6. Jesus aos 12 anos

“Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume.”
Lc 2,42
Como ler este material
  • Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
  • Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
  • Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
  • Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
Uma palavra inicial

Jesus aos doze anos, encontrado no Templo entre os mestres, revela uma etapa de crescimento marcada por perguntas, descobertas, inquietações e sinais do projeto de Deus. Maria e José, mesmo sem compreender tudo, procuram, escutam e guardam os acontecimentos no coração. Na missão da Pastoral da Criança, essa mística nos convida a acompanhar cada família com paciência, atenção e ternura, reconhecendo que o desenvolvimento da criança acontece no tempo de Deus, com cuidado, proteção, escuta e presença amorosa da comunidade.

6. Jesus aos doze anos

A fase da adolescência agita a vida familiar. As inquietações, a pressa e as incompreensões se fazem presentes num lar. Quando a vida é bem cuidada na sua primeira infância, terá mais elementos saudáveis para equilibrar a pessoa em todas as suas instâncias futuras.

Mas algo sempre inquieta, pois o ser humano traz a busca incansável pelo diferente, pelo novo e pelo que ainda não consegue perceber. O presente é a soma do passado e do futuro, que se concentra no agora e exige o máximo de atenção e proteção.

Preparar líderes para a Pastoral da Criança é olhar como Jesus foi cuidado no seio da família de Nazaré. É olhar que perspectivas podem ser levantadas quanto ao futuro. O que importa, portanto, é o presente fortalecido com amor e ternura sem medida. A educação exige tempo, cautela e oportunidade.

Os sentimentos de pertença podem surgir mais cedo ou mais tarde. Com Jesus não foi diferente. Enquanto os pais viviam intensamente a vida familiar com a presença de um adolescente, o menino, misteriosamente, aprendia as coisas divinas e domésticas sem deixar marcas registradas. Vivia no escondido de uma família humilde e simples.

Podemos dizer que o líder começa a ser formado no ventre da mãe! Os primeiros mil dias de vida são realmente momentos vivenciados para o profundo alicerce que sustenta a construção.

“Oferecemos o que temos de comum para o cuidado de uma vida que se desenvolve no seio dela mesma.”

Ao propor uma data favorável para o acompanhamento na Pastoral da Criança, oferecemos o que temos de comum para o cuidado de uma vida que se desenvolve no seio dela mesma. Nada é limitado; tudo se transforma quando estamos abertos para a graça de Deus.

Enquanto vivemos o período do aprendizado, nos recolhemos, nos distanciamos de situações barulhentas e buscamos o silêncio, fator preponderante para assimilar o aprendizado. Neste tempo, ligamos os sinais de alerta para que o aprendizado seja fecundo e sereno.

Mesmo assim, a inquietação nos provoca para a cautela, para a sabedoria de assimilar o novo que há de vir. É preciso deixar o espírito divino conduzir e ser obediente à voz de Deus.

A estrutura da Pastoral da Criança nos ajuda a estar atentos para acompanhar, conhecendo os processos de crescimento e desenvolvimento infantil no afago de um lar. As tensões surgem, mas a maturidade humana na condução de situações conflitivas faz crescer as relações humanas.

Líder, você tem lembrado de refletir sobre sua própria construção no seio de sua família? Você tem lembrado dos momentos em que sua vida foi fortalecida nos laços de afago de seus parentes?

Estamos diante de uma situação de tensão entre Maria, José e o Menino, já um tanto crescido. Estava com doze anos. Por alguns instantes, Jesus se desliga da convivência mais próxima da família doméstica e apresenta os primeiros sinais do mistério que, mais tarde, seria revelado em sua missão.

A limitação humana não consegue antever a providência divina. Maria e José não compreendem plenamente o que está acontecendo, mas permanecem atentos, buscando o menino e guardando no coração aquilo que ainda não podiam entender por inteiro.

Também nas famílias acompanhadas, muitas situações não se revelam de imediato. Há processos silenciosos, sinais pequenos e caminhos que exigem paciência, escuta e confiança. A vida familiar, quando iluminada pela fé, vai se encantando diante das maravilhas de Deus.

“Há processos silenciosos, sinais pequenos e caminhos que exigem paciência, escuta e confiança.”

As advertências futuras do Messias — “não digam nada a ninguém” — revelam a prudência de quem sabe e guarda o tempo para o tempo certo. É na hora certa que as coisas acontecem acertadamente. Mas é preciso ser presença, estar na escuta e aceitar expectativas na vida.

