4. O Nascimento de Jesus

“Ela deu à luz o seu filho, o primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.”
Lc 2,7
Como ler este material
  • Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
  • Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
  • Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
  • Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
Uma palavra inicial

O nascimento de Jesus revela a ternura de Deus que se faz pequeno, simples e próximo. Ao nascer em uma manjedoura, sem lugar na hospedaria, o Menino Deus nos recorda que toda vida precisa ser acolhida, protegida e amada desde o primeiro instante. Inspirados por esse mistério, os líderes da Pastoral da Criança são chamados a estar perto das gestantes, das mães e das crianças, especialmente quando há medo, insegurança ou abandono, levando presença, cuidado e esperança para a vida que nasce.

4. O nascimento de Jesus

Que realidade desafiadora a de uma gestante que está para dar à luz e não tem lugar onde ficar! Desprezo, sensação de abandono total. Dá a impressão de que a vida não tem valor.

A nova vida é desprezada; exatamente a vida de quem veio ao mundo para dar dignidade e valor à vida. O autor da vida não tem lugar para nascer e defender a vida neste mundo. Que mundo pobre, triste, sem amor!

Líderes da Pastoral da Criança!

Eis a grande missão. Que, inspirados e inspiradas por Deus, vocês, ao saírem de suas casas, conhecendo as gestantes da comunidade e as famílias com crianças na primeira infância, façam como Maria quando foi saudada pelo anjo e foi visitar sua prima.

“Visitem sem preocupação excessiva. Encontrem-se com as mães.”

Visitem sem preocupação excessiva. Encontrem-se com as mães. Vejam em que situação se encontra essa pobre mãe que talvez, como Maria, não tenha onde nascer, proteger, alimentar e cuidar das crianças.

A Igreja, como mãe, deve, a partir da Pastoral da Criança, oferecer a digna habitação com tudo o que é necessário para uma vida se desenvolver com dignidade e amor.

“Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

Por coincidência, a Campanha da Fraternidade deste ano de 2026 traz com insistência este lema. Vocês, líderes, fazem a experiência viva de estarem presentes nestes espaços que são a moradia do Deus Menino que encontram em suas visitas.

Vocês, com certeza, ao adentrarem nestes espaços, fazem o estremecimento da vida, dizendo: “Aqui estamos”; “este é o lugar da morada de Deus”.

Quando a Igreja se ocupa apenas com o funcional, com a estrutura e com o “sempre foi assim”, está longe da fonte inspiradora do Mestre de Nazaré, que veio dar dignidade à vida humana, a todas as vidas.

Sejam Maria, aquela que, antes do nascimento, já foi visitar Isabel e foi servir (Lc 1,39-56).

Uma visita antes do nascimento de uma criança dá condições para observar o que falta nessa casa: prevenir, instruir, alertar, precaver, sensibilizar-se. Eis a alma da líder da Pastoral da Criança.

A festa do Natal se repete no lar onde uma criança nasce, independentemente do dia, mês e ano. Todo nascimento é a festa natalina que se estende nos lares de milhares de famílias que recebem uma nova vida, feita à imagem e semelhança de Deus.

Na medida em que uma gestante é acompanhada por líderes, cria-se um vínculo de afeto entre a Pastoral da Criança e a família. Esse elo deve se estender à comunidade. Apresentar a criança na comunidade, lugar da comunhão com Deus e com as pessoas de fé, alimenta a esperança de salvação.

A nossa insistência deve estar na fase próxima de dar à luz à criança. A gestante que está para dar à luz vive momentos de intensa ansiedade, expectativa e insegurança.

Deve ser triste consumir a ansiedade sem ter ninguém para partilhar, sem sentir alguém próximo, sem contar com o apoio de alguém.

“O líder não é mais uma pessoa estranha; ele é próximo, integrado e repleto de confiabilidade.”

Neste momento, o líder não é mais uma pessoa estranha; ele é próximo, integrado e repleto de confiabilidade. Essas atitudes são fundamentais para oferecer segurança e proximidade.

Líderes, sejam fonte do amor que cuida e protege a vida tão frágil e repleta de amor!

Imaginemos o coração de Maria, sem ter lugar para o menino nascer. Quanta aflição, angústia, tremor!

Jesus nasceu nessa situação e seu ensinamento é para que ninguém neste mundo nasça em tamanha pobreza. Ele já sofreu por nós; agora é nossa missão, como cristãos, seguidores de Jesus, não permitir que nenhuma gestante sofra como Maria sofreu.

Como Pastoral da Criança, é nossa tarefa dialogar com as pastorais da comunidade paroquial e partilhar responsabilidades para que a criança, desde o nascimento, sinta o amparo da ternura de uma comunidade.

Não deixemos as mães abandonadas durante a primeira infância para depois impor orientações para os sacramentos, sem nos preocuparmos com a fase primeira da vida.

Líderes, continuem fazendo o que nos diz o e-Guia: “recebam a gestante com sua criança ao chegarem em casa, vindas do lugar onde estavam”.

“Como é bonita aquela espera! A festa da vida!”

Como é bonita aquela espera! Os líderes que acompanham a família da criança que nasceu ficam esperando, na porta da casa, com alegria, com festa: a festa da vida!

Já vimos muitas ações dessa natureza por aí afora. Líderes até arrumam a casa da nova mãe com todos os aparatos necessários à alegria de quem chega.

É Jesus, humanizado na forma de uma criança, que chega aos nossos olhos para que se cumpra a nossa missão: olhar, cuidar e encher de ternura o lar que acolhe uma nova vida humana.

