- Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
- Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
- Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
- Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
Nas bodas de Caná, Maria percebe que o vinho está acabando e age antes que a falta comprometa a alegria da festa. Sua atenção inspira a missão da Pastoral da Criança: entrar nos lares com sensibilidade, escutar as famílias, reconhecer suas necessidades e ajudá-las a encontrar caminhos. O líder não precisa resolver tudo sozinho. Assim como em Caná, o cuidado nasce da união entre diferentes pessoas: famílias, líderes, Igreja e outros parceiros.
7. Bodas em Caná
Líderes da Pastoral da Criança são revestidos de uma missão sagrada: visitar a gestante e a família com criança na primeira infância. É o início da vida, que, desde a concepção, deve ser acompanhada, cuidada e amada.
Esta missão se inspira no início da vida pública de Jesus, que chama seus discípulos para serem, mais tarde, a extensão de sua missão. O tempo do aprendizado é a oportunidade de exercitar a humildade: aprender, saber seguir e ser fiel ao que se propõe.
A equipe técnica da Pastoral da Criança tem a exigente missão de estar atenta, vigilante e atuante diante dos desafios dos tempos. Também precisa saber orientar, com o máximo de segurança, os líderes que se lançam ao campo da vinha para levar a Boa-Nova de Jesus, que veio ao mundo para dar vida, e vida em abundância (Jo 10,10), a todas as criaturas humanas.
Maria, a mulher prudente e sensata, participou de todo o mistério da encarnação do Filho de Deus. Desde a concepção até a morte de cruz, esteve presente e foi agraciada por presenciar a Ressurreição do Filho de Deus.
Cada passo é revestido de um mistério infalível. Desde o primeiro sinal, como São João escreve (Jo 2,1-12), Maria, a mulher iluminada e cheia de graça (Lc 1,28), acompanha os processos de uma vida que nasce e se desenvolve em plenitude.
Ao longo de seu tempo de vida, que é limitado, as pessoas vão adquirindo experiências para fortalecer a dinâmica do cuidado e da proteção da vida. Estar atento/a é a primeira atitude que um/a líder da Pastoral da Criança deve desenvolver em sua missão.
Sair de casa nos coloca na dinâmica da visita, do encontro com alguém. A primeira atitude, depois que o entusiasmo e o encanto pela Pastoral da Criança atingem o seu coração, é ir em missão, visitar a família e perceber as carências e as dificuldades presentes no lar.
Líder, ser prudente, amável e atencioso e estar presente são atitudes que fortalecem vínculos e fazem com que a família se sinta acolhida em suas dores e confirmada em suas alegrias. É uma forma de encarnar o perfil de Maria, que se entrega em sua infinita doação.
Maria já estava presente, enquanto Jesus e seus discípulos foram convidados (Jo 2,2). Isso dá a impressão de que Maria já era conhecida da família: ela estava ali (Jo 2,1), enquanto Jesus e seus discípulos, por serem referência, foram convidados.
Maria se sente comprometida com a causa da família e antevê o problema que poderia acontecer na festa: “vai faltar vinho” (Jo 2,3). A sensibilidade humana é o primeiro passo para a intervenção em um lar aberto ao acolhimento.
Quando uma família abre as portas de sua casa para você entrar, líder, abre-se também a possibilidade da intervenção, do cuidado e do auxílio para suprir uma falta.
Ao perceber a carência, nossas antenas se voltam para captar o que está no ar. Maria, a cheia de graça, soube captar o que estava acontecendo e provocar o mistério que estava para ser revelado.
A vida é um mistério que se desenvolve na dinâmica dos acontecimentos e na abertura para o novo, para o surpreendente.
A gestante que abre as portas de seu lar para acolher a liderança pode estar sedenta de novidade, escuta, orientação e afago. Tudo isso a ajuda a valorizar ainda mais a vida que está por vir e a família que cuida dos pequenos na primeira infância.
Sempre temos algo a aprender, a esperar, a confiar e a resolver. Maria não resolveu a falta do vinho; ela encaminhou o problema ao Filho. Também não sabia como resolvê-lo. Por isso, comentou com o Filho: “Eles não têm mais vinho”.
Também em algumas famílias não sabemos como resolver os problemas, mas os encaminhamos. Se ainda não sabemos como fazer esse encaminhamento, temos as instâncias superiores para comentar, partilhar e encaminhar.
Líder, temos observado com insistência os desafios das famílias e parado para dar respostas somente quando solicitados/as, com a devida compreensão do tempo e dos recursos de que dispomos?
Descobrimos o sabor da melhor qualidade quando apresentamos as questões às pessoas certas, preparadas para resolver, evitar transtornos e prevenir a falta de algo decisivo para a vida. As forças se unem e as soluções aparecem.
Isso mesmo. Nossas famílias estão cheias de desafios, mas também guardam em si o espaço da solução. Elas serão celeiros de qualidades que podem ser descobertas pela liderança que as acompanha.
Muitas vezes, esperam apenas um conselho, uma dica ou uma ideia que possa ser transformadora. Na família está o mesmo Deus que cria, o mesmo Deus que transforma, o mesmo Deus que ilumina.
Nessa perspectiva, vamos em busca de outras fontes geradoras de motivação, seja no campo financeiro, social ou existencial.
Por isso, reconhecemos a importância das parcerias da Pastoral da Criança com instituições governamentais, como o Ministério da Saúde; instituições estaduais e municipais; empresas e instituições financeiras; a destinação do imposto devido; a Receita Federal, por meio de materiais apreendidos; companhias de energia elétrica; universidades; escolas; enfim, tantas outras entidades que se unem, com sensibilidade, à missão da Pastoral da Criança.
