5. Apresentação

“Quando se completaram os dias da purificação, seguindo a Lei de Moisés, levaram o menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, conforme está escrito na Lei do Senhor.”
Lc 2,22-23
Como ler este material
  • Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
  • Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
  • Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
  • Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
Uma palavra inicial

A apresentação de Jesus no Templo revela a beleza de uma vida acolhida, nomeada, cuidada e entregue a Deus. Maria e José cumprem os preceitos da Lei e mostram que toda criança tem dignidade, pertença e direito de ser reconhecida pela família, pela comunidade e pela fé. Na missão da Pastoral da Criança, essa mística se atualiza na visita às famílias, na Celebração da Vida e no cuidado amoroso com cada criança, para que ela cresça em sabedoria, graça e proteção.

5. Apresentação

Maria e José, mesmo na pobreza, cumpriram todas as exigências da Lei. Foram para Jerusalém apresentar o menino. Ele é cidadão, pessoa com todos os direitos perante a lei civil e reconhecido perante as autoridades do Templo. Ele tem nome, tem pertença, tem dignidade. O nome é a identidade e a dignidade da pessoa. É preciso escolher um lindo nome para uma criança que nasce. O nome acompanha toda a sua vida. É a referência da vida humana.

“Completados os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo, antes de ser concebido no ventre de sua mãe” (Lc 2,21). Jesus recebeu um nome especialíssimo, o do Ungido de Deus, que tem a missão de salvar a humanidade.

“Toda criança que nasce é uma esperança que domina um lar.”

Como é bonita, líder, sua preocupação em ajudar as famílias a também cumprirem as exigências da lei! É aí que se encontra sua atenção com a cidadania, eixo tão importante no dia a dia dessas famílias.

A vida deixou de ser anônima, insignificante; tem pertença. O anjo anunciador antecipa e dá o nome. Este nome é preparado pelo Senhor durante séculos, pela voz dos profetas, como Isaías falara a respeito do Messias: “O povo que andava em trevas verá uma grande luz” (Is 9,1). O Deus escondido na brisa suave agora se manifesta em corpo humano, está vivo no meio de nós.

Quando estamos visitando as gestantes, com certeza, estamos a escutar a pergunta: você tem alguma sugestão para o nome de meu filho, de minha filha? Ou, às vezes, perguntamos: você já tem nome para seu filho, sua filha?

Como é bonita, líder, a sua preocupação em nomear uma pessoa com um nome que tenha sentido para a vida toda, já que esta é a grande marca. O espírito se regozija com a beleza do nome.

A precariedade humana no acolhimento do Deus Menino no mundo é revelada solenemente pelos coros dos anjos, e a sua manifestação se tornou fato impactante, que logo provocou as mais diversas reações: manifestações a favor e contra a vida do Filho de Deus humanizado.

Os céus proclamam os louvores com cânticos angelicais (Lc 2,13-14) e encantos dos Reis vindos do Oriente (Mt 2,1-12); os poderosos deste mundo tramam estratégias para condenar e eliminar a vida que nasce (Mt 2,13-18).

Foram para o Templo para registrar e dar cidadania ao Menino Deus: “Todo primogênito masculino será consagrado ao Senhor; e para oferecer em sacrifício um par de rolas ou dois pombinhos, como está escrito na Lei do Senhor” (Lc 2,23-24). Seja pobre ou rico, todos se apresentam perante a lei.

A pobreza da família de Nazaré não é mensurada pelos bens materiais, mas pela grandeza de Deus na vida deste casal de Nazaré. Entendemos por que eles ofertaram um casal de rolas. Era o que tinham para oferecer, mas a oferta maior é aquela da qual toda a humanidade se beneficia até hoje. A riqueza do Menino, ao ser apresentado no Templo, estende-se de geração em geração e se configura sem limites. Somos desejosos desta oferta que veio trazer a salvação para toda a humanidade.

O Espírito Santo conduz as pessoas nas vias deste mundo. É possível perceber o impulso do Espírito Santo quando vivemos em sintonia com o mistério de Deus, alimentado pela oração, pela escuta, pela sensibilidade humana e pelo respeito ao próximo.

“A Pastoral da Criança faz a figura de Simeão e de Ana.”

O velho Simeão (Lc 2,25) era um homem justo que esperava ver com os próprios olhos o Salvador de Israel. Toda criança que nasce é uma esperança que domina um lar. É uma espera que se concretiza, mudando os hábitos de uma casa. Tomar uma criança nos braços é contemplar a fragilidade de uma vida que nasce, repleta de amor e da imensa emoção que se cala, se contempla, se admira, cuida.

A Pastoral da Criança faz a figura de Simeão e de Ana (Lc 2,21-40). É importante entender e observar a reação desses velhos esperançosos pela vida do Messias. O olhar de compaixão e de alerta sobre o que será dessa vida, e o quanto Maria enfrentará ao gerar o Filho de Deus para a humanidade, deve estimular os agentes da Pastoral da Criança a acompanhar a mãe e a criança no lar. Não deixar a mãe abandonada, isolada. A ternura e o calor da Igreja, através da Pastoral da Criança, preenchem o vazio que, porventura, exista num lar.

Líder, aquele dia em que você realiza a Celebração da Vida na comunidade parece muito com esta apresentação: você estimula as famílias a trazerem as crianças ao templo da comunidade, que são os diversos espaços que acolhem vocês: uma casa, um centro pastoral, uma escola, uma árvore... Ali está a pessoa que chega à celebração para ser visualizada por outras pessoas que já estão presentes e pelas que coordenam o momento celebrativo.

