- Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
- Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
- Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
- Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
O texto sobre a Anunciação nos convida a olhar para Maria como aquela que soube escutar, confiar e dizer “sim” ao chamado de Deus. A partir dessa experiência, somos lembrados de que a missão na Pastoral da Criança nasce da escuta e da confiança no Senhor. Assim como Maria acolheu a vida que começava, também somos chamados a cuidar da vida desde o ventre materno, sendo presença de esperança, ternura e anúncio junto às gestantes, crianças e famílias.
2. Anunciação
Nestas páginas da Sagrada Escritura nasce a essência da Pastoral da Criança. A iniciativa é de Deus. Uma relação amorosa, de confiança, de mística envolve Maria, a primeira a deixar-se conduzir pela voz do Senhor. Através do anjo, ela assume, por inspiração, a missão do cuidado e da proteção da vida.
A iniciativa é de Deus. O anjo, enviado por Deus, aproximou-se de Maria e comunicou, com afeto e serenidade, que ela seria a mãe do Salvador. A futura mãe, a gestante por excelência, é visitada pelo anjo; espanta-se, inquieta-se, mas não perde o olhar para o infinito, sem saber a dimensão do eterno que nela é gerado. Toda a vida deve ser colocada na confiança do Senhor. Deus é o dono da vida: Ele a dá e a recolhe para si.
Primeiro passo para líderes, gestores, cuidadores da Pastoral da Criança: escutar, deixar Deus falar. Deus escolhe as pessoas que sabem escutar e se colocar a caminho para servir.
Líderes, vocês são este canal de graça: escutam Deus falar, deixam o anjo anunciar a Boa Nova. Deus conhece suas qualidades, capacidades e potencialidades. Deus os capacita para serem líderes do agrado do Senhor. Não interrompam a fala de Deus.
A iniciativa é de Deus e vocês, líderes, a atualizam, de maneira viva e presente, no dia a dia das famílias. Cada família visitada encontra em vocês o Cristo vivo e anunciado, numa dimensão que ultrapassa o nosso entendimento. Muitas vezes, vocês mesmos desconhecem esse valor – só o reconhecem quando escutam das mães que são como anjos que chegam diariamente em suas casas.
Muitas vezes, sentem-se amedrontados com as dificuldades que se apresentam. O medo faz parte da humanidade enfraquecida, mas a fortaleza de Deus encoraja. Vocês põem os pés a caminho: visitam, escutam, servem, ajudam, como fez Maria.
Líderes!
Não fiquem presos ao medo, à insegurança, às dúvidas. Ergam a cabeça. Levem a mensagem de otimismo, alegria e esperança. Encaminhem as dúvidas e as angústias, as dores e os sofrimentos das gestantes e das mães sofridas, descuidadas e, muitas vezes, solitárias no abandono e na dor.
Desconfiemos de nossas próprias decisões. Deixemos Deus agir e decidir.
Como estamos refletindo, saber colocar-se na escuta de Deus é o primeiro passo na missão como líder na Pastoral da Criança. A autossuficiência é a tentação de substituir Deus e criar conceitos próprios que, muitas vezes, não se sustentam. Fracassam. A intimidade com Deus ajuda a superar o medo e conduz a uma resposta firme e decidida: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a sua palavra” (v.38). A decisão de Maria veio após escutar a voz do anjo e deixar o coração repousar na ternura de Deus.
Vocês já pararam para pensar o quanto é importante a sua voz diante da gestante acompanhada? Vocês iluminam o caminho daquelas que trazem no ventre uma nova vida. É a verdadeira catequese que começa no ventre materno – atualidade do mistério de Deus em cada lar, verdadeira anunciação.
Vamos aprendendo, a cada dia, com Maria da Anunciação, que a voz, o silêncio e a decisão nos tornam mais firmes: é o verdadeiro caminho da oração.
O exercício da oração e da meditação ajuda o ser humano a discernir e a acertar nas decisões. Deus age no silêncio, na ternura do amor.
Como entusiastas da Pastoral da Criança, temos o caminho aberto para lembrar, em nossas comunidades de fé, que o cuidado com a primeira infância exige de nós, líderes, proximidade com pastores, bispos, padres e demais lideranças. A presença junto às gestantes desperta uma grande alegria, unida à alegria de uma nova vida que está sendo tecida no útero materno e que necessita de toda a proteção da Igreja.
