8 - Tua mãe e teus irmãos querem falar contigo

“Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está no céu, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
Mt 12,50
Como ler este material
  • Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
  • Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
  • Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
  • Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
Uma palavra inicial

Jesus amplia o sentido da família ao ensinar que todos aqueles que fazem a vontade do Pai se tornam irmãos e irmãs. Na missão da Pastoral da Criança, essa mística nos convida a entrar nos lares como uma presença próxima, capaz de escutar, acolher e ajudar. Ao acompanhar gestantes, crianças e suas famílias, os líderes fortalecem vínculos e ajudam a construir a grande família de Deus, marcada pelo cuidado, pelo encontro, pela justiça e pelo amor.

8. Tua mãe e teus irmãos querem falar contigo

O endereço da atuação dos agentes da Pastoral da Criança é a família. Composta por pessoas que entendem que se amam, formam um lar de aconchego para viver e buscam a felicidade. Na precariedade e na riqueza, a família busca constantemente os elementos necessários para viver bem.

Temos a certeza de que você, líder, se sente como pessoa da família que acompanha! Temos a certeza de que você, coordenador(a), também se sente parte da família de sua liderança! Isso é a certeza de que estamos cultivando o grande jardim da existência pastoral: somos um com o outro!

A construção de uma família justa e equilibrada surge da verdadeira educação. “Filho sábio é fruto da correção paterna; o insolente não escuta quando é advertido” (Pr 13,1). Buscar a sabedoria é construir um aconchego com solidez, tomado de amor, prudência e afeto.

Todo processo harmonioso num lar é a conquista gradual do bem maior que traz segurança e bem-estar. Esta harmonia constrói o caráter da pessoa que ama a verdade, se torna prudente e chega à maturidade com segurança e equilíbrio em todas as suas necessidades básicas para o bem viver com dignidade.

Vivemos tempos desfavoráveis para uma verdadeira educação e pertença familiar e social em vista de excessos de possibilidades, facilitadores que acomodam na busca da reflexão, da autenticidade, do bom exemplo e do espírito edificador num lar, na sociedade.

Nossas comunidades estão a todo tempo sendo invadidas por influências que muitas vezes não são as mais produtivas. E nossas famílias muitas vezes acolhem estas influências com muita inocência, pensando estarem sendo abastecidas de bons propósitos, tamanha é a necessidade que passam.

Você, líder, ainda é quem chega com atos e palavras, e não com omissões. Você é aquele(a) que chega como membro desta família e clareia o caminho da vida e vida em abundância.

Você vê o que está encoberto, escuta o silêncio, sente a veracidade dos acontecimentos e mostra que a verdadeira educação deve ser retomada nos tempos atuais.

Líder da Pastoral da Criança conversando com uma família durante a visita domiciliar
“Você é aquele(a) que chega como membro desta família e clareia o caminho.”

“Ouve, ó filhos, a advertência de um pai, e procedei de tal modo que sejais salvos. Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe” (Sirac 3,2-3).

A Sagrada Escritura seguidamente menciona a família como cultura da sobrevivência, da qualificação do bem viver, busca do entendimento, crescimento no afeto, no amor, na paz e na justiça.

Jesus, por ter nascido no seio de uma família, dá prioridade ao ser humano a dignidade da família. Chama Deus de Pai. Inúmeras vezes, se dirige a Deus como Pai. “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30). A missão de Jesus é conduzir a humanidade no aconchego de Deus Pai. A sua forma de abordar a família, na medida em que vai anunciando a Boa Nova do Evangelho, vai transferindo o sentido da família doméstica para a grande família de Deus. Vai além. Somos todos filhos de Deus.

O processo na busca do crescimento na fé e na arte do conviver em comunidade que crê em Deus estabelece normas e comportamentos que estreitam os laços da convivência humana. Esse processo faz com que experimentemos o verdadeiro e grande amor entre as pessoas, como caminho da busca da verdadeira felicidade.

Jesus, caminhando nos arredores da Galileia, empenhou sua vida pública no anúncio da Boa Nova: o Evangelho da alegria e da esperança. Todo o empenho no anúncio de uma novidade traz desconforto, rejeição, preocupação, medo e constrangimento. Não foi diferente com Jesus. Numa cultura onde a família era fortemente acentuada, ouvir e deixar-se conduzir por uma outra forma de família era algo muito desafiador.

Líder, temos a certeza de que você também sente esse mesmo desafio. A princípio, dá aquele receio de que não vai ser ouvido, de que vai ser mal entendido. Mas, logo que entra na casa desta família, o milagre começa a acontecer: há o estremecimento por suas palavras, por seu exemplo e por sua disponibilidade pastoral.

Na medida em que a pregação de Jesus foi se acentuando nos arredores dos povoados de sua região, foram entendendo que o caminho para a salvação é o caminho da compreensão de que somos todos filhos do mesmo Deus, portanto, do mesmo Pai.

Tá vendo? Tá ouvindo? Tá sentindo?

Líder da Pastoral da Criança sendo acolhida por uma família
“Logo que entra na casa desta família, o milagre começa a acontecer.”