A missão da Pastoral da Criança é repleta de situações que complementam as condições necessárias para uma vida ser bem acolhida, cuidada, alimentada e desenvolvida em todas as suas etapas. “Depois de cumprirem tudo conforme a Lei do Senhor, eles voltaram para a Galileia, à sua cidade de Nazaré. O menino crescia, ficava forte e cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele” (Lc 2,39-40).

O peso e a medida das crianças atualizam o mistério do crescimento e do desenvolvimento. Vejam! A criança está crescendo em idade, graça e sabedoria diante de nós, que estamos na celebração!

“O peso e a medida das crianças atualizam o mistério do crescimento e do desenvolvimento.”

A mística da Pastoral da Criança incentiva a atitude de Maria e José: cumprir tudo o que é prescrito e todas as exigências básicas para o cuidado e a proteção da vida de uma criança.

Aí está a função dos agentes, líderes da Pastoral da Criança: acompanhar, ser presença, observar, dar cidadania, registrar, estimular a ternura e a alegria constantes na vida da família. O pastoreio se faz a partir da sensibilidade evangélica, que torna clara a obrigação do afeto e do cuidado.

A luz do Evangelho nos impulsiona para uma presença amorosa e gratuita, essência da Pastoral da Criança, que mais ama do que reivindica direitos. A graça da gratuidade faz assemelhar-se a Maria e José, que deram suas vidas para cuidar do Menino, o Salvador da humanidade.

“A luz do Evangelho nos impulsiona para uma presença amorosa e gratuita.”

Toda criança que nasce é um mistério. Não sabemos o que será dessa criatura. Eis a razão pela qual deve ser apresentada à comunidade: deve ser visitada, amparada, para que a família se sinta participante no aconchego de um lar que faz uma vida se desenvolver.

O texto bíblico deixou bem claro que o casal voltou para Nazaré, a sua casa, e o menino crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens (cf. Lc 2,51-52).

A presença de espírito de Maria é encantadora; ela observava tudo o que diziam do menino. Assim, uma mãe fica atenta ao que dizem a respeito de seu filho. Toda palavra positiva estimula boas ações e posturas benéficas no cuidado e na educação da criança. Neste mundo dilacerado pela violência e pela disparidade social e religiosa, é preciso ter cautela, simplicidade, ternura e muito amor. O amor vence o mundo.

A comunidade de fé é o espaço sagrado para acolher a criança, que deve ser protegida e amparada pela comunidade eclesial. Aprendemos da Sagrada Família que, ao apresentar a vida a Deus, a comunidade se torna responsável para que a criança seja amada, protegida e possa crescer em sabedoria e graça diante de Deus e da comunidade.

Superemos o mundo intimista, autossuficiente, e acalentemos a vida com a ternura do amor e da sensibilidade humana. Toda vida quer ser vista, cuidada, amparada, educada e impulsionada na fé.

Levar alma e boa espiritualidade para uma casa onde se encontra uma vida frágil em sua primeira infância é imitar a atitude de Maria, que presta serviço, visita, segue os preceitos da Lei, é temente a Deus e tem uma vida autêntica e fértil com a graça de Deus.

Líder, os exercícios da comunidade cristã favorecem o crescimento na fé.

“A Celebração da Vida é o momento riquíssimo que alimenta a unidade, a sensibilidade religiosa e a pertença a Deus.”

A Celebração da Vida, como já nos referimos antes, é o momento riquíssimo que alimenta a unidade, a sensibilidade religiosa e a pertença a Deus, que se revela na comunidade que reza e observa os preceitos do Senhor. Apresentar a criança na comunidade, num dia celebrativo, com a presença de todos, é o gesto sublime de uma comunidade acolhedora e cuidadora da vida.

A Pastoral da Criança, nesse momento, amplia a sua missão e compromete toda a comunidade de fé a acolher, a cuidar e a fomentar a fé viva e autêntica de toda a família. Somos comunidade de filhos de um único Deus. Portanto, somos irmãos, e os irmãos acolhem, abraçam a vida que veio ao mundo.

“Somos comunidade de filhos de um único Deus. Portanto, somos irmãos, e os irmãos acolhem, abraçam a vida que veio ao mundo.”

Imitemos a Sagrada Família, que apresentou o Menino Deus no Templo, e que as crianças, ao serem apresentadas na comunidade onde vivem, usufruam dos bens de Deus, que se revelam pela oração, pela escuta da Palavra e pelo alimento dos sacramentos.

Que a criança seja apresentada na comunidade eclesial para ser amparada pela sensibilidade humana, fruto de uma fé madura, sedimentada no exercício da convivência espiritual, humana e afetiva entre as famílias.

Para o dia a dia da missão

Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas, o acompanhamento das gestantes e a presença da Pastoral da Criança na comunidade.

1. Tenho ajudado as famílias a reconhecerem a dignidade e a identidade de cada criança desde o nascimento?
O nome, o registro, o cuidado e a acolhida expressam que cada criança tem valor, pertença e dignidade diante da família, da comunidade e de Deus.

2. A Celebração da Vida tem sido, em minha comunidade, um momento de acolhida e valorização das crianças?
Quando a comunidade se reúne para pesar, medir, rezar e celebrar, ela reconhece que cada criança deve ser vista, cuidada, protegida e acompanhada.

3. Tenho ajudado a comunidade a se comprometer com as crianças e suas famílias?
A missão da Pastoral da Criança não é isolada. Ela desperta a responsabilidade de toda a comunidade de fé no cuidado, na proteção e no crescimento das crianças.

4. O exemplo de Maria e José inspira minha missão como líder?
Assim como eles apresentaram Jesus no Templo e cumpriram com amor sua responsabilidade, o líder também é chamado a acompanhar, orientar e cuidar da vida com fé, simplicidade e compromisso.

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