Em uma realidade na qual muitas crianças têm a infância atravessada pela violência e pelo uso excessivo de telas, garantir oportunidades para se desenvolver de forma integral tornou-se um desafio cada vez mais urgente. Esse foi um dos principais alertas feitos pela coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Maria Inês Monteiro de Freitas, durante visita à Bahia, entre os dias 18 e 30 de julho.
Maria Inês percorreu as dioceses de Amargosa, Cruz das Almas, Alagoinhas e Camaçari, além de participar da Assembleia Estadual da Pastoral da Criança, realizada em Salvador. A coordenadora nacional foi acompanhada pela coordenadora estadual, Irmã Isabel Lima. Durante a agenda pelo estado, Maria Inês também se encontrou com o bispo referencial da Pastoral da Criança na Bahia, Dom Juraci Gomes de Oliveira.
Visita à comunidade no estado da Bahia
Mais do que acompanhar as atividades desenvolvidas na região, a visita teve como objetivos conhecer a realidade das comunidades, ouvir os líderes da Pastoral da Criança e fortalecer a missão que precisa responder aos novos desafios vividos pelas crianças brasileiras.
“Pra mim é uma grande alegria estar visitando a Bahia, conhecendo a realidade dos nossos líderes, sempre buscando fortalecer essa grande missão de garantir vida plena a todas as crianças”, afirmou Maria Inês.
Os desafios atuais da primeira infância
Ao conversar com líderes e famílias, Maria Inês destacou que a atuação da Pastoral da Criança não pode ser compreendida apenas como um conjunto de orientações relacionadas à saúde. A missão é evangelizar, o que envolve o cuidado, o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e a transformação das realidades que ameaçam o desenvolvimento integral das crianças.
“Essas visitas foram pra mim muito gratificantes. Me fazem refletir sobre a importância da nossa ação atualmente. Muitas vezes somos comparados aos agentes de saúde, mas é preciso lembrar que a Pastoral da Criança evangeliza. Ou seja, ela cuida da vida e busca a transformação de realidades. Muitas crianças hoje têm a infância roubada pela violência ou pelas telas. Criança precisa ser criança! Precisa viver a sua infância para ser um adulto saudável”, ressaltou.
Escuta e proximidade com as comunidades
A passagem pelas dioceses seguiu uma dinâmica de escuta e partilha. Para Irmã Isabel Lima, a proximidade da Coordenação Nacional contribui para renovar a disposição de quem atua diretamente nas comunidades.
Maria Inês durante visita domiciliar no estado da Bahia
“A visita da coordenadora nacional ao estado ajuda a fortalecer as nossas ações. A gente tira as dúvidas, se anima e, o mais importante, fortalece a nossa espiritualidade. Fortalecendo a nossa espiritualidade, fortalecemos as nossas ações dentro das comunidades, das paróquias, das dioceses e em todo o estado”, afirmou.
Ao avaliar a caminhada da Pastoral da Criança na Bahia, Irmã Isabel reconheceu os desafios, mas destacou a perseverança das lideranças.
“A gente está caminhando. Não vou negar que tenhamos dificuldades, mas continuamos fortalecidos, porque a gente confia na grande ternura do nosso Deus. Caminhamos porque sabemos da importância da Pastoral da Criança nas comunidades em que acompanhamos”, disse.
Assembleia e nova coordenação estadual
Entre as visitas às dioceses, Maria Inês participou da Assembleia Estadual Eletiva da Pastoral da Criança, realizada de 24 a 26 de julho, em Salvador. O encontro reuniu os 22 coordenadores diocesanos para momentos de formação, avaliação da caminhada e definição da nova coordenação estadual.
Dom Juraci Gomes de Oliveira, bispo referencial da Pastoral da Criança na Bahia, durante assembleia estadual eletiva
Com o tema “O Senhor te chama, você é uma missão” e o lema “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8), a assembleia contou também com a participação de Dom Juraci Gomes de Oliveira e de Irmã Isabel Lima.
Um dos principais momentos foi a eleição da nova coordenadora estadual. Rita de Cássia, da Diocese de Serrinha, foi escolhida para assumir a coordenação da Pastoral da Criança na Bahia pelos próximos quatro anos. Caberá a ela fortalecer as ações desenvolvidas nas dioceses e ajudar a ampliar a presença da Pastoral da Criança nas comunidades.