Sem esperança, nada se amolda na vida com arte e sabedoria. A mística revela as instâncias divinas agindo no ser humano.

Aquele menino que cresceu em idade, graça e sabedoria diante de Deus e dos homens (Lc 2,40-42), agora se apresenta com sinais de maturidade diante das autoridades.

Ele foi acompanhado por Maria e José, cresceu no cuidado de uma família simples e aprendeu, no cotidiano, os caminhos da fé, da escuta e da obediência a Deus.

Líder, sua presença na comunidade também ajuda muitas crianças a crescerem cercadas de cuidado, atenção e afeto. Cada gesto de acompanhamento fortalece a vida hoje e prepara um futuro com mais dignidade, esperança e fé.

Naturalmente, a hora certa é a hora da decisão, que deve ter maturidade e testemunho de fé e amor. O amor se torna incondicional quando se coloca a serviço de Deus. “Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?” (Lc 2,49).

A espiritualidade se revela e se reveste numa família atenta aos desígnios de Deus. Na família de Nazaré, aprendemos a cultivar a fé autêntica, simples e perfeita.

Devemos esperar o tempo de Deus em cada situação vivenciada na comunidade: os obstáculos muitas vezes são o estado de alerta para a descoberta da melhor atuação.

As crianças acompanhadas são a matéria palpável da graça e da transformação. Amanhã teremos novas lideranças desta fé autêntica, simples e perfeita.

A sabedoria é o encantamento que silencia a quem ouve e degusta o saber doce e envolvente de quem sabe. Não tem idade! Tem sabedoria, espírito puro, atraente.

Três dias na procura, três dias sepultado, três dias de angústia. O menino antevê os três dias antes da ressurreição. A grande novidade começa a se aproximar, mas ainda não chegou a hora. Precisa de mais tempo para que o natural do ser humano se confirme neste menino que é Deus e revela o mistério no meio de nós.

Participar da mística do desenvolvimento humano é admirar a ação divina que vai tecendo as relações humanas num lar. Isso exige tempo, paciência e admiração mediante as boas ações nas relações familiares.

“Depois de três dias o encontraram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas” (Lc 2,46).

No diálogo com a família, numa visita, somos abordados com perguntas e dúvidas a serem esclarecidas. Ir desarmado, mas com a sabedoria simples de alguém que se aproxima, escuta, se coloca no mesmo nível e se senta: assim as dúvidas são desfeitas e a harmonia se estabelece.

“Ir desarmado, mas com a sabedoria simples de alguém que se aproxima, escuta, se coloca no mesmo nível e se senta.”

O texto bíblico não apresenta ares de superioridade e, muito menos, de tensões ou conflitos no diálogo. Estavam sentados: ouviam, respondiam e ficavam admirados com a sabedoria. “Todos os que ouviam o menino ficavam extasiados com sua inteligência e suas respostas” (Lc 2,47).

Líder, você já percebeu, num dia de Celebração da Vida, como cada criança participa à sua maneira? Algumas chegam mais falantes, outras mais tímidas; umas sorriem, outras observam em silêncio; cada uma expressa, com seus gestos, seu jeito único de estar no mundo.

Por isso, a Celebração da Vida também é um espaço de acolhida, atenção e cuidado. Ali, a comunidade se reúne para valorizar cada criança, fortalecer os vínculos familiares e celebrar o dom da vida que cresce.

“A Celebração da Vida também é um espaço de acolhida, atenção e cuidado.”

A formação é indispensável para acompanhar com harmonia uma família com crianças na primeira infância. Sabemos da importância dos primeiros mil dias de vida, como falamos anteriormente. A densidade da vida já está implícita nesta criatura.

O respeito aproxima e encanta quem visita e quem é visitado. Alertas, questionamentos e dúvidas fazem parte. Assim, Maria também tinha dúvida da grandeza do gesto do menino. “Sua mãe guardava todos esses acontecimentos em seu coração” (Lc 2,51).

Guardar no coração é a grandeza de quem sabe aproximar as relações de afeto e de carinho. Neste mundo alicerçado em inquietações, inconstâncias, excessos e rapidez, anula-se a capacidade de colocar os acontecimentos no coração.

