Higiene do bebê até 6 meses

De acordo com a Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria, o primeiro banho do bebê recém-nascido deve ser realizado somente 24 horas após o nascimento. Caso isso não seja possível por razões culturais ou por outras condições, recomenda-se que seja adiado por pelo menos 6 horas. O banho precoce deve ser evitado, pois a permanência do vérnix caseoso (a camada esbranquiçada que recobre a pele do bebê ao nascer) ajuda a manter a hidratação da pele, auxilia na proteção contra infecções e contribui para o controle da temperatura corporal.

Entretanto, para bebês nascidos de mães vivendo com HIV, o primeiro banho deve ser realizado o mais precocemente possível, conforme orientação da equipe de saúde, para reduzir o risco de transmissão por contato com sangue e secreções maternas.

Após o primeiro banho, o bebê pode tomar banho diariamente. A frequência pode variar conforme o clima, os hábitos da família e as necessidades do bebê. Mesmo quando o banho completo não é diário, é importante realizar todos os dias a higiene do rosto, das mãos, das dobras da pele, da região genital e do coto umbilical (até a sua cicatrização). Em dias muito quentes, quando houver suor excessivo ou o bebê estiver sujo, banhos adicionais podem ser oferecidos. Já em locais de clima frio, o ideal é dar banho nos períodos mais quentes do dia, protegendo o bebê do vento e evitando que ele perca calor.

Antes do banho, é importante deixar separados todos os materiais que serão utilizados, como toalha, fralda, roupa limpa, sabonete neutro e outros itens necessários. A água deve estar morna, em temperatura agradável, sendo importante testá-la antes de colocar o bebê na banheira, para prevenir queimaduras.

O rosto e a cabeça devem ser higienizados antes de colocar o bebê na água do banho. Essa medida ajuda a manter a água mais limpa durante o banho e evita que resíduos presentes na água sejam levados aos olhos.

Durante o banho, o bebê deve ser segurado com firmeza e delicadeza, apoiando a cabeça e o pescoço para que se sinta seguro.

Após o banho, é importante secar cuidadosamente todas as dobras do pescoço, dos braços, das pernas e da região da fralda, para evitar irritações e assaduras. Utilize uma toalha macia de uso apenas do bebê.

O uso de talco não é recomendado, pois pode ser inalado pelo bebê e causar problemas respiratórios, além de não trazer benefícios para a pele.

 


Cuidado com as roupas

O bebê deve vestir roupas confortáveis, macias e que permitam seus movimentos. As roupas não devem ser apertadas nem dificultar a circulação de ar ou os movimentos dos braços e das pernas.

Os bebês, especialmente nos primeiros meses de vida, perdem calor com mais facilidade e ainda têm dificuldade para manter a própria temperatura corporal. Por isso, é importante vesti-los de acordo com a temperatura do ambiente. Em dias quentes, prefira roupas leves, de tecidos confortáveis e respiráveis, evitando o excesso de roupas para prevenir que eles passem calor. Em dias frios, mantenha o bebê aquecido com roupas adequadas, protegendo principalmente a cabeça, as mãos e os pés quando necessário.

Se o bebê ficar com as mãos, pés, lábios ou pele arroxeados, especialmente durante ou após as mamadas, ou se tiver dificuldade para respirar, cansaço excessivo, ele deve ser levado imediatamente para avaliação em um serviço de saúde, pois esses podem ser sinais de problemas no coração, nos pulmões ou de outras condições que necessitam de atendimento urgente.

As roupinhas, fraldas de pano e toalhas do bebê precisam ser bem lavadas, enxaguadas e, sempre que possível, colocadas ao sol para secar. O melhor é lavá-las separadamente das roupas dos adultos. Tudo isso ajuda a prevenir assaduras, alergias e infecções na pele do bebê.

Troca de fralda

Toda vez que a fralda estiver molhada ou suja, ela precisa ser trocada. A bundinha do bebê deve ser limpa, lavada e bem enxugada a cada troca de fralda. Isso evita assaduras e infecções.

Para limpar as meninas, o pano úmido deve ser passado na vulva sempre de frente para trás (da vulva em direção ao ânus). Com esse cuidado, as bactérias do cocô não chegam até a vagina e o buraquinho do xixi, prevenindo infecções.

Nos meninos, durante o banho e nas trocas de fraldas, lave delicadamente a parte externa do pênis com água e sabonete suave, removendo os restos de urina e fezes que possam estar na região. Esses cuidados ajudam a manter a higiene e a prevenir irritações e infecções.
Não force a pele que recobre a ponta do pênis, pois ela costuma estar naturalmente grudada nos primeiros anos de vida e, na maioria dos meninos, vai se desprendendo conforme eles crescem. 

Procure a Unidade de Saúde se a criança apresentar dor, vermelhidão, inchaço, secreção, dificuldade para fazer xixi ou qualquer outra alteração na região íntima.