A Pastoral da Criança, por se envolver, se ocupar com a realidade de gestantes e de famílias com crianças de primeira idade, se faz participante da liberdade e serenidade numa família. Surge o afeto, o bem querer, o preocupar-se, estar presente, ver a realidade, sentir compaixão, ocupar-se com processos de ajuda e de encaminhamentos onde há desconforto, carência dos bens necessários para uma vida familiar com dignidade, segurança em todos os seus aspectos, humanos, sociais, econômicos, espirituais, de moradia, de educação, alimentação do espaço lúdico e confortável para uma vida se desenvolver com liberdade e maturidade.

Agentes da Pastoral da Criança se tornam agentes maleáveis para ser luz numa família e entender que sozinhos não somos capazes de crescer, de alcançar com equilíbrio e eficácia uma vida digna e justa.

Eis a razão de nos voltarmos para Jesus e buscarmos entender os sentimentos humanos que Cristo revela para os que querem segui-lo. Nele está a verdadeira felicidade e a promessa da vida definitiva em Deus que salva. O caminho da compreensão é difícil, exigente, provoca controvérsias, traz rupturas e desconforto. É o caminho da conversão.

A missão da Pastoral da Criança é oferecer a conversão no hábito de cuidar e dar condições para que uma criança cresça na sua integridade. Precisamos entender o Evangelho para podermos oferecer o nosso modo de ajudar e cuidar. A promessa é o Reino do Pai. Entra no céu quem pratica a justiça e ama o próximo. Eis a questão! “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,50).

Famílias, crianças e líderes reunidos em comunidade
“Somos todos filhos do mesmo Deus, portanto, do mesmo Pai.”

Líder, a nossa missão é maior do que pensamos!

Está relacionada ao direito de sermos chamados filhos de Deus. Como filhos, buscamos nos entender entre nós aqui neste mundo para facilitar os processos da busca da verdadeira felicidade. A alegria de viver é conquistada pelo entendimento entre nós, humanos. Quanto mais nos envolvemos na busca da superação das carências e das demandas e na busca da liberdade, mais nos ocupamos e entramos nos lares para oferecer os meios necessários para equiparar a vida ao justo modo de ser humano solidário, irmãos e irmãs entre nós, construindo uma verdadeira família de pessoas que se amam, se cuidam, se encontram, se ajudam na vida. Essa cultura do cuidado desenvolve com maior intensidade a cultura do encontro, de olhar nos olhos e perceber as alegrias e as tristezas nas casas onde entramos.

Eis o mandamento do Senhor: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12). Eis o mandamento que rege a nova família ao qual Jesus se refere neste encontro de sua mãe e seus irmãos. Os parentes próximos, primos, eram considerados irmãos e irmãs no tempo de Jesus. Por isso se fala “os irmãos de Jesus”.

As dicas para aceitar que somos todos irmãos exigem uma nova conduta de relações humanas e familiares. A lei antiga deve ser substituída pela nova lei, que é comandada pelo amor puro e simples. Amar o próximo, querer bem aos semelhantes e acertar-se com as pessoas. Eis a missão das líderes e dos líderes que visitam as famílias para levar-lhes a certeza de que a nossa missão é formar a grande família de Deus, onde nos entendemos, nos cuidamos, protegemos a vida desde a sua concepção, dando destaque nos primeiros mil dias e na sua primeira infância.

Líder da Pastoral da Criança conversando com atenção durante uma visita
“Essa cultura do cuidado desenvolve com maior intensidade a cultura do encontro.”

Líderes, ao visitar uma família, sintam nos rostos das pessoas se há conforto, aceitação e paz interior no lar. Se são aceitas ou não!

Jesus teve que ser firme para que se faça a vontade de Deus. Que saibamos ler, sentir, ensinar e testemunhar a vontade de Deus. Assim, apesar das tecnologias avançadas, tantas vezes desenfreadas, temos a luz do Evangelho para estimular, argumentar, ensinar que Deus nos ama e nos acolhe como filhos prediletos.

Sejamos prudentes, sensíveis, amáveis, atenciosos e simpáticos para acolher e levar o Evangelho do amor para os lares, espaço da nossa missão.

Para o dia a dia da missão

Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar as visitas, o acompanhamento das famílias e a presença da Pastoral da Criança na comunidade.

1. Tenho me aproximado das famílias como quem deseja pertencer e caminhar junto?
O líder não chega ao lar apenas para transmitir orientações. Sua presença, sua disponibilidade e seu interesse sincero ajudam a criar confiança e fazem com que ele seja acolhido como alguém próximo da família.

2. Tenho procurado ver, ouvir e compreender antes de orientar?
Cada família possui alegrias, necessidades e dificuldades que nem sempre aparecem de imediato. Olhar com atenção, escutar inclusive os silêncios e acolher sem julgamentos ajudam o líder a compreender a realidade e a oferecer uma orientação mais cuidadosa.

3. Minha atuação tem fortalecido a cultura do cuidado e do encontro?
A missão da Pastoral da Criança nos chama a construir relações de solidariedade, promover a dignidade e ajudar as famílias a encontrar apoio quando enfrentam dificuldades. Cada visita pode fortalecer os vínculos e revelar que somos parte de uma mesma família.

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