Ser presença na vida de uma família, quando a mãe é gestante, aproxima a Igreja na mística do cuidado e da ternura, tornando visível a ação de Jesus no anúncio da Boa Nova. Inspiramo-nos em sua ação salvífica.
Ao cuidar, desde o início da gestação, de uma vida que pertence a Deus, contribuímos para um ambiente mais saudável, capaz de prevenir, no futuro, muitas dores, doenças e tensões tão presentes na vida familiar e na sociedade.
Cuidar do primeiro passo é caminhar rumo à alegria da vida, ao seu sentido mais profundo, ao encantamento de gerar vida feliz neste mundo, a caminho da felicidade eterna.
A primeira preocupação deve ser com a vida; depois, com a religião. A vida está acima da religião. A religião deve ligar a vida a Deus e se tornar caminho para a verdadeira felicidade. A Igreja é sinal, sacramento, que garante essa pertença, e a vida deve ser cuidada e educada segundo os preceitos divinos.
Superemos o comodismo e as facilidades que geram acomodação e enfraquecem a capacidade de enfrentar os desafios.
Maria escutou com espanto o anjo e acolheu cuidadosamente a mensagem. Não foi iniciativa dela, mas do anjo mensageiro. Assim também somos chamados a perceber as fragilidades das famílias e a ser presença amorosa, discreta e sensata, ajudando-as a reconhecer sua missão. No encontro com o outro, as emoções se fortalecem e a alma se enche de gratidão pela obra salvífica de Deus.
Sejamos anunciadores do amor ao visitar as gestantes. Levemos alegria para a nova vida, pois toda vida é encanto na família.
Líderes!
Vocês são os anjos anunciadores da nova e feliz vida, para o louvor e glória de Deus. São Paulo afirma: “Sendo seus colaboradores, vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus...” (2Cor 6,1-2). A graça supera as adversidades, elimina medos e inseguranças, e fortalece, com afeto e ternura, o lar que acolhe uma nova vida.
Ajudemos e incentivemos na Celebração da Vida e deixemos Jesus nos conduzir. “Corramos com perseverança...” (Hb 12,1-2). Este é o dinamismo do líder: ir ao encontro, saudar, abrir a porta, entrar e acolher a vida que está sendo gerada e cuidada desde a primeira infância.
Abramos as portas da Pastoral da Criança para acolher, com ternura, as gestantes e cuidadores dos pequeninos, os preferidos de Deus. Mesmo com medo, não deixemos a ternura se abalar, pois a força protetora de Deus é maior.
Nosso exercício de fé e devoção sustenta a mística que envolve o ser humano em suas fragilidades e fortalece a confiança em Deus, que sempre protege e sustenta a vida.
Intensifiquemos o diálogo com a Pastoral Familiar e com o setor família de nossas comunidades. Juntos, temos a missão de evangelizar, revelar Jesus Cristo e proteger a vida desde sua origem.
Esta é a grande alegria da Pastoral da Criança: anunciar a vida digna e feliz, que caminha para a plenitude em Deus.
Essa alegria se traduz em atitudes concretas, palavras e compromisso. Como o amor que ultrapassa o tempo e o espaço, que tudo crê e tudo espera, também nós somos chamados a viver à imagem do Deus da vida em sua plenitude.
Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas e ações na comunidade.
1. Tenho reservado tempo para escutar Deus na minha missão?
A escuta é o primeiro passo. É nela que nasce a missão.
2. Como tenho escutado as gestantes e famílias nas visitas?
Escutar com atenção e respeito é um gesto concreto de cuidado e acolhimento.
3. Tenho deixado o medo ou a insegurança atrapalharem minha missão?
A confiança em Deus fortalece e encoraja a seguir em frente.
4. Minha presença nas visitas tem levado esperança e alegria às famílias?
O líder é chamado a ser sinal de ânimo, cuidado e Boa Nova.
5. Tenho ajudado as famílias a perceberem o valor da vida desde a gestação?
Cada vida é um dom de Deus e precisa ser acolhida, protegida e amada desde o início.
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