Assaduras

As assaduras podem causar dor e desconforto ao bebê. Para preveni-las, a fralda deve ser trocada sempre que estiver molhada ou suja. A região da fralda deve ser limpa, de preferência com água, e seca delicadamente antes de colocar uma fralda limpa.

Se a pele da região da fralda apresentar vermelhidão, irritação ou sinais de assadura, procure orientação do profissional de saúde na Unidade de Saúde para receber os cuidados e orientações adequadas.

Antigamente era comum orientar o uso de pasta caseira de amido de milho (maizena) para prevenir assaduras. Atualmente, essa prática não é mais recomendada. O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria orientam manter a pele limpa e seca, trocar as fraldas com frequência e, quando necessário, utilizar cremes de barreira apropriados para a prevenção e o tratamento das assaduras.
Sempre procure orientação dos profissionais de saúde.


Limpeza do cordão umbilical (umbigo)

Para limpar o umbigo, após o banho seque a região e passe apenas álcool a 70% no local. Evite que o álcool pingue na pele ao redor do umbigo ou em outras partes do corpo do bebê. Se a área ao redor do umbigo ficar vermelha ou se aparecer secreção amarelada, com pus e mau cheiro, pode ser sinal de infecção. Neste caso, leve o bebê imediatamente ao serviço de saúde. O coto, a parte do umbigo que seca, costuma cair até o final da segunda semana de vida dos bebês. Não coloque faixas, moedas ou qualquer outro objeto ou substância sobre o coto, pois isso pode causar infecção.


Limpeza da boca 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), se o bebê for recém-nascido ou estiver na fase de aleitamento exclusivamente no peito, e ainda não tiver dentes, não se recomenda limpar a boca, pois o leite materno já oferece proteção em toda a cavidade oral. 

Na página 58 da Caderneta da Criança, versão 2024, o Ministério da Saúde reforça que a partir do nascimento do primeiro dente de leite, a higiene bucal deve ser realizada diariamente, pela manhã e à noite. Utilize uma escova de dentes pequena, com cerdas macias, e uma quantidade de creme dental com flúor menor que um grão de arroz. Enquanto a criança tiver apenas dentes de leite, duas escovações por dia são suficientes.

Durante a escovação, faça movimentos suaves e cuide para que a criança não engula a espuma formada pelo creme dental. Após o uso, mantenha a escova e o creme dental fora do alcance da criança para evitar acidentes. 

Pontinhos brancos na boca (sapinho) 

Alguns bebês podem apresentar pontinhos ou placas brancas na boca, na língua, nas gengivas ou na parte interna das bochechas. Isso pode ser sapinho, uma infecção causada por um fungo.

Ao perceber esses sinais, leve o bebê à Unidade de Saúde para avaliação. Se confirmado o diagnóstico, o profissional de saúde orientará o tratamento adequado.

Durante esse período, mantenha uma boa higiene das mãos e dos objetos que o bebê leva à boca, como mamadeiras e mordedores. Se ele estiver sendo amamentado, a mãe também deve ser avaliada, pois a infecção pode atingir os mamilos e, quando necessário, mãe e filho deverão ser tratados para evitar novas infecções.


Nascimento dos dentes

O nascimento dos dentes varia de criança para criança. Alguns bebês podem nascer com um ou mais dentes, enquanto outros completam um ano de idade sem que eles tenham aparecido. Na maioria dos casos, o primeiro dente nasce por volta dos seis meses de vida.

Antes do surgimento dos primeiros dentes, é comum que as gengivas fiquem inchadas e sensíveis. Nessa fase, o bebê pode ficar mais irritado, inquieto e apresentar maior vontade de morder objetos.

Líder, oriente a família a procurar uma Unidade de Saúde para acompanhar a saúde bucal do bebê. Sempre que houver atendimento odontológico para crianças, incentive os pais ou responsáveis a levarem o bebê para uma avaliação, preferencialmente ainda no primeiro ano de vida, mesmo que os dentes tenham começado a nascer recentemente.

Outras orientações importantes

Cada família tem sua maneira de cuidar do bebê. Manter uma rotina diária, com horários para o banho, a alimentação, o sono e as brincadeiras, ajuda a criança a sentir-se segura e favorece seu desenvolvimento.

Para proteger a saúde bucal do bebê, evite soprar os alimentos para esfriá-los, experimentar a comida com a mesma colher que será usada para alimentá-lo ou compartilhar talheres, copos e outros utensílios. Esses hábitos podem transmitir bactérias da boca do adulto para a boca da criança, aumentando o risco de cárie.

Também não coloque a chupeta na boca do adulto para limpá-la quando ela cair no chão. Lave-a com água limpa, sempre que possível, antes de devolvê-la ao bebê. Além de evitar a transmissão de bactérias, este cuidado reduz o risco de contaminação por sujeira e outros microrganismos.

 

"O Altíssimo deu aos homens a ciência para que pudessem honrá-lo por suas maravilhas". Eclesiástico 38, 6

 

 

 



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