Sabemos que a marca de nossa atividade é a interação e o respeito às diferenças, acreditando que não somos autossuficientes nem capazes de resolver tudo sozinhos.

Por isso, faz-se necessário:

  • O diálogo com a Pastoral Familiar. O setor família da paróquia é uma grande ajuda para que a Pastoral da Criança possa ser mais eficiente;
  • O caminhar com a Pastoral Familiar. Juntas nessa dinâmica, as famílias são amparadas, introduzidas e acolhidas, e a Igreja se torna a referência decisiva para uma vida autenticamente cristã;
  • Que Jesus Cristo, que nasce na família, seja lembrado, seguido e conhecido, para que nenhuma vida fique sem dignidade e sem amor;
  • Estimular os vizinhos, a comunidade de fé, os grupos de reflexão e as CEBs para que sejam presença na vida da família que acolhe uma nova vida.

Líderes!

Quais iniciativas podemos provocar para que essa criança seja visitada como os pastores, que correram apressadamente para ver uma criança que nasceu e foram agraciados com o canto dos anjos de Deus (Lc 2,13-14)?

Como os Reis Magos (Mt 2,1-12), que vieram de recantos do mundo trazendo presentes para essa criança recém-nascida?

Quanto mais a Pastoral da Criança for conhecida, lembrada e alertada, tanto mais a comunidade se envolve no cuidado e na recepção da nova vida, proporcionando a ela o calor da ternura da comunidade de fé.

“Não deixemos nenhuma criança nascer sem lar, sem amor e sem dignidade.”

São Francisco de Assis deu novo alento à vida nascente. Quis celebrar com muito afeto e amor o Natal do Senhor. Ele quis ver com os próprios olhos uma criancinha mexendo as mãozinhas e contemplar a ternura de Deus, que se humanizou para que nós, humanos, nos aproximemos de Deus.

O milagre do nascimento de uma criança é o sinal visível da existência de Deus agindo nesse lar. Mesmo que a fé seja miúda em certos lares, a vida acontece. A vida se faz presente, a vida nasce.

Cabe a nós ser presença de fé viva e atuante para que o lar seja aquecido pelos ensinamentos de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10).

Dentre todas as pastorais da Igreja, a Pastoral da Criança, com certeza, é a mais emocionante, porque está presente na vida da gestante, acompanha a mulher que se prepara para o parto, acompanha a nova vida desde seus primeiros instantes existenciais e dá alegria e vivacidade à criança nos momentos da Celebração da Vida, incluindo os momentos de lazer, de brincar, de ocupar-se com essa criatura que tem o rosto de Deus.

Integrar as mães na comunidade, por meio da visita, da Celebração da Vida e das tarefas comuns da visitação, é o caminho para o fortalecimento da família na comunidade de fé.

A comunidade tem a missão de acolher e dar subsistência para que se crie ânimo, entusiasmo e gosto de pertença na vida em comunidade de fé.

Líderes, sem moralismos, mas cheios de ternura e espírito de acolhimento, sigamos preenchendo os vazios existenciais em tantos lares onde há violência doméstica e toda forma de brutalidade que machuca, afasta e amedronta a vida dos preferidos de Deus.

Como o Papa Francisco tanto nos convocou: adentremos às periferias existenciais.

O nascimento de Jesus é o Evangelho do surgimento de uma nova vida. É uma estrela que ilumina a humanidade pela vida que nasce.

“O anjo então lhes disse: Não temais! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10-11).

A estrela guia continua guiando as famílias que trazem a este mundo uma nova vida. A vida é para o louvor e glória de Deus.

Somos instrumentos da alegria de Deus neste mundo.

Apoiar, visitar e acompanhar uma família com criança recém-nascida e na sua primeira infância fortalece o vínculo com Jesus, que nasceu pobre e foi visitado pelos pastores (Lc 2,8-13) e pelos Reis Magos (Mt 2,1-12).

Sejamos presença ativa e afetiva na Pastoral da Criança.

“Sejamos presença ativa e afetiva na Pastoral da Criança.”

Sejamos protagonistas no cuidado e na defesa da vida que é gestada e trazida ao mundo com a luz da fé e da esperança.

Não deixemos nenhuma criança nascer sem lar, sem amor e sem dignidade.

Líderes!

Vocês são peritos e peritas nesta missão.

Veem, ouvem, sentem e dizem aquilo que está no seio de sua espiritualidade, que transforma vidas de maneira prática, consistente e capaz de alegrar os corações a ponto de ouvirmos: vejam como eles se amam!

Para o dia a dia da missão

Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas, o acompanhamento das gestantes e a presença da Pastoral da Criança na comunidade.

1. Conheço as gestantes que estão próximas de dar à luz e sei em que situação elas se encontram?
Visitar antes do nascimento ajuda a perceber necessidades, orientar, prevenir dificuldades e fortalecer vínculos com a família.

2. Minha comunidade tem se preparado para acolher a criança que nasce?
O nascimento de uma criança é uma festa da vida e deve envolver a família, os vizinhos, a comunidade de fé e as pastorais.

3. Tenho sido presença de ternura nos lares onde há medo, pobreza, insegurança ou abandono?
A Pastoral da Criança é chamada a ser sinal do amor de Deus, especialmente nas casas onde a vida precisa de mais proteção, dignidade e esperança.

4. O nascimento de cada criança ainda desperta em mim alegria, fé e compromisso com a vida?
Cada criança que nasce nos recorda o Menino Jesus e renova a missão de cuidar, defender e celebrar a vida.

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