Todas essas parcerias tornam-se fontes de segurança para que os problemas possam vir a ser resolvidos. O amparo que os/as líderes podem sentir dá à Pastoral da Criança um caráter abrangente, integral, seguro e fecundo.
Líderes, não estamos sozinhos! Não nos sintamos abandonados! É preciso perceber e agir. Agir com humanismo solidário e com sensibilidade humana e cristã faz o milagre acontecer.
Esta é a grande festa de Caná, festa da paróquia, da comunidade: a sua! É a unidade dos parecidos, porém diversos: proprietários/as e convidados/as, servidores/as e servidos/as.
A sintonia entre a mãe de Jesus, os serventes e o mordomo, juntamente com a decisão de Jesus, garantiu que a festa se estendesse com alegria e encantamento.
Essa sintonia serviu de exemplo a todos e todas que se lançaram na festa da vida que é a Pastoral da Criança.
É esse o modelo que se tornou exemplo para os/as líderes e para as coordenações de base, dos estados, das regiões e da coordenação nacional. Todos/as, atentos/as para que as novidades sejam percebidas, garantem a continuidade do milagre na Pastoral da Criança e o êxito de sua missão.
Isso é uma verdadeira orquestra, não é? A sinfonia dessa orquestra é a manutenção da credibilidade da ação evangelizadora.
“Foi este o início dos sinais que Jesus fez, em Caná da Galileia. Manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele” (Jo 2,11).
É encantador perceber a credibilidade da Pastoral da Criança nas mais diversas instâncias da sociedade.
É verdade que há também certo ar de saudosismo: “foi assim”, “a multimistura”, “não precisa mais”... São lembrados, ainda, outros fatores que impulsionaram essa ação evangelizadora ao longo de seus anos de história.
Cabe a nós dar um novo alento, um novo impulso e um novo vigor, porque continuam existindo gestantes sufocadas pelos desafios, famílias sobrecarregadas com o cuidado e a proteção da primeira infância e crianças sendo abandonadas diante das telas.
Com Maria, somos convocados/as a perceber as necessidades atuais, despertar os primeiros líderes e dialogar com os pastores da Igreja: bispos, padres, diáconos, religiosas e religiosos e líderes de pastorais.
Somos chamados/as, por vocação, a apontar e alertar sobre tantos problemas que estão sendo escondidos debaixo do tapete em nossas comunidades de fé, em nossas paróquias e em nossas cidades.
O milagre deve acontecer, mas precisamos da atitude de quem percebe, antecipa-se e chega a tempo, para não lamentar mais tarde.
Como isso é bonito, líderes! A festa está acontecendo em cada lugar onde vocês atuam. O melhor vinho está sendo bebido por quem, de fato, precisa se alimentar: gestantes e crianças, em suas famílias, provando do milagre da transformação.
O início da vida pública de Jesus é um belo indicativo para a Pastoral da Criança acreditar em sua própria missão. É uma pastoral que já deu certo; não precisa experimentar e testar a sua validade.
Agora, é preciso estimular pessoas de boa intenção, dispostas a participar do banquete da vida que nasce, cresce e busca o vigor, o gosto precioso da melhor qualidade para uma vida fervorosa, orientada com fé e esperança.
A verdadeira mística está em acreditar que Jesus resolve: não deixa faltar o vinho da melhor qualidade, que é a alegria e a arte do bem viver.
Assim, todos/as podem festejar, com a saúde sendo preparada desde a gestação e as crianças sendo muito bem alimentadas e cuidadas.
Agentes, cuidadores/as da Pastoral da Criança!
Sintam-se convidados/as e presentes na festa das bodas da vida, em um lar com gestante e crianças na primeira infância.
Não deixem faltar o sabor do carinho e da ternura, para que todos possam crer na eficiência do cuidado e do zelo da Pastoral da Criança em todo o Brasil.
Como Maria, cheguemos antes dos problemas. Não deixemos que aconteçam para somente depois buscar a cura.
É mais fácil cuidar e prevenir do que sofrer as dores que exigem um cuidado minucioso e a busca da cura. Uma graça que nem sempre se consegue alcançar.
Cheguemos antes! Sejamos espertos na prevenção, pois a vida agradece!
Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas, a Celebração da Vida, o acompanhamento das famílias e a presença da Pastoral da Criança na comunidade.
1. O que a atitude de Maria em Caná ensina sobre a visita domiciliar?
Maria estava atenta ao que acontecia e percebeu a necessidade antes que o problema se tornasse maior. Na visita domiciliar, o líder também é chamado a observar, escutar e acolher com sensibilidade, sem julgar ou invadir o espaço da família.
2. Como agir quando não sabemos resolver uma dificuldade apresentada pela família?
Maria não resolveu sozinha a falta do vinho: ela apresentou a necessidade a Jesus. Da mesma forma, o líder não precisa ter todas as respostas, mas deve saber escutar, buscar orientação e encaminhar a família às pessoas e aos serviços adequados.
3. Quem participa da “orquestra” do cuidado em nossa comunidade?
Em Caná, Maria, Jesus, os serventes e o mestre de cerimônias tiveram diferentes participações. Na Pastoral da Criança, líderes, famílias, coordenações, equipe técnica e outros parceiros também precisam atuar em sintonia para proteger a vida.
4. Temos chegado às famílias antes que os problemas se agravem?
A missão da Pastoral da Criança valoriza a prevenção. A visita, a orientação e o acompanhamento ajudam a reconhecer dificuldades desde o início e a encontrar caminhos antes que elas causem sofrimentos maiores.
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