principais sintomas da asma são tosse persistente, falta de ar, aperto no peito, chiado no peito. Por exemplo, uma criança que tem uma tosse que nunca melhora. Às vezes já usou antibiótico várias vezes, mas continua tossindo. Em períodos como inverno e primavera, ela piora desse quadro. Ela piora durante a noite e pela manhã e após atividade física. Aí você precisa suspeitar que ela pode ter asma.

Existe tratamento para a asma? E no SUS?

DRA. ANA LEA:

Essa é uma pergunta muito importante porque existe tratamento para asma e o SUS disponibiliza esse tratamento gratuitamente. Então, hoje, no Brasil, nós temos uma incidência de asma da ordem de 20% das crianças brasileiras, sendo que nas áreas vulneráveis quase 50% apresentam sintomas de asma sem diagnóstico. E nós temos o tratamento no Sistema Único de Saúde gratuitamente. Por isso, é muito importante que as famílias estejam bem orientadas com relação a isso e que os líderes da Pastoral da Criança também saibam que esses sintomas podem ser devido à asma e que o tratamento está disponível na rede pública para encaminharem as suas famílias para fazer um tratamento adequado.

Quais são os danos de uma asma não tratada na infância?

DRA. ANA LEA:

A asma não tratada na infância pode levar a algo que a gente chama de remodelamento brônquico, que é uma reconfiguração do sistema respiratório. É como se o sistema respiratório formasse várias cicatrizes que não vão melhorar ao longo do tempo. O indivíduo pode ter perda de função pulmonar ao longo da vida por não tratar a asma na infância. Então, é preciso lembrar que a asma não é simplesmente uma doença, uma doença comum, ela é uma doença social, porque quanto mais carente a família, quanto mais carente essa criança, maior o risco dela não fazer o tratamento adequadamente e sofrer com as consequências futuras de uma asma não tratada. É preciso lembrar que o líder da Pastoral da Criança tem uma função e uma atuação muito importante dentro das famílias orientando a necessidade de se tratar e encaminhar essas famílias para fazer o tratamento quando houver a suspeita. Uma criança que tosse permanentemente ou constantemente e vive doente, é necessário que a gente suspeite e encaminhe para tratamento e diagnóstico.

(TESTEMUNHO) Maria Regina Braga Magalhães, líder da Pastoral da Criança de Nova Andradina, Diocese de Naviraí, Mato Grosso do Sul.

Maria Regina, quais são as orientações que vocês dão para as famílias sobre a prevenção das infecções respiratórias?

MARIA REGINA:

A nossa orientação às famílias é para que cuidem da higiene, lavando sempre as mãos com água e sabão, especialmente antes de comer, após tossir ou espirrar. Nós precisamos também manter a nossa casa sempre limpa e bem ventilada. Mesmo o tempo de frio, evitando assim o acúmulo de poeira nos tapetes, nas cortinas, nos bichinhos de pelúcia, manter o calendário vacinal sempre atualizado contra a gripe e outros, não fumar e evitar ambientes com fumaça, poluição, odores fortes e dar bastante água ou suco natural para as crianças.

Leia a entrevista na íntegra

1810 - 01/06/2026 - Asma e Bronquite

 

E SDG Icons NoText 033º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

Saúde e Bem-Estar

Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

1616º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

Paz, justiça e instituições eficazes

Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis

Dra. Zilda

“Os primeiros anos de vida são os principais para que a criança adquira valores culturais e se transforme em semente de paz”.

Papa Leão XIV

A saúde não pode ser um luxo para poucos, mas sim uma condição essencial para a paz social. A cobertura universal de saúde não é apenas um objetivo técnico a ser alcançado; é, antes de tudo, um imperativo moral para as sociedades que desejam se definir justas. O acesso à saúde e à proteção deve ser garantido aos mais vulneráveis, pois isso é necessário para a sua dignidade e também para evitar que a injustiça se torne semente de conflito.”

Infância Asma

Campanha Nacional de Doação de Leite Humano: saiba como participar

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Última Atualização: 25/06/2026

O Ministério da Saúde e a Rede Global de Bancos de Leite Humano, com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), lançaram a Campanha Nacional de Doação de Leite Humano 2026. A iniciativa é realizada anualmente no mês de maio em referência ao Dia Nacional e Mundial da Doação de Leite Humano, celebrado em 19 de maio. Neste ano, a campanha traz o tema: “Doação de Leite Humano: solidariedade que nutre, vida que cresce”.

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