A Celebração da Vida é o espaço sagrado para aquietar, buscar respostas juntos, ouvir as mães e transmitir a sabedoria de Deus para desenrolar a fé íntegra, autêntica, pura e simples. A fé é transmitida de coração para coração.

Líder, quando as dúvidas surgirem, não precisa se apavorar; líderes não são portadores de todas as respostas. A mãe de Jesus soube guardar no coração as dúvidas, sem se deixar abalar ou estressar. A alma pura se aquieta no momento da obscuridade da vida.

Mais tarde, a mãe de Jesus, mais uma vez, dá o testemunho de que, na hora do suplício e da agonia, a resposta está por vir. Não duvidemos de que a manhã da ressurreição virá.

As angústias provocadas pelo anonimato, pela violência doméstica e pelos abusos devem ser enfrentadas com sabedoria e amor.

A Pastoral da Criança nem sempre é curativa, mas preventiva. Ela ajuda a saber encaminhar, observar e perceber luzes que iluminam o caminho da superação e da liberdade de tantas torturas vividas num lar.

As doenças, os abusos e a estupidez humana serão superados com a serenidade, a exemplo de Maria e José, quando procuravam angustiados o menino. Somos conscientes de que nem tudo podemos e sabemos, mas percebemos que existe solução para cada situação vivida.

Busquemos auxílio na comunidade eclesial — entre nós mesmos e entre as diversas pastorais — e nas organizações civis, nossa rede de relações. Os instrumentos para superar as feridas estão em cada recanto de nossa Igreja e de nossa sociedade.

Líder, isso é cidadania ativa!

Nos tempos atuais, temos problemas que não podem ser escondidos debaixo do tapete. A alma tomada pelo Espírito Santo impulsiona para a missão atual no cuidado e na proteção da vida. O cuidado para com os cuidadores da vida é a primeira missão da Pastoral da Criança.

“Sejamos animadores e animadoras para entusiasmar a vida que nasce, que cresce e que se desenvolve neste mundo.”

Jesus vivia instruindo e fortalecendo o ânimo dos discípulos. Ensinava como deveriam ser instrutores da Boa Nova após a sua missão no mundo.

A multiplicação de líderes em todo o território nacional é uma preocupação constante, que dá vigor e constância à razão de ser da Pastoral da Criança. Ela se configura como Pastoral porque está vinculada ao pastoreio do Mestre de Nazaré, que se autodenomina “o Bom Pastor” (Jo 10,11).

Jesus é o Pastor fidedigno, aquele que levamos para os lares sedentos do cuidado e da proteção da vida.

Que nossos líderes, a exemplo de Maria, se empenhem em cuidar, observar e guardar no coração as coisas bonitas encontradas nas famílias.

Celebrar os momentos encantadores enobrece a Pastoral da Criança e fortalece com dignidade a missão do cuidado, da prevenção e da autoestima nos lares, sobretudo onde o desânimo reina.

Sejamos animadores e animadoras para entusiasmar a vida que nasce, que cresce e que se desenvolve neste mundo, rumo ao Reino definitivo, o Reino de Deus.

Para o dia a dia da missão

Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas, a Celebração da Vida, o acompanhamento das famílias e a presença da Pastoral da Criança na comunidade.

1. Tenho ajudado as famílias a enfrentarem suas dúvidas e dificuldades sem medo?
Nem sempre temos todas as respostas. Como Maria, que guardava os acontecimentos no coração, o líder pode ajudar a comunidade a buscar caminhos, pedir apoio e encontrar luzes para superar situações difíceis.

2. Tenho acompanhado as famílias com paciência, respeitando o tempo de crescimento de cada criança?
Cada criança se desenvolve em seu próprio ritmo. A missão do líder é ajudar a família a perceber sinais, acolher dúvidas, fortalecer cuidados e confiar no processo de crescimento com amor, atenção e serenidade.

3. Nas visitas, tenho exercitado a escuta antes de orientar?
Assim como Jesus foi encontrado no Templo ouvindo e fazendo perguntas, o líder também é chamado a se aproximar com humildade, escutar a família e construir o diálogo com simplicidade e respeito.

4. A Celebração da Vida tem sido um espaço de acolhida, cuidado e fortalecimento dos vínculos familiares?
Quando a comunidade se reúne para celebrar, acompanhar e partilhar, ela ajuda as famílias a reconhecerem a beleza da vida que cresce e a importância do cuidado, da proteção e da fé no desenvolvimento das crianças.

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